Blackpink tem o primeiro canal musical a atingir 100 milhões de inscritos no YouTube e abre caminho para novo álbum

O grupo Blackpink atinge marca histórica no YouTube e reforça o momento mais internacional do K-pop fora da Ásia.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Blackpink em sua nova fase
Blackpink em sua nova fase (Crédito: Divulgação)

O Blackpink acaba de bater 100 milhões de inscritos no YouTube e se tornou o primeiro artista da história a atingir nove dígitos na plataforma. O número, por si só, já impressiona. Mas ele diz mais sobre o momento da indústria do que apenas sobre o tamanho do grupo.

Segundo dados divulgados pelo próprio YouTube, o canal oficial do quarteto somou 3,3 bilhões de visualizações nos últimos 12 meses. A Coreia do Sul segue como principal mercado, com 277 milhões de views no período, mas a lista de países mostra a dimensão global do fenômeno: Índia, Indonésia, México, Estados Unidos e Brasil aparecem entre os maiores consumidores.

O marco acontece às vésperas do lançamento de um novo mini-álbum, encerrando um hiato coletivo enquanto as integrantes investiam em suas carreiras solo. O timing ajuda a explicar por que o recorde veio agora.

O K-pop saiu da bolha de vez

Guerreiras do K-Pop, da Netflix
Guerreiras do K-Pop, da Netflix (Crédito: Divulgação)

O K-pop já vinha expandindo seu alcance há alguns anos, mas 2025 consolidou uma virada. O gênero deixou de ser visto apenas como um nicho de fãs altamente engajados e passou a ocupar espaço nas paradas globais, festivais internacionais e rankings de consumo. Além de hits musicais, o ano teve o fenômeno “Guerreiras do K-Pop”, que quebrou recordes na Netflix.

A Federação Internacional da Indústria Fonográfica, a IFPI, vem mostrando isso nos seus relatórios anuais. Artistas coreanos têm presença constante nos rankings de álbuns mais vendidos do mundo, algo impensável há uma década. O consumo não está mais restrito à Ásia ou a comunidades específicas online. Ele virou mainstream. 

Nesse cenário, o YouTube funciona como vitrine e motor ao mesmo tempo. Diferentemente do streaming tradicional, a plataforma mistura música, performance, bastidores e cultura visual. O K-pop, que sempre apostou em estética, coreografia e narrativa audiovisual, encontra ali um ambiente perfeito para escalar sua audiência global.

O retorno estratégico após o auge solo

'APT.', de Rosé e Bruno Mars, é a música mais vendida globalmente em 2025, aponta IFPI
‘APT.’, de Rosé e Bruno Mars, é a música mais vendida globalmente em 2025, aponta IFPI. Foto: Divulgação

Outro fator decisivo é o momento individual das integrantes do Blackpink. Durante o período em que o grupo esteve menos ativo, Rosé, Jennie e Lisa fortaleceram suas marcas pessoais de maneira consistente.

Rosé teve um dos maiores hits globais de 2025. A faixa “APT.” foi apontada pela IFPI como a música mais consumida do ano no mundo. Jennie e Lisa também alcançaram posições de destaque nas paradas internacionais, levando sua presença para fora do circuito tradicional do K-pop. Prova disso é a participação de Lisa na série “The White Lotus”, presença garantida nas premiações da televisão americana.

Esse movimento criou um efeito interessante: cada integrante passou a dialogar com públicos diferentes. Quando o grupo volta, essas audiências se somam. Não é apenas a base histórica do Blackpink que reage. São também fãs conquistados pelas carreiras individuais.

O resultado é um pico de atenção concentrado. O anúncio do novo mini-álbum acontece justamente quando o interesse está renovado, tanto pelo grupo quanto pelas artistas separadamente.

Blackpink: O crossover como estratégia permanente

Blackpink
Blackpink

Desde o início, o Blackpink apostou em colaborações fora do eixo coreano. Parcerias com Dua Lipa, Lady Gaga, Selena Gomez, Cardi B e David Guetta ajudaram o grupo a circular em playlists e rádios que tradicionalmente não priorizavam K-pop.

Esses encontros não foram pontuais. Eles ajudaram a posicionar o Blackpink como um projeto híbrido, que transita entre pop global, hip hop e música eletrônica. Isso facilita a entrada em mercados diversos e reduz a barreira linguística.

Ao mesmo tempo, a estratégia visual do grupo sempre privilegiou lançamentos com forte impacto audiovisual. No YouTube, cada clipe vira um evento. A estreia gera milhões de views em poucas horas, alimentando o algoritmo e impulsionando recomendações para novos públicos.

Quando o YouTube informa que o grupo é atualmente o 16º maior canal da plataforma, atrás apenas de gigantes como MrBeast, T-Series e Zee Music, o dado ajuda a contextualizar a dimensão do feito. Não é apenas um recorde entre artistas. É um posicionamento entre os maiores criadores de conteúdo do planeta.

Por que agora?

YouTube
Crédito: Freepik

O recorde de 100 milhões não surge isolado. Ele é resultado de três movimentos que convergiram no mesmo ponto.

Primeiro, o K-pop atingiu um nível de normalização global. Segundo, as integrantes expandiram sua relevância individual e trouxeram novos públicos para o ecossistema do grupo. Terceiro, o retorno coletivo foi planejado em um momento de alta expectativa, potencializando tráfego e inscrições.

O Brasil, inclusive, aparece entre os cinco maiores mercados de visualizações no último ano, com 168 milhões de views. Isso mostra que o fenômeno não está restrito a um território específico. Ele se espalha de forma consistente.

Se o YouTube virou a grande praça pública da música digital, o Blackpink soube ocupar esse espaço com constância, estratégia e leitura de mercado. Os 100 milhões não são apenas um número redondo. São um indicador claro de como o pop asiático passou a competir em pé de igualdade com qualquer indústria ocidental.

Leia mais: