Rio2C 2026 movimenta R$ 516 milhões e encerra edição marcada por anúncios para cultura, audiovisual e música

Com mais de 55 mil participantes, o Rio2C reuniu representantes de 30 países e consolidou seu papel como polo de negócios da economia criativa.
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Nathália Pandeló
Rio2C 2026
Rio2C 2026 (Crédito: Divulgação)

O Rio2C encerrou sua edição de 2026 após seis dias de programação na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, consolidando números que ajudam a dimensionar a relevância do evento para a economia criativa brasileira. Com mais de 55 mil participantes, representantes de 30 países, 1.732 palestrantes e 23 palcos e espaços de conteúdo, o encontro reuniu profissionais dos setores de música, audiovisual, tecnologia, esportes, comunicação, publicidade, inovação e políticas públicas.

Além da programação de debates e apresentações, a edição ficou marcada por anúncios voltados ao fortalecimento da cultura e do audiovisual no país. Entre eles estiveram o lançamento da plataforma pública de streaming Tela Brasil, a inclusão da cadeia produtiva do audiovisual na política da Nova Indústria Brasil (NIB) e a apresentação de um plano de investimentos de R$ 225 milhões da Prefeitura do Rio para a cultura e o audiovisual carioca até 2028.

Sob o tema “Code of Meaning” (“Código de Sentido”), o Rio2C propôs reflexões sobre criatividade, tecnologia, inteligência artificial, negócios e produção cultural em um cenário de rápidas transformações tecnológicas.

Rio2C ultrapassa R$ 500 milhões em impacto econômico

Rio2C 2026 (Crédito: Divulgação)
Rio2C 2026 (Crédito: Divulgação)

Os números divulgados pela organização do Rio2C e pela Prefeitura do Rio apontam para um impacto econômico total de aproximadamente R$ 516,1 milhões gerado pela edição de 2026.

Segundo o levantamento, cerca de R$ 151,7 milhões estão relacionados diretamente à realização do evento, incluindo despesas com hospedagem, alimentação, transporte, produção e ativações de patrocinadores. Outros R$ 364,3 milhões correspondem a negócios impulsionados pelas conexões estabelecidas ao longo da programação.

Os números oficiais também estimam a geração de aproximadamente 4,7 mil empregos diretos e indiretos, um dado que comprova o peso da economia criativa na movimentação econômica da cidade.

No campo dos negócios, o Rio2C registrou 1.650 reuniões em rodadas comerciais, reuniu 366 players de mercado e recebeu 1.301 inscrições em pitchings voltados ao audiovisual, à música, ao mercado editorial e a soluções tecnológicas para o setor criativo.

Música ocupa espaço central nos debates

Láisa Naiane, Os Garotin, Rafa Ventura e Mila Ventura
Láisa Naiane, Os Garotin, Rafa Ventura e Mila Ventura (Crédito: Igor Ventura)

A música esteve presente em diferentes frentes da programação, especialmente nos palcos SoundBeats I, II e III (este último, assinado pelo Mundo da Música), que reuniram artistas, executivos, produtores, empresários e especialistas para discutir os rumos da indústria.

Temas como inteligência artificial, streaming, direitos autorais, festivais, internacionalização da música brasileira, patrocínios e novos modelos de negócio estiveram entre os assuntos mais debatidos ao longo da semana.

Entre os participantes estiveram nomes como o cantor e empresário Xand Avião, Luedji Luna, Ferrugem, Rubel, Xamã, Os Garotin e executivos de empresas como Believe, Som Livre, UBC e grandes marcas que atuam no mercado musical.

O evento também manteve espaço para novos talentos por meio do PitchingShow, plataforma dedicada à apresentação de artistas emergentes para profissionais da indústria. Ao longo da programação, nomes como Sofia Gayoso, João Pastor, Thami Siba, Puri, Marco Baptista, Luna Falcão, Filipe Toca e Caike Souza participaram das apresentações.

Foro Ibero-Americano amplia presença internacional

Um dos marcos institucionais da edição foi a realização do primeiro Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura dentro do Rio2C.

Promovido pelo Ministério da Cultura em parceria com a Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), o encontro reuniu representantes de 15 países para discutir temas como economia criativa, direitos autorais, mobilidade artística, circulação internacional de conteúdos e cooperação regional.

Ao final das atividades, os países participantes decidiram manter o Brasil na presidência do Foro até 2028. É uma decisão que fortalece o protagonismo brasileiro nas discussões sobre políticas culturais na região.

A iniciativa também aproximou governos, organismos multilaterais e representantes do mercado. A realização do Foro aponta para o papel do Rio2C como espaço de articulação internacional.

Anúncios fortalecem setor cultural e audiovisual

Margareth Menezes, Lula e Joelma Gonzaga
Margareth Menezes, Lula e Joelma Gonzaga (Crédito: Divulgação)

O sábado foi marcado por uma série de anúncios voltados ao desenvolvimento das indústrias criativas brasileiras.

Durante evento realizado no Rio2C, o Ministério da Cultura lançou a plataforma Tela Brasil, serviço público e gratuito de streaming dedicado à difusão de produções audiovisuais nacionais.

Na mesma cerimônia, foi anunciada a inclusão da cadeia produtiva do audiovisual na política da Nova Indústria Brasil. A iniciativa prevê linhas de crédito, políticas de exportação e mecanismos de incentivo com a meta de dobrar a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) até 2033.

Outro destaque foi o anúncio do Plano de Investimentos na Cultura e no Audiovisual Carioca. Apresentado pelo prefeito Eduardo Cavaliere, o programa prevê R$ 225 milhões destinados a editais, programas e equipamentos culturais até 2028.

As medidas foram apresentadas como parte de uma estratégia para consolidar o Rio de Janeiro como um dos principais polos criativos da América Latina.

Tecnologia, audiovisual e creator economy dominaram a programação

A inteligência artificial atravessou boa parte das discussões do evento, aparecendo em painéis sobre música, audiovisual, publicidade, comunicação, educação e creator economy.

Executivos de empresas como Globo, Netflix, Disney, YouTube e TikTok participaram de debates sobre transformação digital, novas formas de consumo de conteúdo e os desafios da monetização em um ambiente cada vez mais orientado por plataformas.

O audiovisual também teve forte presença ao longo da semana, com discussões sobre produção, distribuição, roteiros, financiamento e desenvolvimento de propriedade intelectual.

Já a creator economy reuniu criadores, plataformas e marcas para debater construção de comunidades, influência digital e os novos modelos de negócios que surgem a partir da economia da atenção.

Ao encerrar sua oitava edição, o Rio2C reforça sua posição como um dos principais encontros da economia criativa na América Latina. Mais do que reunir profissionais de diferentes setores, o evento termina com números expressivos, novos acordos institucionais e anúncios que devem influenciar os rumos da música, do audiovisual e da cultura brasileira nos próximos anos.

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