Exclusivo: Warner Music Brasil cria área de Growth & M&A e reorganiza frentes de música urbana e popular

Movimento da Warner aproxima ADA, serviços criativos e novos negócios em uma operação voltada a artistas e parceiros.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Nova organização da Warner Music Brasil
Nova organização da Warner Music Brasil (Crédito: Divulgação)

A Warner Music Brasil anunciou uma nova estrutura organizacional nesta terça-feira (9), com mudanças em áreas de crescimento, distribuição, serviços criativos, A&R e marketing. O movimento reorganiza lideranças internas e cria uma divisão de Growth & M&A, voltada a iniciativas de expansão, inovação, fusões e aquisições.

A mudança acontece em um momento em que as grandes gravadoras precisam operar em mais frentes ao mesmo tempo. Além da relação tradicional com artistas contratados, o mercado exige atenção à distribuição independente, dados, conteúdo, catálogo, otimização de receita, parcerias regionais e gêneros que se movimentam com velocidade nas plataformas e nas redes.

A Warner passa a organizar áreas estratégicas de forma mais integrada. A empresa afirma que o novo modelo busca dar mais agilidade à operação, identificar oportunidades de mercado e oferecer suporte mais especializado ao seu portfólio de artistas e parceiros.

Growth & M&A entra no mapa da Warner Music Brasil

Warner Inspira - Leila Oliveira
Leila Oliveira, presidente da Warner Music Brasil. Foto: Divulgação

Leila Oliveira, presidente da Warner Music Brasil, seguirá à frente da operação no país, com responsabilidade sobre toda a estrutura da companhia. A principal novidade é a nova área de Growth & M&A, que será comandada por João Alquéres, agora Vice-Presidente de Growth & M&A.

A criação da divisão indica que a Warner quer olhar para o crescimento de forma mais transversal. Em vez de tratar oportunidades apenas como ações pontuais de marketing, distribuição ou relacionamento artístico, a companhia passa a centralizar iniciativas ligadas a novos negócios, inovação e possíveis movimentos de mercado.

João também continuará à frente da ADA Brasil, braço de distribuição e serviços para selos e artistas independentes da Warner. Essa combinação é importante porque aproxima a lógica de crescimento da operação independente. Em um mercado no qual artistas e selos muitas vezes chegam ao público antes de assinar com uma grande gravadora, a distribuição se tornou uma das portas mais estratégicas para mapear repertórios, cenas e parceiros.

Karla Ollie, Gerente Sênior de Estratégias e Negócios, que já comandava a operação de marketing da ADA, passa a ter novas atribuições nas atividades de distribuição no dia a dia. A mudança busca dar continuidade à operação enquanto o negócio ganha mais espaço dentro da estrutura da companhia.

Karla Ollie e João Alquéres, ADA
Karla Ollie, Gerente Sênior de Estratégias e Negócios, e João Alquéres, head da ADA Brasil e VP Growth da Warner Music Brasil (Crédito: Divulgação)

Creative Services assume papel mais central na operação

Outra mudança está na área de Creative Services. Thiago Abreu, Diretor de Creative Services, passa a liderar estratégias de DSPs, Conteúdo & Criativo, Promoção e Revenue Optimization. Com isso, a área passa a atuar como um hub de conexão entre frentes que impactam diretamente a performance dos lançamentos.

As DSPs são as plataformas digitais de música, como Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music e YouTube Music. Já Revenue Optimization envolve iniciativas para melhorar a geração de receita a partir do consumo, do catálogo, das campanhas e das oportunidades comerciais em torno dos artistas.

Esse tipo de integração mostra como o trabalho de uma gravadora deixou de ser apenas lançar música. Hoje, a operação passa por leitura de dados, estratégia de conteúdo, negociação com plataformas, promoção, calendário de lançamentos, posicionamento visual e cuidado com diferentes fontes de receita. Quanto mais conectadas essas áreas estão, maior tende a ser a capacidade de responder rapidamente ao comportamento do público.

Música urbana e popular ganham lideranças dedicadas

A Warner Music Brasil também passa a contar com estruturas integradas de A&R e marketing voltadas à música urbana e à música popular. A&R é a área responsável por descobrir, desenvolver e acompanhar artistas e repertórios. Quando essa frente caminha junto com marketing, a tendência é que o desenvolvimento artístico e a comunicação sejam pensados desde o início de cada projeto.

Marcos Kilzer assume como Diretor de Música Urbana, com a missão de impulsionar um dos segmentos mais movimentados da indústria musical brasileira. O urbano reúne cenas como rap, trap, funk e seus cruzamentos, gêneros que têm forte presença nas plataformas, nas redes sociais, nos festivais e na formação de comunidades de fãs.

Julian Lepick chega à empresa como Diretor de Música Popular. Ele traz experiência na interseção entre cultura, tecnologia e negócios. Em sua trajetória, atuou na implementação e expansão dos escritórios regionais da ONErpm em Recife, Fortaleza e Manaus, contribuindo para a descentralização da distribuição digital no Brasil.

A chegada de Julian sinaliza atenção a mercados regionais e a ecossistemas musicais que não dependem apenas dos grandes centros. Esse ponto é cada vez mais relevante em um país onde gêneros populares crescem a partir de cenas locais, festas, circuitos de shows, criadores de conteúdo e consumo orgânico em plataformas digitais.

Segundo Leila Oliveira, a nova estrutura acompanha a evolução do mercado e a necessidade de mais especialização.

“O mercado da música continua evoluindo e exige cada vez mais especialização, agilidade e proximidade com os artistas. Essa evolução da nossa estrutura tem como objetivo promover ainda mais integração entre as equipes. Ao unificar áreas estratégicas e contar com especialistas dedicados à música urbana e à música popular, fortalecemos nossa capacidade de desenvolver carreiras, ampliar oportunidades e gerar novas fontes de receita para artistas e parceiros”, afirma.

A reorganização da Warner Music Brasil aponta para uma disputa cada vez mais voltada à eficiência interna, leitura de mercado e proximidade com cenas em crescimento. Para artistas e parceiros, a mudança pode representar uma operação mais segmentada, com equipes dedicadas a entender as particularidades de cada gênero, cada território e cada fase da carreira.

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