O Fórum de Editoras Musicais Independentes (IMPF, na sigla em inglês) publicou seu relatório mais recente, com dados referentes ao desempenho do setor em 2023. Segundo o levantamento, as editoras independentes arrecadaram R$ 16,42 bilhões (€ 2,57 bilhões) no período, um crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior. No entanto, a participação de mercado do segmento caiu de 26,7% para 26,3%.
Os dados fazem parte do relatório “IMPF Global Market View: Independent Music Publishing – April 2025”, que analisa o cenário global da edição musical independente com base em diferentes fontes, como o relatório da CISAC (Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores), além de estudos da consultoria Omdia e do economista Will Page. O foco é compreender a posição das editoras que não fazem parte dos grandes conglomerados da indústria.
Mercado concentrado e editoras independentes em desvantagem
O IMPF define como independente toda editora que detém menos de 5% de participação de mercado. Essa definição exclui os três principais grupos do setor — Sony Music Publishing, Universal Music Publishing e Warner Chappell — que juntos respondem por 60,6% do mercado. Também ficam de fora BMG e Kobalt, que somam 13,1%.
Ainda assim, o relatório ressalta que a soma das editoras independentes ultrapassa a fatia de mercado da maior empresa individual do setor, a Sony Music Publishing. A presidente do IMPF, Annette Barrett, reforçou esse ponto ao comentar os dados:
“Nosso relatório revela o crescimento contínuo do valor da edição musical independente em escala global, e mostra que nossa participação de mercado combinada segue superior à da maior corporação do setor”.
Para Barrett, os números também evidenciam o papel das editoras independentes na indústria musical.
“Isso demonstra a influência duradoura e a importância dos editores independentes, de seus compositores e de seus catálogos em todo o mundo, e o valor que entregam tanto no nível local quanto internacional”, afirmou.
Receitas diretas e coletivas impulsionam o setor

O relatório estima que, em 2023, o total arrecadado por editoras e compositores chegou a R$ 100,96 bilhões (€ 15,8 bilhões). Desse montante, R$ 76,09 bilhões (€ 11,91 bilhões) vieram por meio das sociedades de gestão coletiva, enquanto R$ 24,79 bilhões (€ 3,88 bilhões) foram obtidos via acordos diretos — como licenciamento de sincronização, venda de partituras e repasses de plataformas digitais.
Esses dados explicam por que o IMPF trabalha com uma defasagem de um ano na divulgação de seu relatório. Como grande parte das receitas passam pelas sociedades de arrecadação, o ciclo completo de contabilização e divulgação dos números leva mais tempo do que em outros segmentos da indústria musical.
Além das receitas coletivas, o relatório destaca a importância crescente das fontes diretas, especialmente no caso de repertórios anglo-americanos, onde os acordos individuais com plataformas de streaming têm peso considerável. Esse tipo de receita vem se tornando mais relevante à medida que editoras independentes buscam alternativas às grandes sociedades de gestão.
Consolidação de mercado preocupa o setor independente
Um dos principais alertas do IMPF no relatório é sobre o avanço da concentração de mercado no setor editorial. A entidade afirma que catálogos anteriormente geridos por editoras independentes estão sendo adquiridos por grandes players, o que reduz a diversidade da cadeia produtiva musical.
A venda do grupo Downtown para a Universal Music, por exemplo, é citada como parte desse movimento. Embora a negociação tenha atraído atenção principalmente pelo impacto no setor fonográfico, a Downtown também possui uma operação na administração de direitos autorais, incluindo o serviço Songtrust.
No momento do anúncio da aquisição, o IMPF publicou um comunicado alertando para os riscos desse tipo de concentração:
“Embora a edição musical independente continue crescendo em valor internacionalmente, se essa venda for concretizada, significará mais concentração de mercado. Isso prejudicará a diversidade do ecossistema da indústria musical, reduzirá a concorrência e, em última instância, limitará as opções disponíveis para compositores e editores”.
Crescimento com desafios estruturais pela frente
Apesar do aumento de receita em 2023, o relatório aponta que o setor de editoras independentes ainda enfrenta desafios importantes. A perda de participação de mercado em meio à expansão do segmento reforça o impacto da consolidação.
Além disso, há entraves como a falta de transparência na distribuição de royalties e a complexidade do licenciamento global, especialmente em ambientes digitais. Para completar, o Fórum aponta os desafios provenientes da popularização da inteligência artificial generativa para os compositores em escala global.
O IMPF destaca a importância de políticas públicas e iniciativas de colaboração entre as editoras independentes para garantir um ambiente mais equilibrado. A entidade também aponta o uso de novas tecnologias, como blockchain, como uma possível ferramenta para aprimorar o rastreamento de direitos e a distribuição de receitas.
O documento reforça a atuação do IMPF como representante internacional das editoras independentes, com foco em promover práticas mais justas e sustentáveis no mercado global. Embora o cenário aponte para um ambiente cada vez mais concentrado, o crescimento em receita mostra que ainda há espaço para atuação relevante das independentes.
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