Videoclipes despertam mais nostalgia que outros formatos, aponta estudo da Vevo

Uma nova pesquisa da Vevo mostra que 65% da geração Z sentem nostalgia por épocas que não viveram e usam clipes para descobrir catálogos antigos.
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Nathália Pandeló
Vevo lança estudo sobre nostalgia e música
Vevo lança estudo sobre nostalgia e música (Crédito: Divulgação)

A Vevo publicou um novo estudo sobre como diferentes gerações se relacionam com a nostalgia e sobre o papel dos videoclipes na redescoberta de músicas e artistas no streaming. A pesquisa “Then is Now” ouviu 1,8 mil pessoas nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Austrália, divididas igualmente entre geração Z, millennials e geração X.

Entre os resultados, 65% dos integrantes da geração Z disseram sentir nostalgia por épocas que não viveram ou das quais eram jovens demais para guardar lembranças. A Vevo chama esse comportamento de “nostalgia emprestada”. Entre os millennials, o índice foi de 55%, enquanto 54% da geração X também relataram esse tipo de ligação com períodos anteriores às próprias experiências.

O levantamento mostra ainda que 60% dos entrevistados se identificam com a chamada “nostalgia compartilhada”, formada por referências culturais que voltam a circular por meio de relançamentos, documentários, séries, tendências nas redes sociais e conteúdos antigos disponíveis no streaming.

Videoclipes despertam mais nostalgia que o áudio

Estudo da Vevo mostra que a nostalgia pode ser de épocas não vividas
Estudo da Vevo mostra que a nostalgia pode ser de épocas não vividas (Crédito: Divulgação)

A música foi apontada por 88% dos participantes como o meio mais ligado à nostalgia, à frente dos filmes, com 81%, e da televisão, com 80%. Dentro do universo musical, os videoclipes aparecem no topo, citados por 68% dos entrevistados, contra 59% das faixas em áudio e 50% dos vídeos de apresentações ao vivo.

Para a Vevo, a combinação de som e imagem transforma o clipe em um registro visual de uma época. Figurinos, cenários, coreografias e referências cinematográficas ajudam a contextualizar as músicas para quem acompanhou o lançamento original e para quem descobre essas obras muitos anos depois.

“Não se trata apenas de revisitar o que você amava anos atrás. As pessoas desejam momentos e experiências compartilhadas, em contraste com a fragmentação provocada por algoritmos personalizados”, afirmou JP Evangelista, vice-presidente executivo de Conteúdo, Programação e Marketing da Vevo.

Segundo a pesquisa, um em cada três integrantes da geração Z sente que “nasceu na geração errada”. O estudo também aponta que os anos 2000 e 2010 concentram as principais referências nostálgicas desse público, enquanto os millennials associam o sentimento principalmente às décadas de 1990 e 2000.

Filmes, séries e shows recolocam clipes em circulação

Gravação de clipe
Crédito: Kyle Loftus

A nostalgia também leva o público a aprofundar a busca por repertórios antigos. Ao ouvir uma música do passado, 69% dos entrevistados afirmaram voltar a álbuns, artistas ou gêneros de que gostavam, enquanto 67% disseram procurar outras faixas lançadas na mesma época.

Os dados de visualização da Vevo mostram como filmes, séries e apresentações podem movimentar clipes e catálogos. “Sign of the Times”, de Harry Styles, registrou alta de 547% depois que a música apareceu em uma cena de karaokê do filme “Project Hail Mary”.

O catálogo dos Beatles cresceu 62% após o lançamento do documentário “The Beatles Anthology” no streaming. Já o clipe de “No Ordinary Love”, de Sade, teve aumento de 52% depois da estreia da série “Love Story”. As visualizações de Justin Bieber subiram 221% após o cantor se apresentar no Coachella diante de imagens de seus clipes mais antigos.

Novos lançamentos também recorrem a referências de outras décadas. A Vevo cita “Manchild”, de Sabrina Carpenter, como exemplo de nostalgia emprestada. O vídeo, inspirado em filmes de estrada dos anos 1970 e em produções como “Badlands” e “Thelma & Louise”, foi a estreia mais assistida de 2025 na plataforma nos três mercados analisados.

Artistas antigos encontram espectadores que nasceram depois

Os dados do catálogo mostram que parte do público de clipes antigos nasceu muitos anos após os lançamentos. Entre os espectadores de “No Woman, No Cry”, de Bob Marley & The Wailers, 74% nasceram depois de 1979. No caso de “Material Girl”, de Madonna, 62% nasceram após 1989.

O resultado indica que os videoclipes podem funcionar como porta de entrada para artistas, gêneros e períodos da música. Ao oferecerem uma representação visual de cada época, essas obras ajudam os públicos mais jovens a interpretar referências culturais que também aparecem na moda, no cinema, nas séries e em novos lançamentos.

“A nostalgia é uma força atemporal e poderosa de engajamento na era do streaming. A narrativa visual dos videoclipes transcende a própria música e cria uma conexão emocional e psicológica profunda para os fãs, tanto novos quanto antigos, de uma forma que poucas formas de entretenimento conseguem. Os videoclipes do passado oferecem, de maneira única, contexto para as músicas e para grandes momentos da cultura pop, tornando-se uma fonte icônica de inspiração”, afirmou Laura Vanison, vice-presidente de Pesquisa e Mensuração da Vevo.

Os números apontam que um catálogo não depende somente do público que acompanhou seu lançamento. No streaming, um clipe pode voltar a ganhar audiência ao aparecer em filmes, séries, campanhas, shows ou tendências digitais, conduzindo novos espectadores para outras faixas e fases da carreira de um artista.

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