O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) anunciou que passou a adotar, desde janeiro de 2026, uma nova forma de repasse para parte dos direitos autorais arrecadados no segmento de Sonorização Ambiental. A mudança marca o início da distribuição direta nessa categoria, com base em relatórios de uso musical enviados por usuários e empresas de sonorização parceiras.
Isso significa que parte dos valores arrecadados deixa de depender apenas de amostragem estatística e passa a considerar dados reais de execução musical em estabelecimentos comerciais. A primeira distribuição dentro do novo formato analisou cerca de 90 milhões de execuções em mais de 3.500 lojas no Brasil, incluindo redes como Cacau Show e C&A.
Ao todo, mais de 4.600 titulares foram contemplados nessa primeira etapa. Para compositores, intérpretes, músicos, editoras e demais titulares, o avanço indica um movimento importante da gestão coletiva rumo a repasses mais conectados ao uso efetivo das músicas no varejo.
O que muda na distribuição de Sonorização Ambiental
A Sonorização Ambiental envolve o uso de música em espaços como lojas, academias, bares, restaurantes, clínicas, hotéis e outros ambientes comerciais. Esse tipo de execução pública faz parte da arrecadação de direitos autorais administrada pelo Ecad e pelas associações de música.
Até então, a distribuição desse segmento era feita de forma indireta, com base em uma amostra estatística de 25 mil execuções, certificada pelo Ibope Inteligência. Esse modelo segue existindo, mas agora passa a dividir espaço com a distribuição direta em parte do segmento.
A novidade está justamente no uso dos relatórios de uso musical fornecidos por empresas de sonorização e pelos próprios usuários. Esses relatórios indicam quais músicas foram tocadas nos estabelecimentos e ajudam a formar uma base mais detalhada para o cálculo dos repasses.
Com isso, os usuários são agrupados de acordo com o valor médio de seus estabelecimentos. A verba de cada grupo, por sua vez, contempla todas as músicas informadas nos respectivos relatórios de uso. É um modelo que busca aproximar o pagamento daquilo que foi efetivamente executado.
Modelo direto convive com a amostragem

Neste primeiro momento, o segmento de Sonorização Ambiental passa a contar com duas formas de distribuição. A direta utiliza os relatórios de uso musical. A indireta segue baseada na amostragem estatística já aplicada anteriormente.
A metodologia de amostragem deve ser descontinuada de forma progressiva, à medida que a distribuição direta alcançar uma representatividade maior entre os usuários do segmento. Ou seja, a transição não acontece de uma vez, mas acompanha o volume e a qualidade dos dados disponíveis.
Esse ponto é importante porque a Sonorização Ambiental reúne perfis muito diferentes de uso musical. Uma grande rede de lojas, uma cafeteria de bairro e uma academia podem ter rotinas sonoras completamente distintas. Quanto mais detalhados forem os relatórios, maior tende a ser a precisão na identificação das obras executadas.
A distribuição direta já está integrada ao calendário de repasses do Ecad. O segmento continua recebendo valores trimestrais, nos meses de janeiro, abril, julho e outubro.
Dados mais detalhados mudam a relação com os titulares
A mudança também tem impacto na forma como os titulares e as associações acompanham a gestão dos direitos autorais. Quando a distribuição se baseia em dados mais completos de execução, fica mais fácil entender a presença de determinadas músicas em ambientes comerciais e a origem dos repasses.
Na primeira distribuição, todas as músicas contempladas foram informadas nos respectivos relatórios de uso. Dos mais de 4.600 titulares contemplados, 60% são nacionais. O dado mostra como a música brasileira também ocupa espaço relevante dentro da programação sonora de redes comerciais no país.
As associações de música e o Ecad seguem trabalhando em conjunto para aprimorar os critérios de distribuição. A meta é garantir que os valores arrecadados sejam repassados aos titulares de forma justa, proporcional e transparente.
Para o mercado, o movimento se conecta a uma pauta cada vez mais presente na música: a importância dos dados. Em um setor no qual streaming, redes sociais, shows e execução pública geram informações em ritmos diferentes, a qualidade desses registros passa a influenciar diretamente a remuneração de quem cria e grava música.
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