A Warner Music Brasil anunciou uma nova estrutura organizacional nesta terça-feira (9), com mudanças em áreas de crescimento, distribuição, serviços criativos, A&R e marketing. O movimento reorganiza lideranças internas e cria uma divisão de Growth & M&A, voltada a iniciativas de expansão, inovação, fusões e aquisições.
A mudança acontece em um momento em que as grandes gravadoras precisam operar em mais frentes ao mesmo tempo. Além da relação tradicional com artistas contratados, o mercado exige atenção à distribuição independente, dados, conteúdo, catálogo, otimização de receita, parcerias regionais e gêneros que se movimentam com velocidade nas plataformas e nas redes.
A Warner passa a organizar áreas estratégicas de forma mais integrada. A empresa afirma que o novo modelo busca dar mais agilidade à operação, identificar oportunidades de mercado e oferecer suporte mais especializado ao seu portfólio de artistas e parceiros.
Growth & M&A entra no mapa da Warner Music Brasil

Leila Oliveira, presidente da Warner Music Brasil, seguirá à frente da operação no país, com responsabilidade sobre toda a estrutura da companhia. A principal novidade é a nova área de Growth & M&A, que será comandada por João Alquéres, agora Vice-Presidente de Growth & M&A.
A criação da divisão indica que a Warner quer olhar para o crescimento de forma mais transversal. Em vez de tratar oportunidades apenas como ações pontuais de marketing, distribuição ou relacionamento artístico, a companhia passa a centralizar iniciativas ligadas a novos negócios, inovação e possíveis movimentos de mercado.
João também continuará à frente da ADA Brasil, braço de distribuição e serviços para selos e artistas independentes da Warner. Essa combinação é importante porque aproxima a lógica de crescimento da operação independente. Em um mercado no qual artistas e selos muitas vezes chegam ao público antes de assinar com uma grande gravadora, a distribuição se tornou uma das portas mais estratégicas para mapear repertórios, cenas e parceiros.
Karla Ollie, Gerente Sênior de Estratégias e Negócios, que já comandava a operação de marketing da ADA, passa a ter novas atribuições nas atividades de distribuição no dia a dia. A mudança busca dar continuidade à operação enquanto o negócio ganha mais espaço dentro da estrutura da companhia.

Creative Services assume papel mais central na operação
Outra mudança está na área de Creative Services. Thiago Abreu, Diretor de Creative Services, passa a liderar estratégias de DSPs, Conteúdo & Criativo, Promoção e Revenue Optimization. Com isso, a área passa a atuar como um hub de conexão entre frentes que impactam diretamente a performance dos lançamentos.
As DSPs são as plataformas digitais de música, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music e YouTube Music. Já Revenue Optimization envolve iniciativas para melhorar a geração de receita a partir do consumo, do catálogo, das campanhas e das oportunidades comerciais em torno dos artistas.
Esse tipo de integração mostra como o trabalho de uma gravadora deixou de ser apenas lançar música. Hoje, a operação passa por leitura de dados, estratégia de conteúdo, negociação com plataformas, promoção, calendário de lançamentos, posicionamento visual e cuidado com diferentes fontes de receita. Quanto mais conectadas essas áreas estão, maior tende a ser a capacidade de responder rapidamente ao comportamento do público.
Música urbana e popular ganham lideranças dedicadas
A Warner Music Brasil também passa a contar com estruturas integradas de A&R e marketing voltadas à música urbana e à música popular. A&R é a área responsável por descobrir, desenvolver e acompanhar artistas e repertórios. Quando essa frente caminha junto com marketing, a tendência é que o desenvolvimento artístico e a comunicação sejam pensados desde o início de cada projeto.
Marcos Kilzer assume como Diretor de Música Urbana, com a missão de impulsionar um dos segmentos mais movimentados da indústria musical brasileira. O urbano reúne cenas como rap, trap, funk e seus cruzamentos, gêneros que têm forte presença nas plataformas, nas redes sociais, nos festivais e na formação de comunidades de fãs.
Já Julian Lepick chega à empresa como Diretor de Música Popular. Ele traz experiência na interseção entre cultura, tecnologia e negócios. Em sua trajetória, atuou na implementação e expansão dos escritórios regionais da ONErpm em Recife, Fortaleza e Manaus, contribuindo para a descentralização da distribuição digital no Brasil.
A chegada de Julian sinaliza atenção a mercados regionais e a ecossistemas musicais que não dependem apenas dos grandes centros. Esse ponto é cada vez mais relevante em um país onde gêneros populares crescem a partir de cenas locais, festas, circuitos de shows, criadores de conteúdo e consumo orgânico em plataformas digitais.
Segundo Leila Oliveira, a nova estrutura acompanha a evolução do mercado e a necessidade de mais especialização.
“O mercado da música continua evoluindo e exige cada vez mais especialização, agilidade e proximidade com os artistas. Essa evolução da nossa estrutura tem como objetivo promover ainda mais integração entre as equipes. Ao unificar áreas estratégicas e contar com especialistas dedicados à música urbana e à música popular, fortalecemos nossa capacidade de desenvolver carreiras, ampliar oportunidades e gerar novas fontes de receita para artistas e parceiros”, afirma.
A reorganização da Warner Music Brasil aponta para uma disputa cada vez mais voltada à eficiência interna, leitura de mercado e proximidade com cenas em crescimento. Para artistas e parceiros, a mudança pode representar uma operação mais segmentada, com equipes dedicadas a entender as particularidades de cada gênero, cada território e cada fase da carreira.
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