Oferta de US$ 64 bilhões pela Universal é rejeitada e expõe disputa sobre o valor da maior empresa de música do mundo

Conselho da Universal afirma que proposta da Pershing Square subestima o potencial de crescimento da companhia e de seus ativos.
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Nathália Pandeló
Nova sede do Universal Music Group em Nova Iorque
Nova sede do Universal Music Group em Nova Iorque (Crédito: Divulgação)

O Universal Music Group rejeitou oficialmente a proposta de aquisição apresentada pela Pershing Square Capital, do investidor Bill Ackman. Avaliada em cerca de US$ 64 bilhões, a oferta foi considerada insuficiente pelo conselho da companhia, que afirmou que o negócio não atende aos interesses dos acionistas, artistas, compositores, funcionários e demais partes envolvidas.

O movimento encerra semanas de especulação sobre uma possível mudança estrutural na maior empresa de música do mundo. A proposta havia sido apresentada em abril e previa a combinação da Universal com a Pershing Square SPARC Holdings, incluindo a transferência da principal listagem da empresa da bolsa de Amsterdã para a Bolsa de Nova York.

Segundo a companhia, a decisão foi unânime. Após analisar a proposta com apoio de consultores financeiros e jurídicos, o conselho da Universal concluiu que a oferta “subestima de forma fundamental e material” o valor da empresa e não entregaria uma geração de valor superior no longo prazo.

Por que a Universal rejeitou a proposta

A principal justificativa da Universal foi a avaliação financeira. Embora a proposta representasse um prêmio relevante em relação ao preço das ações no mercado, a empresa entende que seu valor real é maior do que o refletido na oferta de Ackman.

A presidente do conselho, Sherry Lansing, destacou a confiança na atual estratégia da companhia:

“A UMG construiu uma posição incomparável na indústria da música por meio de uma visão clara e de uma execução consistente. O conselho tem total confiança em Sir Lucian [Grainge, CEO do UMG] e sua equipe para entregar crescimento sustentável e continuar gerando valor para todos os envolvidos”, declarou.

Nos bastidores, a proposta também enfrentou resistência de um personagem importante: Cyrille Bolloré. O executivo lidera o Grupo Bolloré, maior acionista individual da Universal, com participação próxima de 28%. Dias antes da decisão oficial, ele já havia afirmado publicamente que o valor oferecido estava abaixo do que considera adequado para a empresa.

Sede do Universal Music Group em Santa Monica
Sede do Universal Music Group em Santa Monica (Crédito: Divulgação)

Crescimento fortalece posição da companhia

A rejeição acontece em um momento de resultados positivos para a Universal. Desde sua abertura de capital, em 2021, a companhia afirma ter aumentado sua receita em 60% e o EBITDA ajustado em quase 70%.

Em 2025, a empresa alcançou 33% de participação global no mercado de música gravada, o maior índice registrado em 12 anos. Já na área de edição musical, atingiu 24% de participação, o melhor desempenho desde que a consultoria Music & Copyright começou a monitorar o setor, em 2010.

Outro dado usado pela empresa para justificar sua posição é o domínio artístico. Pelo terceiro ano consecutivo, artistas da Universal ocuparam nove das dez primeiras posições do ranking global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI).

A companhia também destacou iniciativas recentes voltadas ao mercado financeiro, incluindo a ampliação de seu programa de recompra de ações, a venda de metade de sua participação no Spotify e a promessa de divulgar indicadores financeiros mais detalhados aos investidores.

O que estava em jogo

Sir Lucian Grainge, presidente e CEO da UMG
Sir Lucian Grainge, presidente e CEO da UMG (Crédito: Divulgação)

Bill Ackman argumentava que as ações da Universal vinham sendo negociadas abaixo de seu potencial por fatores que não estavam ligados ao desempenho operacional da empresa. Entre eles, a estrutura acionária da companhia, a participação no Spotify e o adiamento da esperada listagem nos Estados Unidos.

Para o investidor, uma estrutura corporativa baseada nos EUA poderia atrair mais fundos institucionais e destravar valor para os acionistas. Mesmo reconhecendo a qualidade da gestão liderada por Sir Lucian Grainge, Ackman defendia mudanças estruturais para acelerar a valorização da empresa no mercado.

A Universal, porém, escolheu seguir seu próprio caminho. Em comunicado, o CEO reafirmou a estratégia focada em talentos, inovação e relacionamento com fãs.

“Continuamos comprometidos em liderar a indústria atraindo os maiores talentos do mundo, aprofundando o engajamento dos fãs globalmente e impulsionando a inovação”, declarou Sir Lucian Grainge.

A decisão sinaliza que a companhia acredita que ainda há espaço para crescer sem abrir mão de sua estrutura atual. Em um momento em que inteligência artificial, superfãs, novas formas de monetização e expansão global estão em destaque nas discussões do mercado musical, a Universal aposta que seu valor futuro será maior do que o preço colocado sobre a mesa por Bill Ackman.

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