A procura por ingressos de música eletrônica cresceu 23,7% em 2025 na Bandsintown, plataforma de descoberta de shows e acompanhamento de artistas. O dado considera os cliques de usuários para comprar entradas de eventos do gênero e mostra um avanço superior ao registrado por hip-hop, R&B, pop, rock, música latina e country.
As informações foram divulgadas pelo Hypebot, publicação da mesma empresa da Bandsintown, e repercutidas pelo Music Ally. No mesmo período, o total de seguidores de artistas de dance music dentro da plataforma passou de 1,45 bilhão para 1,51 bilhão, com 60,8 milhões de novas conexões. Isso representa uma alta de 4,1%.
A distância entre os dois percentuais ajuda a dimensionar o comportamento do público. A base de seguidores continua crescendo, mas a intenção de comprar ingressos avançou em ritmo quase seis vezes maior. Embora um clique não represente necessariamente uma venda concluída, o indicador mostra que uma parcela maior dos fãs está saindo da descoberta de artistas para buscar eventos presenciais.
Procura antecipada muda a leitura sobre o público da eletrônica

Segundo o Hypebot, outro ponto observado pela Bandsintown é a antecipação da procura. Isso porque os fãs de música eletrônica estão buscando ingressos meses antes dos eventos, comportamento diferente de uma lógica historicamente mais ligada à compra próxima à data ou na porta de clubes e festas.
Para produtores, festivais e casas de shows, essa antecedência permite enxergar melhor a demanda antes do evento. Isso pode ajudar em decisões sobre tamanho de espaços, programação e investimento em divulgação. A Bandsintown reúne mais de 100 milhões de fãs cadastrados e cerca de 700 mil artistas, além de distribuir informações sobre shows em plataformas como Spotify, Apple Music, YouTube e Amazon Music.
Entre os artistas de eletrônica que mais cresceram na plataforma aparecem HUGEL, it’s murph, Ian Asher, Kettama, Starjunk 95, Ely Oaks, HOLY PRIEST, Ninajirachi, KI/KI e DJ Habibeats. Já entre os mais seguidos estão nomes estabelecidos como Calvin Harris, Steve Aoki, Tiësto, Disclosure, Martin Garrix, Diplo, DJ Snake, Armin van Buuren, Kygo e Marshmello.
Música eletrônica cresce também em receita, streaming e novos lançamentos
Os números da Bandsintown aparecem em um momento de expansão da música eletrônica. Segundo o International Music Summit (IMS), a indústria global do gênero movimentou US$ 15,1 bilhões em 2025, crescimento de 7% em um ano. O relatório considera diferentes partes da cadeia, como música gravada, edição, festivais, clubes e ferramentas usadas por artistas.
A receita da música eletrônica gravada cresceu 9% em 2025, acima dos 6,4% registrados pelo mercado fonográfico como um todo. O mesmo levantamento do IMS calcula que um fã de eletrônica gasta, em média, US$ 24 por mês com eventos ao vivo, dado que ajuda a contextualizar o salto observado pela Bandsintown.
A tendência aparece ainda no SoundCloud. No “Music Intelligence Report 2026”, a plataforma aponta a eletrônica como seu gênero de crescimento mais rápido nos últimos três anos. Em 2025, o estilo respondeu por uma participação nos streams 6% maior do que em 2022.
A oferta de música também aumentou. Em 2020, aproximadamente uma em cada quatro faixas enviadas ao SoundCloud pertencia à eletrônica. Em 2025, a proporção já superava uma em cada três. Esse conjunto de indicadores mostra uma cena que cresce em diferentes etapas da cadeia: mais música é lançada, o consumo avança e uma parte desse público também procura mais experiências presenciais.
Por isso, os 23,7% registrados pela Bandsintown ajudam a mostrar como o interesse pelo gênero está chegando ao mercado de shows. Os dados ajudam a mostrar que a música eletrônica chega a 2026 com uma base de fãs mais ativa, maior intenção de compra e espaço crescente em diferentes frentes do mercado ao vivo.
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