O vinil voltou a puxar o mercado físico de música no Reino Unido no primeiro semestre de 2026, em um movimento que aproxima o formato do CD também em volume de vendas. Segundo análise da Music Week sobre dados da BPI (British Phonographic Industry), com base na Official Charts Company, os álbuns físicos cresceram 3,7% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a 8,1 milhões de unidades.
O dado chama atenção porque o mercado físico já vinha de uma virada recente. Depois de 19 anos de queda, as vendas de álbuns em formatos físicos cresceram por dois anos seguidos, em 2024 e 2025. Agora, o avanço ganhou ritmo no segundo trimestre de 2026, quando o consumo físico subiu 6,1% em comparação anual. O Reino Unido funciona como um termômetro para esse movimento por ser um dos mercados mais fortes e organizados do vinil no mundo, com varejo especializado, charts consolidados e lançamentos físicos ainda relevantes para artistas globais.
A força do período foi puxada por três fatores principais: mais uma edição bem-sucedida do Record Store Day, lançamentos de grande porte e a continuidade do catálogo, termo usado para discos que não são novidades, mas seguem vendendo ao longo do tempo. E é aí que o vinil aparece como o motor mais forte da retomada.
Vinil cresce em dois dígitos e encosta no CD
No primeiro semestre de 2026, o vinil vendeu 3,79 milhões de unidades no Reino Unido, alta de 16,4% sobre o mesmo período do ano anterior. O desempenho foi ainda mais forte no segundo trimestre, com crescimento de 17,9% e 1,83 milhão de unidades vendidas.
A trajetória coloca o formato a caminho do 19º ano consecutivo de crescimento. Mais do que um dado de nostalgia, esse avanço mostra que o vinil se consolidou como produto de consumo para fãs dispostos a pagar mais por um item físico, colecionável e ligado à experiência visual do álbum.
O CD ainda lidera em unidades, mas a margem ficou estreita. No segundo trimestre, foram 2,05 milhões de CDs vendidos contra 1,83 milhão de vinis. A diferença foi de 213 mil unidades, o equivalente a apenas 5,4% do mercado físico no período.
CD perde ritmo, mas preço ajuda a segurar o formato

Apesar da pressão do vinil, o CD não desapareceu da equação. No primeiro semestre de 2026, o formato vendeu 4,19 milhões de unidades, queda de 5,2% em relação ao ano anterior. Ainda assim, o recuo desacelerou no segundo trimestre, com baixa de 2,7%, depois de uma queda de 7,5% no primeiro trimestre.
Um dos fatores que ajudam a explicar essa resistência é o preço. Segundo a ERA (Entertainment Retailers Association), associação comercial do Reino Unido que representa os varejistas de entretenimento e atua como fonte dos dados de mercado, o custo médio de um LP de vinil é de £29,03 (R$217,72), enquanto o CD tem preço médio de £12,24 (R$91,80). Com alguns discos de vinil passando de £30, o CD segue como uma alternativa mais acessível para quem ainda quer comprar música em formato físico.
A leitura de mercado é que o físico não voltou como produto de massa, como era antes do streaming. Ele voltou como item de relação direta com fãs, especialmente em lançamentos de artistas com comunidades engajadas.
Pop, catálogo e colecionismo sustentam o físico
Entre os maiores lançamentos físicos de 2026 no Reino Unido, Harry Styles lidera com “Kiss All The Time. Disco, Occasionally”, que vendeu 157,1 mil unidades físicas. Olivia Rodrigo aparece em seguida com “You Seem Pretty Sad For A Girl So In Love”, que já soma 66,5 mil unidades físicas no ano, após ultrapassar 100 mil cópias na semana de estreia.
A lista também mostra a presença de BTS, Raye, Robbie Williams, Paul McCartney, Noah Kahan, Gorillaz e Mumford & Sons. Esse recorte é importante porque mistura artistas jovens, nomes de catálogo e lançamentos com forte apelo de fã-clube.
O caso do vinil mostra como a música física ganhou uma função diferente no mercado. Ela não compete diretamente com o streaming no acesso. Compete no valor simbólico, no objeto, na edição especial e na sensação de posse. Para gravadoras e artistas, isso significa uma fonte de receita menor em volume geral, mas com preço médio alto e forte potencial de margem.
As fitas cassete também cresceram 16,2% no segundo trimestre, com 33,4 mil unidades, mas caíram 25,3% no acumulado do ano, para 68,8 mil unidades. O dado indica que o cassete ainda opera como nicho, enquanto o vinil se aproxima de um lugar mais estável dentro da economia física da música.
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