YouTube fechou 2025 com 29 bilhões de vídeos; música e Shorts são motores do consumo global

O YouTube se aproxima dos 30 bilhões de vídeos, impulsionado por Shorts, música e conteúdo profissional, segundo pesquisa da Omdia.
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Nathália Pandeló
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O YouTube encerrou o último ano com um novo marco histórico. A plataforma chegou a 29 bilhões de vídeos disponíveis até dezembro de 2025, número que ajuda a dimensionar a escala e a complexidade do maior serviço de vídeo do planeta. O dado faz parte de um novo estudo da Omdia e aponta que o crescimento recente está diretamente ligado aos Shorts, ao avanço de conteúdos gerados por inteligência artificial e à expansão em mercados como a Índia.

Segundo o levantamento, o YouTube mantém uma posição única no ecossistema digital ao combinar volume extremo de uploads com padrões de consumo altamente concentrados. Embora bilhões de vídeos estejam disponíveis, apenas uma fração mínima concentra a maior parte do tempo de visualização, enquanto a imensa maioria segue com alcance reduzido, mas ainda assim relevante para a lógica da plataforma.

Esse contraste ajuda a explicar por que o YouTube opera como um ambiente que mistura cultura de massa, nichos profundos e um acervo quase infinito de vídeos. É um modelo que não depende apenas de sucessos virais, mas também de escala, diversidade e dados.

O crescimento acelerado impulsionado pelos Shorts

O ritmo de crescimento do YouTube se intensificou ao longo de 2025. De acordo com a Omdia, 25% de todos os vídeos enviados à plataforma naquele ano foram publicados apenas nos primeiros dez meses. O principal motor desse salto é o formato curto: os Shorts já representam mais de 90% de todos os novos uploads.

Na prática, isso significa que a maior parte do crescimento em volume não vem de vídeos longos tradicionais, mas de conteúdos verticais, rápidos e de produção simplificada. Esse movimento muda a dinâmica de oferta da plataforma, amplia a quantidade de criadores ativos e acelera a renovação do catálogo, ainda que nem todo esse material encontre uma audiência relevante.

Mesmo com esse crescimento explosivo, o consumo segue concentrado. O estudo mostra que o 1% dos vídeos mais assistidos responde por 91% de todo o tempo de visualização. Já os outros 99% ficam com apenas 9% do consumo total, um dado que reforça o desequilíbrio estrutural entre oferta e demanda dentro do YouTube.

Número de vídeos no YouTube chegou a 29 bilhões em 2025
Número de vídeos no YouTube chegou a 29 bilhões em 2025 (Crédito: Divulgação)

Um acervo gigantesco que quase ninguém vê

Para explicar esse paradoxo, a pesquisa recorre a uma comparação: somados, os vídeos disponíveis no YouTube equivalem a cerca de 280 mil anos de conteúdo. A maior parte desse material é pouco vista ou raramente acessada, mas continua hospedada e indexada pela plataforma.

A Omdia contextualiza que esse enorme volume de vídeos tem papel estratégico além da audiência direta. Em especial, ele alimenta sistemas de análise, recomendação e treinamento tecnológico do ecossistema do Google.

Daoud Jackson, analista sênior da Omdia, afirma:

“O YouTube é o serviço de vídeo mais popular do mundo e está a caminho de atingir 30 bilhões de vídeos no início de 2026. A pesquisa da Omdia mostra que os 99% de vídeos menos assistidos respondem por apenas 9% do tempo total de visualização. Ainda assim, o YouTube continua hospedando o equivalente a 280 mil anos de conteúdo em vídeo, a maior parte raramente vista, um aspecto fascinante da estratégia da plataforma.”

Música, conteúdo profissional e novos hábitos de consumo

O estudo também detalha como o tempo de visualização se distribui entre os diferentes tipos de conteúdo. A música segue como uma das forças centrais do YouTube. Os videoclipes respondem por 33% de todo o tempo assistido na plataforma, mantendo o serviço como um dos principais destinos globais para consumo musical.

O conteúdo profissionalmente produzido tem peso ainda maior. Vídeos com produção estruturada, incluindo entretenimento, formatos televisivos e séries digitais, somam 46% do tempo de visualização. Isso indica que, mesmo com o avanço dos criadores independentes, o YouTube segue fortemente ancorado em produções de maior orçamento.

Podcasts em vídeo aparecem como um segmento em rápida evolução. Eles já representam 5% do tempo total de visualização, enquanto o conteúdo de notícias responde por 10%, ocupando a terceira posição entre as categorias mais consumidas.

Jackson acrescenta:

“Esse conteúdo também forma a base dos dados de treinamento de vídeo do Google para o Gemini. Embora o conteúdo gerado por usuários alimente a percepção de sucesso, nossa pesquisa mostra que a realidade é mais complexa. Em 2026, o YouTube se tornou uma plataforma altamente diversa, com conteúdo profissional, música, notícias e podcasts moldando os padrões de visualização.”

Ao chegar a 29 bilhões de vídeos, o YouTube reforça um modelo que combina volume massivo, concentração de audiência e diversidade de formatos. Mais do que medir sucesso apenas por views, a plataforma se consolida como uma infraestrutura central da cultura digital e do consumo audiovisual.

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