Grammy 2026 consagra Bad Bunny, Kendrick Lamar e vitória histórica de Caetano e Bethânia
O Grammy deste ano premiou Bad Bunny com feitos inéditos, confirmou Kendrick Lamar como maior vencedor da noite e levou Caetano e Bethânia ao topo da música global.
Por Nathália Pandeló···5 min de leitura·
O Grammy 2026 aconteceu no último domingo (1º), com sua 68ª edição na Crypto.com Arena, em Los Angeles. A cerimônia reuniu números históricos, vitórias simbólicas e alguns recados claros sobre os rumos da indústria global da música.
O Grammy 2026 ficou marcado por três movimentos centrais. O primeiro foi o impacto de Bad Bunny, que venceu Álbum do Ano com “DeBÍ TiRAR MáS FOTos” e entrou para a história como o primeiro artista a conquistar a principal categoria com um disco totalmente em espanhol. O segundo foi a consolidação de Kendrick Lamar como uma das maiores figuras da premiação. O terceiro veio do Brasil, com Caetano Veloso e Maria Bethânia vencendo Melhor Álbum de Música Global.
Além desses destaques, a edição também apresentou nomes que reforçam uma renovação em andamento, como Olivia Dean, eleita Artista Revelação, e manteve padrões já vistos em outras premiações recentes, como a continuidade do sucesso latino após o Latin Grammy, caso de Ca7riel e Paco Amoroso.
Bad Bunny e a força definitiva do espanhol no Grammy
A vitória de Bad Bunny em Álbum do Ano vai além de um troféu. Pela primeira vez, o Grammy reconhece um álbum integralmente em espanhol como o melhor lançamento do ano, quebrando uma barreira histórica da premiação e sinalizando uma mudança concreta no olhar da indústria norte-americana.
“DeBÍ TiRAR MáS FOTos” já havia chegado à cerimônia como um dos discos mais comentados do período, impulsionado por um desempenho comercial sólido, forte presença em plataformas de streaming e um alcance que extrapola o mercado latino. O prêmio consolida Bad Bunny como um artista que deixou de ocupar um espaço de nicho para se tornar central na música pop global.
O álbum também venceu Melhor Álbum de Música Urbana, um reforço para a posição do artista como um dos principais nomes da década dentro do Grammy. O momento não poderia ser mais oportuno: no próximo domingo (08), Bad Bunny será atração do show de intervalo do Super Bowl.
Kendrick Lamar quebra recordes e domina as categorias centrais
Se Bad Bunny fez história pelo idioma, Kendrick Lamar reafirmou seu peso pelo acúmulo de vitórias. Com cinco prêmios na noite, o rapper chegou a 26 gramofones ao longo da carreira e se tornou o artista de rap mais premiado da história do Grammy, superando Jay-Z.
Kendrick venceu categorias de alto prestígio, como Gravação do Ano com “Luther”, ao lado de SZA, e Melhor Álbum de Rap com “GNX”. Também levou Melhor Canção de Rap com “TV Off”, em parceria com Lefty Gunplay.
O resultado confirma uma trajetória consistente dentro da premiação, marcada por reconhecimento crítico e relevância cultural. Diferente de vitórias pontuais, o desempenho de Kendrick em 2026 reforça um histórico contínuo de prestígio no Grammy.
Caetano e Bethânia levam o Brasil ao topo da música global
O Brasil teve um dos momentos mais celebrados pela comunidade musical do país com a vitória de Caetano Veloso e Maria Bethânia em Melhor Álbum de Música Global, com “Caetano e Bethânia Ao Vivo”. A categoria, que costuma reunir artistas de diferentes continentes, ganhou peso simbólico ao consagrar um registro ao vivo de dois nomes centrais da música brasileira.
O prêmio, que infelizmente é entregue fora da transmissão oficial, reforça a presença do Brasil em espaços de destaque do Grammy e dialoga diretamente com o reconhecimento já visto no Latin Grammy. Ao mesmo tempo, chama atenção para a força de catálogos consolidados em um contexto de competição global cada vez mais ampla.
Olivia Dean e novos nomes no radar do Grammy
Entre os nomes que despontam, Olivia Dean venceu Artista Revelação, superando candidatos com forte presença digital e comercial. A escolha sinaliza uma aposta em carreiras em desenvolvimento, algo que o Grammy tem buscado equilibrar nos últimos anos.
A lista de indicados à categoria também reflete a diversidade estética e de trajetórias que a premiação tenta contemplar, indo além de números de streaming e alcance imediato. Ela concorria com Katseye, The Marías, Addison Rae, sombr, Leon Thomas, Alex Warren e Lola Young.
Outros destaques da noite
A edição também confirmou a continuidade de movimentos já observados no Latin Grammy. O duo argentino Ca7riel e Paco Amoroso voltou a aparecer entre os vencedores, desta vez na categoria de Melhor Álbum de Rock Latino ou Alternativo.
Outros prêmios chamaram atenção, como a vitória de Lady Gaga em Melhor Álbum Vocal de Pop com “Mayhem” e o reconhecimento de trilhas sonoras em categorias ligadas a audiovisual. Foi assim que Steven Spielberg se tornou EGOT – sigla para Emmy, Grammy, Oscar e Tony, os maiores prêmios da música, cinema, TV e teatro. O cineasta foi reconhecido pelo documentário A Música de John Williams, que homenageia o lendário compositor.
O Grammy 2026 deixa claro que a premiação atravessa um momento de transição. Idiomas, gêneros e mercados que antes orbitavam as margens agora ocupam o centro do palco, redefinindo o que significa vencer o gramofone de ouro.
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