Udio e UMG enfrentam pressão da MCNA por transparência após acordo
Udio e Universal Music voltam ao centro do debate da música gerada por IA, com questionamentos da MCNA sobre o acordo e seu impacto para criadores.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
A discussão sobre licenciamento de IA na música voltou a ganhar força depois que a Music Creators North America (MCNA) questionou o que chamou de ‘falta de transparência’ no acordo entre a Udio e a Universal Music Group (UMG). O entendimento da entidade é que, sem acesso ao contrato completo, não há como avaliar de forma realista o impacto do modelo de opt-in prometido para criadores.
O movimento ocorre no mesmo momento em que a base de usuários da Udio reage ao bloqueio temporário de downloads de faixas geradas na plataforma, uma consequência direta das novas exigências impostas pela parceria com a UMG. Entre insatisfações da comunidade, pedidos de clareza e disputas sobre limites éticos e comerciais, o caso se tornou um símbolo das tensões que impactam o futuro das ferramentas de IA generativa.
Pressões por clareza no acordo
Universal Music Group e Udio chegam a acordo em processo (Crédito: Divulgação)
A MCNA detalhou suas preocupações em um comunicado, afirmando que não aceita garantias verbais antes de analisar o documento integral do acordo. A entidade representa organizações como a Songwriters Guild of America e a Society of Composers & Lyricists, o que aumenta o peso da cobrança.
A coalizão criticou especialmente a ideia de que a aceitação do novo modelo dispensaria a transparência. A declaração enviada pela MCNA sintetiza essa posição:
“Os litigantes e seus apoiadores aparentemente acreditam que, como o acordo supostamente exigirá o consentimento opcional dos criadores para torná-los sujeitos aos termos futuros de licenciamento acordados, a transparência total no momento permanece desnecessária.”
O texto segue em tom de alerta:
“Nós discordamos totalmente e permanecemos apreensivos de que tais endossos às cegas sejam evidências de uma estratégia agressiva de pressão de mercado pelos litigantes para cortar a discussão pública sobre os aspectos menos vantajosos do acordo para compositores, letristas e artistas enquanto ainda existe a oportunidade para tais criadores terem uma participação significativa.”
A entidade afirma que só será convencida da eficácia do modelo se tiver acesso ao contrato por completo:
“As experiências passadas com garantias orais de conglomerados multinacionais de música que não se mostraram totalmente precisas tornaram as comunidades de criadores de música e artistas altamente sensíveis a promessas sem prova.”
A MCNA reforçou ainda a necessidade de medidas concretas para proteger quem cria música. No comunicado, a organização afirmou que defende “proteções de IA generativa” capazes de preservar “a viabilidade da criação musical”.
As medidas defendidas incluem “regulamentações nacionais” que obriguem modelos a manter registros de uso de obras, padrões de mercado para obrigar a divulgação pública de termos de licenciamento, tecnologias que identifiquem obras presentes em saídas geradas por IA, uma clarificação urgente do conceito de fair use (uso justo) e o fortalecimento de direitos de imagem.
Revolta dos usuários e resposta da Udio
Enquanto enfrenta pressões externas por transparência, a Udio também lida com críticas de sua comunidade. Após bloquear imediatamente o download de faixas geradas na plataforma, os usuários reagiram com protestos, incluindo composições críticas que chegaram a ocupar a página inicial do serviço.
Para tentar aliviar a crise, a empresa publicou um comunicado oficial:
“Não vamos usar palavras complicadas: odiamos o fato de que não podemos oferecer downloads agora. Sabemos a dor que isso causa a vocês e lamentamos que tenhamos tido que fazer isso.”
O texto reforça que a decisão é consequência direta do acordo com parceiros, incluindo a UMG:
“A Udio é uma empresa pequena que opera em um espaço incrivelmente complexo e em evolução, e acreditamos que fazer parceria diretamente com artistas e compositores é o caminho a seguir. Para facilitar essa parceria, tivemos que desativar os downloads.”
A empresa informou ainda que negociou uma exceção temporária com seus parceiros:
“Uma janela de 48 horas para todos os usuários baixarem suas músicas existentes.”
Mesmo assim, a reação não foi uniforme. Comentários acusando a plataforma de “roubo” ganharam visibilidade, embora exponham um desconhecimento sobre o debate envolvendo treinamentos de IA com catálogos produzidos por artistas e editoras sem autorização prévia.
Caminhos para o futuro da música com IA
Crédito: Freepik
O episódio deixa evidente que acordos entre grandes grupos musicais e empresas de IA geram efeitos complexos. De um lado, há a busca por segurança jurídica e modelos de remuneração. De outro, surgem conflitos com comunidades que impulsionaram essas plataformas desde o início.
A posição da MCNA sinaliza que a pressão por contratos mais transparentes deve crescer. Já a reação da base de usuários indica que ajustes estruturais podem ter um custo reputacional elevado para empresas como a Udio. O setor agora observa os desdobramentos, conscientes de que cada nova negociação funciona como um teste para modelos futuros de licenciamento de IA na música.
Em comunicado ao Financial Times, Sony Music afirma que solicitou às plataformas a remoção de mais de 260 mil faixas até o final de setembro, representando quase o dobro das faixas retiradas em março
05 de outubro de 2026
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