O Caça Joia Clipes, novo programa apresentado por Chinaina, estreia no Canal Futura e no Globoplay com uma temporada dedicada à música independente brasileira. Ao longo de 13 episódios, exibidos semanalmente, a atração reúne mais de 170 videoclipes de artistas e bandas de diferentes regiões do país.
A exibição acontece às sextas-feiras, às 21h, no Canal Futura, com reprises aos sábados, às 16h30, segundas, às 13h, terças, às 19h30, e na madrugada de quinta, às 2h. Os episódios também ficam disponíveis semanalmente no Globoplay, com acesso gratuito para não assinantes.
Com direção e curadoria de Pamella Gachido, o programa nasce como um desdobramento de “Caça Joia”, formato de entrevistas que já soma cinco temporadas. A nova versão troca a conversa em estúdio pelo videoclipe, apostando no audiovisual como ferramenta para apresentar ao público artistas que nem sempre encontram espaço nas plataformas digitais ou na televisão.
Do Caça Joia aos videoclipes
Com mais de 25 anos de carreira como cantor, produtor musical e apresentador, Chinaina tem uma trajetória ligada à descoberta e à promoção de novos nomes da música brasileira. No “Caça Joia”, ele já recebeu e ajudou a projetar artistas como Mateus Fazeno Rock, Luana Flores, Raidol, Pelados e Kaê Guajajara.
Agora, com o Caça Joia Clipes, o foco passa a ser a produção audiovisual independente. O programa exibe clipes de diferentes estilos, regiões e realidades de produção, criando uma vitrine para trabalhos que muitas vezes circulam com força em cenas locais, mas não chegam ao público nacional.
“A música sempre esteve presente na televisão, mas com o passar dos anos esse espaço foi minguando — e a lógica das big techs acelerou esse processo. Os algoritmos favorecem escala industrial e acabam por ofuscar bons talentos nacionais. Hoje são pouquíssimos espaços para a cena independente divulgar seus trabalhos na TV e mesmo na Internet. O espaço do Canal Futura e do Globoplay, maior plataforma nacional de streaming, gratuito, é essencial”, comemora Chinaina.
A temporada reúne nomes como Camilobers, Sofia Freire, Barbarelli, Andarilho Chá, Asfixia Social e Saga H.C, entre outros. A lista passa por rock, rap, trap, embolada, beats eletrônicos, samba, pagodão, música instrumental, pop, funk e soul, em uma tentativa de mostrar a música brasileira para além das faixas mais populares das plataformas.
Mais de 4 mil clipes passaram pela seleção
A curadoria do Caça Joia Clipes assistiu a mais de 4 mil vídeos enviados antes de fechar a seleção da temporada. Os critérios levaram em conta equidade de gênero, diversidade de ritmos e um recorte que buscasse representar diferentes potências da produção brasileira.
“Vivemos em um mundo em que o mercado digital impôs uma lógica de favorecimento em escala industrial: quem tem mais seguidores, mais streams, mais visibilidade nas plataformas é quem recebe ainda mais espaço. O Caça Joia Clipes vem romper essa câmara de eco. Mapeamos essa realidade e trazemos para a TV e streaming a força do audiovisual independente brasileiro. Mesmo sem grandes orçamentos, esses artistas entregam produções de altíssima qualidade por todo o país”, afirma Pamella Gachido.
A fala da diretora e curadora do programa toca em um ponto chave para o mercado independente: visibilidade ainda depende de portas de entrada. Um artista pode ter clipe, repertório, identidade visual e público em potencial, mas continuar invisível caso não seja impulsionado por playlists, grandes campanhas, parcerias comerciais ou bases já formadas nas redes.
“Assistimos a mais de 4 mil clipes indicados e selecionamos a temporada com muito cuidado. Faz parte da missão do Caça Joia Clipes essa curadoria humana e atenta ao novo — há muito talento no Brasil que precisa ser conhecido e valorizado, independente do número que carrega”, complementa Gachido.
Nesse sentido, o programa também ajuda a mostrar como a produção independente não pode ser medida apenas por orçamento. Muitos artistas trabalham com equipes reduzidas, cenas locais, redes colaborativas e soluções criativas, mas entregam videoclipes com conceito, direção, estética própria e leitura clara de identidade artística.
Curadoria humana em tempos de algoritmo

A chegada do Caça Joia Clipes também coloca a televisão de volta na conversa sobre descoberta musical. Nos últimos anos, boa parte desse processo passou a ser mediada por plataformas digitais, que recomendam músicas a partir de comportamento, volume de consumo e desempenho prévio. Para o público, isso pode parecer apenas praticidade. Para artistas fora do circuito comercial, porém, pode virar uma barreira.
“A gente busca qualidade artística. Os números nas plataformas é o que menos nos importa. Quando um artista com 500 seguidores faz um clipe tão potente quanto qualquer produção de grande label, ele merece estar na TV. Essa é a nossa curadoria”, afirma Chinaina.
Realizado em coprodução do Canal Futura com a Pedra Onze, o programa tenta ocupar uma lacuna entre a produção independente e a circulação em escala nacional. A televisão, nesse caso, funciona como ferramenta de acesso, especialmente quando combinada ao Globoplay gratuito.
“São músicas muito diferentes entre si, nascidas de olhares muito diversos. É arte pela arte, produzida com paixão e criatividade pura. A vanguarda da cultura brasileira não está no topo das plataformas — ela está nessa música independente que pulsa por todo o país. Esses clipes precisam estar nas telinhas e esses artistas nos palcos. O Caça Joia Clipes é exatamente isso: uma plataforma consistente para projetar quem tem potencial e merece ser visto”, reafirma Chinaina.
Ao levar mais de 170 artistas independentes para uma grade semanal, o Caça Joia Clipes tenta criar uma ponte entre cenas que já existem e públicos que ainda não foram apresentados a elas. Em um mercado em que descoberta virou disputa por atenção, a curadoria volta a aparecer como ativo cultural e também como estratégia de circulação.
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