Só 6,7% aceitam conteúdo feito integralmente por inteligência artificial, aponta relatório da Uppbeat

Pesquisa com 1.792 criadores mostra que a inteligência artificial é bem aceita em tarefas técnicas, mas enfrenta resistência como única autora.
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Nathália Pandeló
Uppbeat Creator Report
Uppbeat Creator Report (Crédito: Reprodução)

A inteligência artificial já faz parte da rotina de muitos criadores, mas existe uma diferença entre usá-la como ferramenta e entregar a ela o trabalho criativo inteiro. É o que mostra o “Uppbeat Creator Report 2026”, pesquisa realizada pela Uppbeat com 1.792 criadores e profissionais criativos entre fevereiro e março deste ano. 

A Uppbeat é uma plataforma de ativos criativos para produtores de conteúdo, com biblioteca de músicas, efeitos sonoros, vídeos e outros recursos para uso em projetos digitais. O estudo ouviu YouTubers, cineastas, podcasters, animadores, freelancers, equipes de marcas e criadores amadores, com idades de 16 a mais de 56 anos. A pesquisa não separa músicos como uma categoria própria da amostra, embora trate diretamente de usos de IA para músicas, sons e outros ativos criativos.

Os dados apontam que 59,4% consideram aceitável o uso de IA para assistência técnica, como remoção de ruído, legendas e ajustes. Outros 56,5% aceitam a tecnologia para geração de ideias e pesquisa. A aprovação cai para 20,2% quando a IA é usada para gerar músicas, sons ou outros ativos criativos e chega a apenas 6,7% no caso de conteúdos inteiramente produzidos pela tecnologia.

Além dos questionários, a Uppbeat realizou 13 entrevistas e analisou 2.643 respostas abertas. O recorte ajuda a entender uma tensão que atravessa diferentes áreas da criação digital e também chega à música.

Criadores estão divididos sobre o futuro com a IA

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Quando perguntados sobre como a tecnologia mudou sua percepção do futuro criativo, 37% disseram se sentir mais positivos e 35,5% mais negativos. Outros ficaram entre sentimentos mistos, incerteza ou nenhuma mudança. Ao mesmo tempo, 46% afirmaram temer que a IA afete a originalidade ou o valor criativo do trabalho.

A faixa de 25 a 33 anos aparece como a mais pessimista: 42,9% dizem se sentir mais negativos sobre o futuro desde a popularização da IA. Entre os criadores de 56 anos ou mais, o índice cai para 18,8%. O relatório relaciona essa diferença à pressão sobre profissionais que buscam viver da criação, mas ainda não construíram uma posição estável no mercado.

Um dos pontos do estudo é que a segurança não depende apenas da idade ou da familiaridade com novas ferramentas. A Uppbeat relaciona maior confiança a uma identidade criativa mais definida, ou seja, saber o que se produz, para quem e por quê.

Conteúdo feito por humanos ganha peso frente à inteligência artificial

Como os criadores veem o uso de inteligência artificial
Como os criadores veem o uso de inteligência artificial (Crédito: Reprodução)

O levantamento também identifica resistência ao uso intensivo de IA no trabalho de outras pessoas. Entre os criadores de 16 a 24 anos, 59,2% têm uma percepção negativa desse tipo de produção, o maior índice entre as faixas etárias. No total, há cerca de três vezes mais criadores negativos do que positivos diante do uso pesado da tecnologia por terceiros.

Esse comportamento chega ao mercado de bibliotecas de música, vídeo e outros ativos usados por criadores. Segundo a pesquisa, 38,9% passaram a valorizar mais bibliotecas compostas por trabalhos humanos depois que a inteligência artificial se tornou mais difundida. Para plataformas que trabalham com música, vídeos e outros ativos criativos, o dado sugere que a origem humana do conteúdo pode virar um elemento de escolha, e não meramente uma informação técnica.

A própria Uppbeat afirma que todos os ativos de sua biblioteca são produzidos por artistas humanos. No mercado de música para criadores, esse posicionamento acrescenta uma nova camada à disputa por licenciamento: além de preço, facilidade de uso e adequação ao projeto, a identificação de autoria humana pode pesar na decisão de quem procura trilhas e sons.

Eficiência interessa, mas não substitui o processo criativo

Quando a pesquisa pergunta que tipo de apoio os criadores mais querem, 46% escolhem a garantia de que a criatividade humana continuará importando. Ferramentas para trabalhar com mais eficiência aparecem com 38%, mesmo percentual de quem pede mais transparência das plataformas sobre como estão respondendo à inteligência artificial.

Nas respostas abertas, autenticidade e humanidade aparecem em 28% dos temas codificados. Riscos à originalidade e à propriedade criativa somam 22%, a satisfação com o processo de criação aparece em 18% e transparência ou identificação do uso de IA, em 14%. Eficiência aparece em apenas 4%.

O retrato do “Uppbeat Creator Report” não aponta uma rejeição generalizada à inteligência artificial. Os números mostram preferência por usos que retiram tarefas mecânicas do caminho sem ocupar o lugar da decisão artística. Para o mercado de música e outras áreas criativas, o relatório aponta uma separação que tende a ganhar peso: a IA é mais aceita como ferramenta de apoio do que como substituta da autoria.

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