Programa Circuito CultSP é reformulado e vai chegar a 50 municípios paulistas em 2026

O programa do governo paulista prevê 300 atividades artísticas em 50 cidades do circuito, com R$ 4,4 milhões e nova chamada para artistas e municípios.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Ana Cañas em show pelo Circuito CultSP (Crédito: Adriano Escanhuela)
Ana Cañas em show pelo Circuito CultSP (Crédito: Adriano Escanhuela)

O Circuito CultSP vai ganhar novo formato em 2026. O programa de circulação artística do governo de São Paulo chegará a 50 municípios ao longo do ano, com 300 atividades em diferentes linguagens e investimento total de R$ 4,4 milhões. A proposta é colocar produções em rota por várias regiões do estado e, ao mesmo tempo, abrir espaço para que cidades e artistas entrem na programação por meio de cadastro.

Na prática, a reformulação mexe em dois pontos centrais: de um lado, os municípios interessados podem se inscrever para receber as ações; de outro, artistas e companhias também podem cadastrar propostas no site da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), responsável pela gestão e produção da iniciativa. A ideia é dar mais organização ao circuito e distribuir melhor essa oferta cultural pelo estado.

Antes, programas desse tipo costumavam ser percebidos apenas como uma agenda de apresentações. Agora, o desenho apresentado pelo governo tenta ir além disso, ao conectar circulação, ocupação de equipamentos públicos e presença mais constante de artistas em cidades fora dos grandes centros. Esse ponto ajuda a entender por que a reformulação do programa chama atenção.

Como vai funcionar o novo programa

Cada proposta artística selecionada deverá circular por pelo menos três municípios paulistas e passar por ao menos duas regiões administrativas diferentes. Esse critério mostra que o programa não quer apenas financiar apresentações isoladas, mas criar trajetos mais consistentes para os grupos e aumentar a presença dessas produções em mais de uma parte do estado.

Esse modelo também tende a dar mais fôlego para artistas e companhias que buscam agenda fora de seus polos de origem. Em vez de uma única data ou de uma ação pontual, a circulação mínima por três cidades pode tornar o deslocamento mais viável e gerar uma relação mais contínua com públicos e equipamentos culturais. Para quem trabalha com teatro, dança, música, circo ou outras linguagens, esse desenho pode fazer muita diferença.

A secretária Marilia Marton, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresentou a reformulação como uma política pública voltada à circulação e ao acesso.

“Estamos fortalecendo uma política pública estruturada de circulação artística em todo o estado. O Circuito CultSP amplia o acesso da população às produções dos nossos artistas, fortalece os equipamentos municipais e cria oportunidades para que companhias e criadores cheguem a novos públicos. É uma iniciativa que conecta produção, espaços culturais e cidadãos em diferentes regiões”.

O que muda para artistas e municípios

Ana Cañas em show pelo Circuito CultSP (Crédito: Adriano Escanhuela)
Ana Cañas em show pelo Circuito CultSP (Crédito: Adriano Escanhuela)

Um dos pontos mais práticos do novo programa é que ele depende de duas frentes de adesão. As prefeituras ou cidades interessadas precisam se candidatar para sediar as atividades. Ao mesmo tempo, artistas e companhias devem cadastrar suas propostas artísticas. Isso cria um banco de possibilidades que depois pode ser articulado na formação da programação.

O processo começa no site da APAA, onde há duas frentes de cadastro abertas. Os municípios interessados em receber a programação devem preencher o formulário específico para sediar as atividades do circuito. Já artistas e companhias precisam acessar o cadastro de propostas artísticas, informar dados do projeto, linguagem, necessidades técnicas e materiais de apresentação. A partir desse banco de propostas, a equipe do programa organiza a seleção e define as circulações que irão compor o Circuito CultSP ao longo do ano.

Para os municípios, o programa pode funcionar como uma forma de receber atrações e movimentar seus espaços culturais com apoio estadual. Para os artistas, a vantagem está na chance de entrar em um circuito com alcance territorial mais claro e com regras de circulação já definidas. É um formato que tenta juntar demanda local e oferta artística dentro de uma mesma engrenagem.

O presidente do Conselho de Administração da APAA, Luis Sobral, afirmou que a reformulação retoma a base original do projeto e recoloca no centro a formação de público.

“A secretária Marilia Marton decide recuperar a origem do maior e mais completo projeto de circulação cultural do país: formação de plateia para equipamentos municipais, formação de público para artistas e companhias de arte, oportunidade para a sociedade paulista se aproximar da cultura”.

Na sequência, Sobral também destacou que o programa volta com uma proposta mais estruturada.

“O tripé mais bem feito da oferta de produção independente está de volta e com muita propriedade, revisitando sua origem de forma atualizada, mais densa e com propósito de construir ambiente de hábito cultural sólido”.

Por que a reformulação importa

Quando um programa estadual anuncia 300 atividades em 50 municípios, o dado mais relevante não é só o volume. O que pesa mesmo é a tentativa de distribuir circulação artística de forma menos concentrada. Em um estado do tamanho de São Paulo, esse tipo de política pode ajudar a reduzir a distância entre produção cultural e acesso local, principalmente em cidades que nem sempre entram na rota regular de companhias independentes.

Também há um efeito importante sobre os próprios artistas. Circular por diferentes regiões ajuda a criar lastro de público, testar repertórios, ocupar novos espaços e ganhar mais visibilidade fora dos centros tradicionais. O Circuito CultSP reformulado chega com essa promessa: transformar agenda em percurso e fazer do programa uma ponte mais concreta entre criadores, cidades e plateias ao longo de 2026.

Leia mais: