Já faz tempo que as fotos de divulgação deixaram de ser um detalhe estético na carreira de artistas, bandas e profissionais da música. Elas funcionam como material de trabalho para imprensa, festivais, contratantes, plataformas, gravadoras, selos, conferências e redes sociais.
Na prática, a imagem precisa cumprir duas funções ao mesmo tempo. A primeira é comunicar identidade, mostrando algo sobre a personalidade, o momento e o posicionamento de quem aparece nela. A segunda é resolver uma demanda objetiva: ter qualidade, boa leitura e versatilidade para caber em diferentes formatos, de um post no Instagram a um painel de LED.
No Guia MM, o Mundo da Música ouviu Potyra Lavor, CEO e fundadora da IDW Entretenimento, agência responsável por eventos como AFROPUNK Brasil, Jorja Smith no Brasil, Club Renaissance, com Beyoncé em Salvador, entre vários outros; Carolina Vianna, fotógrafa que já retratou nomes como Anitta, Ludmilla, Pepeu Gomes, Xênia França e Carol Biazini; e Carolina Paranhos, fotógrafa especializada em retratos profissionais.
A foto precisa comunicar antes do play
Para Carolina Vianna, o primeiro passo é entender que a imagem também carrega a mensagem artística. Antes de pensar em cenário, roupa ou pose, o artista precisa ter clareza sobre o que quer transmitir.
“O mais importante aqui é a personalidade da banda. Fazer imagens que casem com a mensagem do artista ou grupo de alguma maneira. Tem que pensar na luz, textura, cores, figurino, maquiagem, ângulos. A imagem é a porta de entrada pro público ouvir seu som, então ele precisa carregar a mensagem da arte, de alguma maneira”, aconselha.
Essa “porta de entrada” aparece em muitos lugares antes da música. O público pode descobrir um artista por uma chamada de festival, uma matéria, um post patrocinado, um banner ou um card de programação. Se a imagem não traduz nada sobre aquele projeto, parte dessa conexão se perde.
“Vivemos num mundo muito visual. Estima-se que até 75% dos usuários do Instagram usem o app no mudo, ou seja, grandes chances do seu próximo fã esbarrar em uma imagem sua antes de te ouvir”, pontua Carolina Vianna.
No caso dos artistas, já existe uma compreensão maior de que as fotos fazem parte do material básico de divulgação, ainda que nem sempre elas sejam ideais para todos os usos. Mas o desafio se torna mais evidente entre profissionais que circulam nos bastidores da indústria.
A&Rs, CEOs, label managers, empresários artísticos, diretores de marketing, heads de plataformas, produtores musicais, produtores de eventos, curadores, bookers, publishers e profissionais de comunicação também deveriam ter fotos atualizadas, em boa qualidade e alinhadas ao mercado em que atuam. Esses retratos podem ser usados em conferências, painéis, rodadas de negócios, releases, entrevistas, sites institucionais, apresentações comerciais, LinkedIn, Instagram, newsletters e programas de eventos, evitando que a imagem profissional dependa de selfies, fotos cortadas ou registros antigos.
“Uma boa fotografia de divulgação vai muito além de uma imagem bonita. Ela precisa comunicar quem é aquele profissional, qual é a sua atuação no mercado e que tipo de imagem ele deseja construir dentro da indústria”, ensina Carolina Paranhos.
No caso da música, isso não exige uma foto corporativa rígida ou distante do ambiente criativo. A imagem pode trazer elementos urbanos, editoriais, culturais ou mais descontraídos, desde que faça sentido para a trajetória da pessoa e para os espaços em que ela aparece publicamente.
Qualidade técnica evita problemas na divulgação

Se a identidade importa, a qualidade técnica também pesa. Para Potyra Lavor, um dos problemas mais comuns está em receber imagens que até fazem sentido para um álbum ou momento específico, mas não funcionam para a divulgação de um festival:
“A foto é super importante, porque é a divulgação do festival, a divulgação da apresentação daquele artista. Em muitos casos, por incrível que pareça, a gente recebe fotos com baixa qualidade ou fotos que têm uma visão muito artística, que servem para divulgar aquele álbum especificamente, ou um momento do artista, mas que não servem para divulgar festival”, exemplifica ela.
A diferença está no uso. Uma foto de campanha pode ter conceito, sombra, recorte fechado ou rosto parcialmente escondido. Já uma foto de divulgação precisa ajudar o público a reconhecer rapidamente quem está no line-up, na entrevista, no anúncio ou no cartaz.
“Isso é super importante porque a gente trabalha com várias mídias. A gente trabalha com mídia digital, trabalha com out of home. Tem hora que a foto vai estar em uma proporção menor, tem hora que pode estar em um outdoor. Então ela precisa funcionar em todos esses usos”, complementa Potyra.
Carolina Vianna aponta a mesma demanda a partir da rotina de imprensa e contratantes. Fotos em alta, bem iluminadas e com rosto visível facilitam recortes, adaptações e publicações em diferentes mídias.
“Pra imprensa e divulgação dos shows, os veículos e contratantes pedem sempre uma foto que mostre o rosto do artista ou banda. Além disso, é importante entregar arquivos em alta qualidade, bem iluminados, que permitam usos variados do material”, recomenda.
Planejamento vale para artistas e executivos
A construção de boas fotos começa antes do clique. Para artistas e bandas, o ideal é pesquisar referências, discutir conceito, pensar figurino, maquiagem, locação, luz e formatos de entrega. Esse cuidado evita que o material fique bonito no ensaio, mas limitado para divulgação. Quando questionada quais são os erros mais comuns que artistas cometem ao desenvolver suas imagens de divulgação, Carolina Vianna é categórica:
“Pressa e preguiça. Pesquise imagens, reflita sobre sua personalidade e como isso se traduziria numa foto. Busque muitas referências e não tenha vergonha de conversar com diversos profissionais até encontrar a pessoa que vai fazer o que vai casar com a sua banda”, resume.
A fotógrafa também recomenda alinhar detalhes práticos com antecedência, como quantidade de fotos, tratamento, prazo de entrega e responsabilidades no dia do ensaio.
“A sinergia entre banda e fotógrafo faz metade do trabalho na hora de obtermos uma boa imagem. Planeje tudo com tempo e calma. Onde essas fotos vão ser feitas, que material vai ser necessário, quem vai levar o que no dia, assim como perguntar ao fotógrafo quantas fotos do ensaio ele entrega, se são tratadas e em quanto tempo ele entrega”, ela lista.
Para profissionais da indústria, o raciocínio é parecido. A roupa, a expressão, o local e a luz ajudam a construir uma percepção pública. Segundo Carolina Paranhos, um executivo de gravadora, uma profissional de plataforma, uma empresária artística ou alguém de um selo independente podem ter retratos bem diferentes entre si, porque cada atuação tem seus próprios códigos.
“Em um momento em que imagens geradas por inteligência artificial se tornam mais comuns, fotografias reais também ganham valor por transmitirem presença, verdade e conexão. Quando luz, expressão, cenário e intenção trabalham juntos, a foto deixa de ser apenas um registro e se transforma em ferramenta de comunicação profissional”, conclui.
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