YouTube Music revela turma 2026 do programa Foundry e inclui três brasileiros
Amanda Magalhães, MC Luanna e Franco, The Sir! integram a nova turma do Foundry, programa do YouTube Music para artistas independentes.
Por Nathália Pandeló···5 min de leitura·
O YouTube Music anunciou a primeira leva da turma 2026 do Foundry, seu programa global de desenvolvimento artístico voltado a músicos independentes. A nova seleção reúne 24 artistas de 11 países e inclui três nomes brasileiros: Amanda Magalhães, MC Luanna e Franco, The Sir!. O anúncio veio acompanhado da data para inscrição na próxima turma: a partir de julho já será possível se candidatar. CLIQUE AQUI para acessar a página do programa.
Criado em 2015, o Foundry já trabalhou com mais de 250 artistas ao redor do mundo e tem entre seus ex-participantes nomes como Dua Lipa, Rosalía, Tems e Arlo Parks. A proposta do programa é oferecer apoio financeiro, suporte de marketing, promoção dentro e fora da plataforma, acompanhamento direto e oportunidades educativas para artistas que ainda operam fora das grandes estruturas tradicionais.
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A escolha dos brasileiros também mostra como o YouTube Music continua observando cenas locais com capacidade de circulação global. Nesta edição, o programa destaca artistas que combinam música, identidade visual e construção de comunidade, um ponto cada vez mais importante para carreiras independentes em um mercado no qual o vídeo deixou de ser apenas divulgação e passou a fazer parte da narrativa do artista.
Três brasileiros entram na turma global do YouTube Music
MC Luanna, Amanda Magalhães e Franco, The Sir! (Crédito: Divulgação)
Entre os brasileiros escolhidos, Amanda Magalhães aparece como uma artista ligada a colagens sonoras e misturas entre elementos da música brasileira tradicional e influências eletrônicas contemporâneas. A cantora, compositora, produtora e atriz tem construído uma trajetória marcada por experimentação, linguagem visual própria e cruzamento entre diferentes referências culturais, criando os chamados “memixes”.
MC Luanna, nascida na Bahia, foi apresentada pelo YouTube Music como uma força que mistura rap, trap e funk a partir de uma vivência de mulher negra, bissexual e periférica. Sua entrada no Foundry chama atenção para a presença do rap brasileiro e do funk em programas globais de descoberta artística, especialmente em uma fase em que os artistas independentes têm usado as plataformas para fortalecer narrativas próprias sem depender apenas de rádio ou televisão.
Já Franco, The Sir! representa uma nova geração do trap brasileiro. Aos 19 anos, o artista foi descrito como um talento autodidata, com performances virais e produção em camadas, já observado por nomes relevantes da cena. Sua presença na lista reforça o peso das comunidades digitais na formação de carreiras jovens, nas quais repertório, vídeos curtos, estética e circulação orgânica caminham juntos.
Foundry olha para vídeo, comunidade e carreira independente
Crédito: Freepik
A turma 2026 também inclui artistas como Julia Wolf, que participou da introdução de “Dog House”, single de Drake lançado em 2025 com Yeat; Kelela, nome importante da música alternativa norte-americana; RaiNao, de Porto Rico, apontada como artista com chancela de Bad Bunny; além de wave to earth e Silica Gel, representantes da Coreia do Sul.
O alcance internacional da seleção é um dos pontos centrais do anúncio. Segundo o YouTube Music, esta é a turma mais global do Foundry até agora, com os primeiros participantes da Polônia e do Marrocos, além do retorno à cena sul-coreana. A lista também inclui nomes da Índia, África do Sul, Colômbia, França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.
Para artistas independentes, esse tipo de programa funciona como uma espécie de ponte entre a lógica de descoberta da internet e uma estrutura mais organizada de desenvolvimento. Em vez de depender apenas de um vídeo viral, o artista recebe ferramentas para transformar a atenção em carreira, o que envolve planejamento de lançamentos, presença visual, relacionamento com público e leitura de dados.
“O YouTube é uma plataforma que dá aos artistas o poder de expressar plenamente suas vozes autênticas, compartilhar sua música e sua arte. A descoberta está no centro, é disso que se trata o Foundry. Estamos muito orgulhosos de reunir esse grupo incrivelmente talentoso de artistas, representando a cultura musical de todo o mundo”, fala Vivien Lewit, chefe global de artistas do YouTube.
A plataforma quer se posicionar como vitrine e ambiente de formação de público, especialmente em um momento em que o vídeo musical, os bastidores, os cortes, as performances e os formatos curtos ajudam a contar quem é o artista.
Programa também mira artistas em fase inicial
Além do Foundry, o YouTube Music também anunciou apoio a artistas em estágio anterior por meio do Foundry Rising. A iniciativa inclui nomes como Dangrangto, Ino Casablanca, Martox, Mack Keane, Rey Quinto, Ruti, Quiet Light e Vintonic, com foco em quem ainda está começando sua jornada dentro da plataforma.
A diferença entre os dois programas está no momento de carreira. O Foundry seleciona artistas independentes que já apresentam uma base, uma identidade e sinais de crescimento. O Foundry Rising atua antes, oferecendo ferramentas para crescimento em uma etapa mais inicial.
“O Programa Foundry me deu as ferramentas e o empurrão quando eu mais precisei, e eu sempre vou agradecer ao YouTube por isso. Um grande parabéns aos selecionados deste ano”, comemorou Tems.
A cantora participou do programa em 2020 e mostra como o Foundry busca criar uma narrativa de continuidade. Ao associar novos nomes a artistas que passaram pelo programa antes de alcançar projeção global, o YouTube Music cria uma espécie de selo de aposta, especialmente relevante para o mercado independente.
No caso dos brasileiros, a seleção de Amanda Magalhães, MC Luanna e Franco, The Sir! indica três caminhos distintos para a música nacional no exterior: a experimentação autoral, a força das periferias e o trap de nova geração. Em comum, todos chegam ao programa com uma estética própria, algo que hoje pesa tanto quanto a música na disputa por atenção.
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