Monique Dardenne apresenta nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o quarto episódio de seu projeto “Música que Não Toca Por Aí”, disponível no YouTube. A convidada da vez é Eliane Dias, advogada, empresária e responsável pela gestão de carreira dos Racionais MC’s e outros artistas, um dos nomes mais relevantes da música brasileira nas últimas décadas.
A conversa ultrapassa os bastidores da indústria e mergulha em memórias afetivas, maternidade e nas experiências que formaram a trajetória de uma das principais gestoras musicais do país. O episódio transforma histórias pessoais em reflexão sobre identidade, ancestralidade e o papel da música como ferramenta de construção de vida.
A música como fio condutor da trajetória
No programa de Monique Dardenne, Eliane mostra que sua relação com a música vai além do trabalho. Ela vive da música, criou os filhos com o dinheiro da música e construiu sua trajetória profissional dentro desse universo. A escuta constante faz parte do cotidiano, seja no carro, em casa ou descobrindo novos sons que passam a ocupar seu algoritmo.
Ao relembrar o primeiro disco marcante da vida, ela escolhe Alcione. A memória está ligada à mãe, Dona Maria Aparecida, à vitrola antiga e ao “esquenta” antes das festas de fim de semana. A cena é simples, mas carrega o que a própria Eliane define como base afetiva.
“Existe uma cultura, que precisa desaparecer, de que a mulher negra precisa suportar tudo. Eu mesma tive que suportar muitas coisas e nem sei como estou viva. Mas quando soube como nasci, entendi que aquilo foi a coisa mais difícil que fiz na vida. O resto, eu posso enfrentar.”
A fala surge quando ela conta que descobriu, apenas recentemente, que nasceu em casa, sem energia elétrica, filha de uma mãe de 16 anos. A revelação muda a percepção sobre sua própria força e ajuda a entender o modo como encarou desafios ao longo da vida e da carreira.
O livro no lixo que desenhou um destino

Outro momento central do episódio envolve o livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus. Aos oito anos, moradora da comunidade do Parque Santo Amélia, Eliane encontrou o exemplar no lixo enquanto acompanhava um cuidador na busca por comida para os porcos.
Sem saber ler, levou o livro para casa e pediu ajuda à mãe, que também era analfabeta. A resposta que ouviu virou ponto de virada.
“Eu ouvi dizer que quem entende das palavras são os advogados.”
A frase definiu o rumo da vida. Ainda criança, decidiu que seria advogada. Na adolescência, passou a estudar palavras e sinônimos, criando uma relação intensa com a linguagem. Anos depois, já adulta, participou de uma homenagem a Carolina Maria de Jesus no bloco Ilu Oba De Min e conectou as pontas daquela história iniciada na infância.
O episódio evidencia como a trajetória de Eliane mistura experiência pessoal, consciência racial e atuação estratégica no mercado musical. À frente da Boogie Naipe, empresa que gerencia os Racionais MC’s, ela ajudou a consolidar o grupo como patrimônio cultural brasileiro, com decisões que atravessam música, posicionamento e negócios.
Gestão, maternidade e a construção de uma carreira sólida
Ao falar sobre os Racionais MC’s, Eliane deixa claro que sua atuação como gestora nunca esteve dissociada da própria vivência como mãe. Criou dois filhos com o dinheiro da música, organizou a rotina familiar em meio a turnês e negociações e construiu um modelo de trabalho que prioriza autonomia e planejamento de longo prazo.
Essa experiência pessoal atravessa a forma como ela enxerga carreira artística. Para Eliane, gerir um grupo como os Racionais envolve proteger legado, estruturar contratos e pensar sustentabilidade. Não se trata apenas de fechar acordos, mas de garantir que as decisões de hoje preservem o patrimônio cultural e financeiro do amanhã.
O projeto de Monique Dardenne e o espaço para histórias que não tocam no rádio
Com “Música que Não Toca Por Aí”, Monique Dardenne propõe um recorte diferente dentro do audiovisual musical. Em vez de focar no hit do momento, o programa aposta nas músicas que marcaram trajetórias pessoais e ajudam a entender escolhas, valores e visões de mundo.
Ao receber Eliane Dias no quarto episódio, Monique reforça a proposta do projeto: abrir espaço para conversas profundas, onde memória, mercado e identidade caminham juntos. A música deixa de ser trilha sonora e passa a ser ponto de partida para narrativas que ajudam a compreender quem movimenta a indústria por trás dos palcos.
O quarto episódio de “Música que Não Toca Por Aí” com Eliane Dias já está disponível no canal oficial do projeto no YouTube.
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