BMG e Concord fecham acordo para criar gigante independente com meta de US$ 1,2 bilhão

BMG dará nome ao grupo combinado, que terá Concord Records e sede global em Nashville.
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Nathália Pandeló
BMG e Concord
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BMG e Concord anunciaram um acordo definitivo para combinar seus negócios e formar uma nova companhia global de música independente. A operação reúne duas empresas com atuação em edição musical, música gravada, direitos teatrais e distribuição digital, em um momento em que escala, catálogo e tecnologia passaram a ter um peso cada vez maior na competição pelo mercado musical.

A companhia combinada vai operar sob o nome BMG. A sede global ficará em Nashville, nos Estados Unidos, enquanto Berlim será a sede europeia. A divisão de publishing será chamada BMG Publishing, e a área de música gravada passará a se chamar Concord Records.

A liderança também já foi definida. Bob Valentine, atual CEO da Concord, será o CEO da nova empresa. Thomas Coesfeld, CEO da BMG, assumirá como chairman. Coesfeld também já tinha sido anunciado como futuro CEO da Bertelsmann, cargo que passa a ocupar em 1º de janeiro de 2027.

A estrutura do acordo entre BMG e Concord

A operação coloca a Bertelsmann, dona da BMG, como acionista majoritária da companhia combinada, com cerca de 67% de participação. Afiliadas da Great Mountain Partners, ligada à Concord, ficarão com aproximadamente 33% do negócio e receberão um pagamento único de US$ 1,16 bilhão.

O fechamento ainda depende de aprovações regulatórias e de outras condições habituais nesse tipo de transação. A previsão das empresas é concluir o processo no segundo semestre de 2026. Até lá, BMG e Concord seguem operando separadamente, enquanto avançam nas etapas formais para a união dos negócios.

Segundo o anúncio, a nova companhia nasce com uma base pro forma de mais de US$ 730 milhões em EBITDA em 2026. EBITDA é a sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, um indicador usado para medir a geração de caixa operacional de uma empresa. A meta de médio prazo é chegar a US$ 1,2 bilhão em EBITDA, combinando crescimento orgânico, aquisições e sinergias.

A lógica da fusão é somar repertórios, equipes, presença global e capacidade de investimento. No comunicado, as empresas afirmam que a escala deve permitir mais aportes em criatividade, tecnologia, aquisição de direitos e talentos, mantendo o discurso de atuação independente e voltada a artistas, compositores e parceiros.

Catálogos reúnem nomes como Tina Turner, Paul Simon, Daddy Yankee e Hamilton

Imagem do interior moderno de um escritório da BMG, com iluminação elegante, mesas de madeira e uma parede vermelha exibindo o logotipo da BMG. Espaço amplo e iluminado, ideal para colaborações e reuniões.
Escritório da BMG em Los Angeles

A união reúne catálogos com nomes de diferentes gerações, países e áreas do entretenimento. Entre os artistas, compositores e obras citados pelas empresas estão Jelly Roll, Paul Simon, Lainey Wilson, will.i.am, Jason Aldean, Tina Turner, Diane Warren, Jean-Michel Jarre, Creedence Clearwater Revival, Daddy Yankee, Denzel Curry, Phil Collins, R.E.M., “Hamilton” e “The Sound of Music”.

Esse conjunto mostra que a operação não se limita ao streaming ou à música gravada. O grupo combinado passa a reunir ativos que podem gerar receita em diferentes frentes, como execução pública, sincronização, licenciamento, plataformas digitais, gravações, composições e direitos teatrais. Para o mercado, isso cria uma estrutura com mais canais de monetização em torno de obras e catálogos.

Thomas Coesfeld, CEO da BMG e futuro chairman da companhia combinada, relacionou a transação à necessidade de escala na propriedade de direitos.

“Acreditamos que esta é uma oportunidade realmente única de reunir duas equipes e dois elencos de classe mundial no momento certo, já que a escala na propriedade de direitos se torna cada vez mais crítica para o crescimento de longo prazo”, disse Thomas Coesfeld.

Desde 2021, a BMG afirma ter investido mais de US$ 1,5 bilhão em aquisições de direitos musicais e valor equivalente em contratações, licenças e tecnologia, dentro do programa Boost. Já a Concord informa ter investido mais de US$ 3 bilhões desde 2020 em publishing, música gravada, direitos teatrais e distribuição, além de apoiar mais de 125 mil artistas e compositores no mundo.

Nova empresa quer unir escala e modelo independente

O comunicado das empresas apresenta a fusão como uma forma de criar uma operação global com mais capacidade de investimento, sem adotar o modelo tradicional das majors. A mensagem é que o novo grupo quer competir em tamanho, tecnologia e catálogo, mas mantendo a proposta de flexibilidade associada às empresas independentes.

Bob Valentine, CEO da Concord e futuro CEO da companhia combinada, afirmou que a operação busca fortalecer a independência a partir da escala.

“Isto não é sobre replicar o modelo das majors; é sobre usar escala para fortalecer a independência. Juntos, construiremos uma empresa que dá aos artistas mais alcance e mais flexibilidade, tudo desenhado para apoiar suas visões distintas”, disse Bob Valentine.

A nova BMG também surge em um ambiente de transformação no mercado global. O consumo musical segue fragmentado entre plataformas, formatos e territórios, enquanto empresas de direitos precisam investir em dados, tecnologia, inteligência artificial, licenciamento e novas formas de monetização. Nesse contexto, a fusão cria uma estrutura maior para atuar em mercados maduros e em regiões de crescimento acelerado.

O anúncio também aponta que a companhia combinada terá uma equipe de gestão formada por executivos das duas empresas. A definição desse time será uma das etapas centrais até o fechamento da transação, já que a operação envolve escritórios, catálogos, divisões de negócios e culturas corporativas diferentes.

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