A Som Livre anunciou a chegada de Henrique Jardim como novo Diretor de Negócios Artísticos. O executivo retorna à gravadora após cinco anos, agora em um cargo criado para conectar inteligência financeira, A&R e marketing em um momento de maior disputa por artistas no mercado brasileiro.
A movimentação acontece com a companhia já integrada ao Grupo Sony e aponta para uma mudança no jeito como as gravadoras estruturam suas decisões. Em vez de separar totalmente o olhar artístico da análise de negócio, a nova diretoria passa a atuar na viabilidade de contratos, renovações, adiantamentos, grandes produções e estratégias de crescimento.
Na prática, Jardim terá como principais funções a negociação de contratos, a contratação e renovação de artistas e a gestão financeira das operações de A&R e marketing. O trabalho também envolve análise de dados para identificar tendências em segmentos como sertanejo e forró, dois dos mercados mais competitivos da música brasileira.
O novo papel dos dados nas gravadoras
A criação do cargo mostra como o mercado fonográfico ficou mais complexo. Hoje, contratar um artista não depende somente de percepção artística ou de desempenho pontual nas plataformas. As gravadoras precisam avaliar fluxo de caixa, retorno sobre investimento, potencial de catálogo, engajamento de fãs, força regional e capacidade de crescimento em diferentes formatos.
“Eu costumo dizer que a minha meta é usar as habilidades que construí na área financeira para fechar negócios na Som Livre. O mercado da música hoje é extremamente competitivo e orientado a dados; se você não tiver uma estratégia financeira sólida e uma leitura clara dos fluxos, acaba perdendo talentos desnecessariamente. Retorno com o entusiasmo de quem acredita no potencial de crescimento que temos sob o guarda-chuva da Sony e no valor que nossa entrega de serviços agrega à carreira do artista”, afirma Henrique Jardim.
O cargo será complementar às diretorias de A&R e marketing. Enquanto essas áreas seguem voltadas ao desenvolvimento criativo, repertório, posicionamento e relação diária com artistas, Jardim atuará na estruturação dos negócios. É uma função que coloca a matemática mais perto da criação, sem substituir o trabalho artístico.
Retorno à Som Livre em nova fase da companhia

Henrique Jardim já havia passado nove anos na Som Livre, período em que estruturou a área financeira e desenvolveu modelos de contratação baseados em VPL e TIR. Em termos simples, são ferramentas usadas para estimar se um investimento tende a se pagar ao longo do tempo e qual pode ser o retorno de um projeto.
Sua experiência também inclui passagens como diretor executivo de operações para Brasil e Portugal na Believe, head de finanças na startup Flieber, em Nova York, e gerente de FP&A e Performance na TV Globo. Formado em Engenharia Industrial pela PUC-Rio, Jardim também tem especializações em instituições como Harvard, MIT e FGV.
“A criação dessa nova diretoria reforça nosso compromisso em profissionalizar e elevar o patamar das negociações no mercado fonográfico brasileiro. Ter o Henrique de volta, agora em uma posição que faz a ponte entre o artístico e o estratégico, nos dá a segurança necessária para ousar em novos projetos. Ele chega para somar forças com nossos times de A&R e Marketing, trazendo uma camada de inteligência de dados e gestão que é essencial para o sucesso de longo prazo dos nossos artistas”, diz Tatiana Cantinho, Vice-Presidente Sênior da Som Livre.
Impacto para artistas e mercado
A chegada de Jardim indica que as negociações com artistas tendem a ficar cada vez mais sofisticadas. Em um cenário em que os adiantamentos podem envolver valores altos, as produções audiovisuais exigem grandes investimentos e os ciclos de lançamento são mais rápidos, a capacidade de projetar cenários passa a pesar nas decisões.
Para os artistas, isso pode representar contratos mais desenhados de acordo com potencial de carreira, estratégia de repertório e retorno esperado em diferentes frentes. Para a gravadora, significa ter mais precisão ao apostar em novos nomes, renovar talentos já consolidados e acompanhar gêneros que se movem rapidamente nas plataformas e nos palcos.
O movimento da Som Livre também acompanha uma transformação mais intensa do setor. A música brasileira vive um momento de forte disputa por catálogo, artistas independentes mais estruturados e gravadoras buscando oferecer serviços que vão além da distribuição. Dados, finanças e leitura de mercado passam a caminhar junto com repertório, marketing e construção de imagem.
Com a nova diretoria, a Som Livre sinaliza que pretende usar a força do Grupo Sony para crescer com mais planejamento em um mercado que exige velocidade, mas também controle de risco. A aposta está em transformar informação financeira em ferramenta de desenvolvimento artístico, um ponto cada vez mais decisivo para quem quer competir por talentos no Brasil.
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