No Equador, Warner Chappell e UMG se unem a nova empresa para levar artistas ao exterior
Nova companhia do Equador reúne desenvolvimento artístico, distribuição e edição e mira a circulação de talentos locais pela América Latina.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
O Equador ganhou uma nova empresa voltada ao desenvolvimento e à internacionalização de artistas locais, com conexões diretas com duas das maiores companhias da indústria musical. A Sonido Distrito Sur, ou SDS, mantém um acordo com o Universal Music Group para música gravada e outro com a Warner Chappell Music na área editorial.
A SDS é liderada pelo cantor e compositor Juan Fernando Velasco e pelo executivo Ricardo Ordóñez. A apresentação oficial aconteceu durante a SAYCE Music Week, realizada em Quito entre 1º e 4 de setembro, com a proposta de criar uma estrutura dentro do próprio país para acompanhar carreiras e facilitar a entrada de artistas equatorianos em outros mercados.
A estratégia prevê inicialmente uma aproximação com países como Peru e Colômbia e com a América Central. A estrutura societária da SDS e os termos financeiros dos acordos com Universal e Warner Chappell não foram divulgados.
Por que o Equador entrou no radar?
A criação da Sonido Distrito Sur acontece em um momento de crescimento da música latino-americana como negócio. Segundo a IFPI, Federação Internacional da Indústria Fonográfica, a América Latina foi a região que mais cresceu no mercado mundial de música gravada em 2025, com avanço de 17,1%. O streaming respondeu por 88,1% das receitas regionais.
Dentro do Equador, outro indicador mostra um mercado em expansão. A SAYCE, sociedade de autores e compositores do país, arrecadou mais de US$ 10,3 milhões em direitos autorais em 2024, o maior valor de sua história. A entidade representa mais de 3 mil associados e administra um catálogo de mais de 66 mil obras nacionais.
O país também começou a produzir casos de maior circulação internacional. O equatoriano Jombriel, de Esmeraldas, tem atualmente cerca de 9,2 milhões de ouvintes mensais no Spotify. Em 2025, “Vitamina” liderou o ranking das músicas mais ouvidas no Equador na retrospectiva anual da plataforma. A faixa também ultrapassou as fronteiras locais e ajudou a colocar um artista do país em playlists e rankings de outros mercados latino-americanos.
Esses números ajudam a explicar a oportunidade identificada pela SDS: há consumo, arrecadação e artistas capazes de alcançar públicos maiores, mas ainda existe espaço para estruturas locais conectadas aos principais agentes internacionais.
Juan Fernando Velasco (Crédito: Divulgação)
Sonido Distrito Sur quer acompanhar diferentes etapas da carreira
O trabalho da nova empresa inclui investimento, produção, distribuição, marketing, promoção, busca e desenvolvimento de artistas, colaborações internacionais e novas oportunidades comerciais. A ideia é concentrar em uma mesma estrutura áreas que muitas vezes são contratadas separadamente ao longo da carreira.
De acordo com a apresentação da SDS, em seu centro está o “Artist Elevation, um modelo próprio que busca fortalecer de forma abrangente a carreira de cada artista por meio do desenvolvimento de seu repertório, imagem, posicionamento, colaborações, presença nas plataformas e da evolução artística, técnica, visual e comercial de suas apresentações ao vivo.”
A Sonido Distrito Sur também pretende atuar no mercado de shows. Segundo o material de apresentação, está prevista “uma futura parceria internacional para desenvolver suas operações de booking”, área responsável pela negociação e organização de apresentações.
Para Velasco, o principal desafio não está na ausência de artistas, mas na estrutura disponível para levá-los para fora do país.
“O Equador nunca teve falta de talento. O que faltava era uma estrutura capaz de conectar esse talento com oportunidades na indústria musical internacional. A Sonido Distrito Sur foi criada para construir essa ponte e ajudar nossos artistas a obter o reconhecimento que realmente merecem”, afirma Juan Fernando Velasco.
Além de artista, Velasco preside a SAYCE. Com a SDS, ele e Ordóñez apostam em uma estrutura local conectada à Universal na música gravada e à Warner Chappell na administração editorial para transformar o crescimento interno do Equador em maior circulação regional.
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