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Cinebiografia de Ney Matogrosso ganha trailer e comprova como o gênero impulsiona catálogos musicais

A cinebiografia "Homem com H", sobre Ney Matogrosso, estreia em maio e reforça como filmes sobre músicos brasileiros movimentam o consumo nas plataformas.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
  • 11/02/2025
  • 15:59
  • Tempo de leitura: 4 min
Cinebiografia de Ney Matogrosso ganha trailer (Crédito: Reprodução)
Cinebiografia de Ney Matogrosso ganha trailer (Crédito: Reprodução)

O ator Jesuíta Barbosa chamou a atenção ao aparecer irreconhecível como Ney Matogrosso no primeiro trailer da aguardada cinebiografia “Homem com H”. O longa, dirigido por Esmir Filho, estreia em maio e vai explorar a trajetória do cantor desde a infância até o auge da carreira. Além de resgatar momentos marcantes da história do Brasil, o filme tem o potencial de colocar clássicos como “Rosa de Hiroshima” e “Sangue Latino” nas paradas das plataformas de streaming.

Nos últimos anos, cinebiografias de artistas brasileiros têm mostrado mais do que apenas histórias cativantes. Elas impulsionam catálogos musicais, trazendo artistas para o radar de novas gerações. O impacto é sentido diretamente nas plataformas de streaming, onde músicas antigas voltam a ganhar destaque após os lançamentos.

O impacto nas plataformas de streaming

O mercado tem exemplos recentes desse fenômeno. Em 2023, o filme “Nosso Sonho”, sobre Claudinho e Buchecha, liderou as bilheterias nacionais e alavancou a audição da dupla no Spotify. As músicas “Quero te Encontrar” e “Fico Assim sem Você” registraram aumentos expressivos em números de execução, embora a plataforma não divulgue dados precisos. Esse comportamento também foi observado com “Mamonas Assassinas – O Filme”, que levou a um crescimento na busca pelas canções irreverentes da banda.

O caso de Elis Regina também foi representativo. Após o lançamento do filme “Elis” em 2016, faixas como “Como nossos pais” e “O bêbado e o equilibrista” ganharam novos picos de reprodução – embora de forma modesta, já que no momento o streaming era menos popular no país. Essa tendência demonstra que o público se conecta novamente com os catálogos desses artistas, seja por nostalgia ou por curiosidade de quem os descobre pela primeira vez.

Tullio Dias, crítico de e editor-chefe do site Cinema de Buteco, aponta que “mais que homenagens, cinebiografias costumam ser o contato de artistas com novos públicos”. Segundo ele, “todo mundo tem curiosidade em saber fofoca da vida de um artista, por isso arrisco dizer que é uma tática certeira para criar interesse em quem nunca ouviu uma música ou álbum”.

Renovação do interesse e efeitos no mercado

O aumento nas execuções de músicas após cinebiografias não beneficia apenas os artistas. Gravadoras, editoras e plataformas de streaming também sentem o impacto positivo. A exposição audiovisual ajuda a ampliar a presença digital dos catálogos, impulsionando royalties e licenciamentos.

Dias comenta que”não tenho dados de pesquisas sobre o impacto do filme do Mussum, Claudinho e Buchecha ou Mamonas Assassinas, mas é natural despertar um sentimento de volta ao passado para quem já conhecia. E também criar curiosidade em quem gostou do filme”. 

Isso também abre espaço para reedições e lançamentos de coletâneas. Quando “Tim Maia” estreou em 2014, houve uma corrida por relançamentos de álbuns e edições especiais. O filme colocou o cantor em destaque para um público que, até então, não o conhecia tão bem. Os ganhos, porém, foram limitados: à época, a discografia do “Síndico” era praticamente inexistente nas plataformas.

Isso mudou em 2018, quando os álbuns passaram a integrar o catálogo de serviços de streaming. Resultado: Tim Maia passou de 600 mil para 4,5 milhões de ouvintes mensais apenas no Spotify.

Perspectivas para o filme de Ney Matogrosso

Ney Matogrosso e Jesuíta Barbosa
Ney Matogrosso e Jesuíta Barbosa (Crédito: Reprodução)

Com o lançamento de “Homem com H”, a expectativa é que o mesmo ciclo se repita para Ney Matogrosso. Além de resgatar sucessos conhecidos, o filme pode despertar interesse em faixas menos populares do artista. Isso pode resultar em aumento de execuções tanto no Spotify quanto em outras plataformas.

A trama aborda a carreira de Ney, mas também o contexto histórico do Brasil durante a ditadura militar. Isso conecta a história pessoal do cantor com temas que ainda ressoam na sociedade, ampliando o alcance do filme para além do público que já acompanha a música brasileira.

O filme chega, também, com gostinho de reparação histórica. Há mais de 20 anos, quando “Cazuza – O Tempo Não Pára” (2004) foi lançado, uma ausência era impossível de não ser notada: a de Ney Matogrosso. Os dois artistas viveram uma relação curta, mas intensa, que foi omitida do longa. Agora, é a vez da história de Ney ganhar protagonismo. Cazuza, no entanto, aparece no novo filme, interpretado pelo ator Jullio Reis.

Cinebiografias como estratégia de mercado

O uso de cinebiografias como ferramenta para revitalizar catálogos musicais se consolidou também no mercado internacional, com exemplos recentes como “Bohemian Rhapsody”, sobre o Queen, e “Rocketman”, sobre Elton John. No Brasil, uma nova leva de filmes biográficos se consolida, mostrando que as histórias desses artistas têm potencial para atravessar gerações.

Para gravadoras e distribuidores, esses filmes são oportunidades de explorar catálogos antigos, criando novas formas de monetização. O público não apenas ouve as músicas, mas também busca informações, participa de eventos temáticos e consome produtos relacionados aos artistas.

O impacto econômico para o setor é significativo, e a tendência é que mais produções explorem esse potencial nos próximos anos.

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