A Tela Brasil, plataforma pública e gratuita de streaming dedicada ao audiovisual brasileiro, foi lançada neste sábado (30), durante o Rio2C 2026, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, além de diversas outras autoridades e personalidades, em um evento que marcou a estreia de uma política pública voltada ao acesso, à memória e à circulação da produção audiovisual nacional.
Desenvolvida pelo Ministério da Cultura, com apoio da UFAL, tecnologia do NEES/UFAL e infraestrutura do Serpro, a plataforma chega com acesso gratuito via Gov.br e um catálogo inicial com cerca de 555 obras brasileiras. A seleção reúne curtas, longas, médias, telefilmes, séries, documentários e conteúdos educativos produzidos entre 1910 e 2025.

Além de títulos históricos do cinema nacional, a Tela Brasil também estreia com um recorte importante para a música brasileira. Entre os conteúdos destacados na apresentação da plataforma estão obras ligadas a Gilberto Gil, Barão Vermelho, Elza Soares, Tom Jobim, João Gilberto, Pixinguinha, Torquato Neto e ao choro.
O projeto contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de acessibilidade. O presidente chamou a atenção para o desconhecimento sobre o peso econômico e a quantidade de empregos gerados pelo setor cultural brasileiro para o desenvolvimento econômico e profissional.
“O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, disse Lula.
Música aparece como eixo de memória e formação cultural

No recorte musical exibido no lançamento, a Tela Brasil apresentou obras como “Refavela 40”, dirigido por Mini Kerti e indicado ao Emmy Internacional, e “Barão Vermelho: Por Que a Gente É Assim”, também com direção de Mini Kerti. O documentário sobre a banda venceu como Melhor Documentário Popular e Melhor Trilha Sonora no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2019.
A plataforma também inclui “My Name is Now, Elza Soares”, dirigido por Elizabete Martins Campos, obra que acompanha a trajetória de uma das artistas mais marcantes da música brasileira. O título se soma a uma lista que trata a música não apenas como tema artístico, mas como parte da construção social, política e afetiva do país.
Outro destaque é “O Tempo e o Som”, dirigido por Bruno Barreto e Walter Lima Jr., com nomes como Tom Jobim, João Gilberto, Johnny Alf, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli, Vinicius de Moraes, Baden Powell, Caetano Veloso e Gilberto Gil. O documentário ajuda a posicionar a bossa nova dentro de um panorama mais amplo da música brasileira e de sua relação com a imagem.
A seleção ainda tem obras como “Torquato Neto: Todas as Horas do Fim”, “Álbum de Música”, “Projeto Pixinguinha” e “Chorinhos e Chorões”, apontando para um catálogo que pode atender tanto ao público geral quanto a pesquisadores, estudantes, jornalistas e profissionais da indústria musical.
Além dos conteúdos ligados à música, a Tela Brasil estreia com obras importantes do cinema brasileiro, reunindo títulos de diferentes períodos e gêneros. O catálogo inicial inclui filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Terra em Transe”, “Barravento”, “A Hora da Estrela”, “Xica da Silva”, “Central do Brasil”, “Cidade de Deus”, “Carandiru”, “Olga”, “O Quatrilho”, “O Que É Isso, Companheiro?” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”.
Plataforma nasce gratuita e sem publicidade

Segundo o Ministério da Cultura, a Tela Brasil foi pensada como uma plataforma pública, sem assinatura, sem publicidade e sem rastreamento comportamental comercial. O acesso começa pela versão web, com aplicativos para Android e iOS previstos para até 30 dias após o lançamento.
Mais de 300 obras já contam com recursos de acessibilidade, como audiodescrição, legendagem descritiva e Libras. A interface segue diretrizes WCAG 2.2 AA, padrão internacional voltado à acessibilidade digital.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destaca a iniciativa como estratégica para aproximar a população da produção audiovisual brasileira.
“A Tela Brasil representa um avanço fundamental na democratização do acesso ao audiovisual brasileiro. Estamos garantindo que a população tenha acesso gratuito à nossa produção cultural, valorizando a diversidade, a memória e a potência criativa do país”, afirma.

A secretária do Audiovisual do MinC, Joelma Gonzaga, também destacou o papel da plataforma na preservação da memória audiovisual do país.
“A Tela Brasil reúne, em um único ambiente público e gratuito, mais de um século de produção audiovisual brasileira. É uma plataforma que preserva a memória do nosso cinema, amplia o acesso da população à cultura e fortalece a circulação de obras que ajudam a contar a história, a diversidade e a identidade do Brasil”, afirmou Joelma Gonzaga.
Durante a cerimônia, também foi assinado um acordo de cooperação técnica entre o MinC e a EBC para integrar progressivamente acervos da TV Brasil à Tela Brasil. A parceria deve levar mais de 150 títulos e cerca de 3 mil horas de conteúdo audiovisual ao catálogo, incluindo programas como “Sem Censura”, “Samba na Gamboa”, “A, B, Z do Ziraldo”, “Caminhos da Reportagem” e “Observatório da Imprensa”.

“Essa parceria levará ao sistema público de streaming Tela Brasil uma parcela substancial da memória da comunicação pública brasileira. É o casamento do MinC com a TV Brasil gerando muito conteúdo gratuito, acessível e de qualidade para toda a população brasileira”, afirmou Antonia Pellegrino, presidente da EBC.
No mesmo evento, Lula também assinou o decreto que institui a Política Nacional de Economia Criativa, Brasil Criativo. A medida foi apresentada como parte de uma agenda mais ampla de fortalecimento da cultura como setor econômico, produtivo e simbólico.
Com a estreia no Rio2C, a Tela Brasil passa a ocupar um espaço estratégico no acesso ao audiovisual nacional. Para a música, a chegada da plataforma abre uma nova vitrine pública para documentários, registros históricos e obras que ajudam a contar a trajetória sonora do país.
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