A ZNEC Produções, escritório de Zé Neto & Cristiano, deu um passo além da atuação ligada ao sertanejo e passou a ocupar outro espaço no entretenimento ao colocar São José do Rio Preto na rota de grandes turnês internacionais. Depois de levar o Guns N’ Roses à cidade em abril, a produtora se uniu à Live Nation para receber o Maroon 5 no dia 6 de setembro, no Recinto de Exposições.
O movimento chama atenção porque desloca parte da lógica tradicional dos grandes shows internacionais no Brasil, historicamente concentrada em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. No caso de Rio Preto, a estratégia passa por uma combinação de conhecimento local, estrutura de produção, rede de parceiros e vínculo afetivo dos artistas com a cidade.
A apresentação do Maroon 5 faz parte de uma nova etapa da turnê internacional da banda, com passagem pela América Latina e pela Europa, além de show marcado no Rock in Rio. Para a ZNEC, a operação também funciona como vitrine de uma nova frente de negócios, voltada a eventos de grande porte fora do eixo mais óbvio das turnês globais.
O papel da ZNEC Produções na operação
Para Zé Neto, a entrada nesse tipo de projeto veio de uma mistura de decisão empresarial e aprendizado prático. Ele explica que a produtora encontrou espaço em uma parte menos visível da engrenagem, mas essencial para shows internacionais acontecerem:
“A gente teve coragem e pegou gosto pela produção de shows, que é uma rede com muita gente envolvida, são muitos sócios, muita gente trabalhando para fazer acontecer. Nós somos um apoio na parte burocrática, de documentos, já que esses shows costumam ter mais exigências, serem mais difíceis de fazer num modo geral, e como temos muito conhecimento em Rio Preto, acabamos sendo um facilitador.”
Esse papel de facilitador ajuda a reduzir uma das maiores barreiras para turnês internacionais fora das capitais: a operação local. Grandes shows exigem liberação de documentos, negociação com espaços, fornecedores técnicos, segurança, logística, hospedagem, transporte, venda de ingressos e diálogo com órgãos públicos. Quando um parceiro local domina esse território, a cidade deixa de parecer uma aposta arriscada e passa a ser uma possibilidade concreta.
A Live Nation aparece nesse contexto como parceira da realização do show do Maroon 5, enquanto a ZNEC assina a operação em São José do Rio Preto. O evento terá ingressos a partir de R$ 300 e venda oficial pela Ticketmaster, com setores que vão de pista a camarote open.
O interior como mercado para turnês globais

A escolha por São José do Rio Preto não é meramente comercial. Para a dupla, existe um componente de origem muito forte. Cristiano afirma que a decisão de trazer turnês internacionais para a cidade também nasce da vontade de aproximar o público local de experiências que, muitas vezes, ficam distantes de quem mora fora dos grandes centros.
“Nós queremos trazer a rota das turnês internacionais para a nossa casa, porque São José do Rio Preto merece, e queremos proporcionar o melhor para a cidade. A gente fica pensando também nas pessoas que não conseguem realizar os seus sonhos por não conseguirem ir até um Rock In Rio, por exemplo. Claro que ainda existem os valores dos ingressos, mas ter o show pertinho de você já é 60% do caminho andado. O noroeste paulista nunca teve isso, e agora a gente tá caminhando para fazer acontecer e tentando as melhores estruturas”, afirma.
Esse ponto ajuda a explicar por que o sertanejo tem relação tão direta com esse movimento. Há anos, o gênero provou que cidades médias e grandes do interior conseguem sustentar eventos para dezenas de milhares de pessoas, com público regional, patrocinadores, camarotes, festas agropecuárias e estruturas de palco cada vez mais sofisticadas. A diferença, agora, é usar essa musculatura para receber artistas internacionais.
Cristiano também aponta que ainda existe um desafio de articulação. Para ele, o mercado precisa enxergar a importância de uma rede de apoio local e nacional para viabilizar esse tipo de circulação.
“Acho que [o que ainda falta] talvez seja uma rede de apoio. A gente fala sobre ter levado Guns, Maroon 5, mas somos um, entre muitos sócios, que fazem tudo isso acontecer. Se depender da gente, temos vontade de levar cada vez mais artistas internacionais para a cidade, temos até alguns outros no radar, já”, antecipa.
Impacto para Rio Preto e próximos passos
O impacto de um show internacional no interior vai além da bilheteria. A chegada de fãs de outras cidades movimenta hotéis, aplicativos de transporte, restaurantes, bares, equipes temporárias, montagem, segurança, comunicação e fornecedores locais. Zé Neto cita o show do Guns N’ Roses como exemplo desse efeito.
“É bom demais. Com o show do Guns N’ Roses ficamos sabendo que a rede de hotelaria teve lotação máxima, isso é maravilhoso. Nós crescemos e nunca esquecemos de onde viemos, levar oportunidade para a nossa cidade é de uma certa forma, a realização de um sonho nosso. Estamos prontos para trabalhar cada vez mais para mostrar o potencial de Rio Preto”, sinaliza.
Esse tipo de resultado tende a pesar na análise de novas turnês. Se uma cidade entrega público, estrutura e operação, ela ganha argumento para voltar ao mapa. Para Rio Preto, receber Maroon 5 depois de Guns N’ Roses cria uma sequência importante: deixa de ser um episódio isolado e passa a sinalizar um projeto de posicionamento.
A ZNEC, então, não abandona sua base artística. Pelo contrário, usa a força construída no sertanejo para abrir uma frente de entretenimento mais larga. O movimento mostra como artistas e escritórios podem atuar como agentes de desenvolvimento de mercado, conectando repertório, território, negócios e infraestrutura. Para São José do Rio Preto, o ganho é real: a cidade passa a disputar espaço em uma conversa que, por muito tempo, parecia restrita às capitais.
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