A monetização por trás de trilhas criadas para jogos de videogame não deveria acabar a partir do momento em que um jogo é descontinuado ou perde o hype. Ou, ao menos, não deveria funcionar assim. É essa a premissa que sustentou os argumentos do painel “Por Trás da Aquisição: Royalties Vitalícios para Compositores de Jogos”, um dos que movimentou a GameSoundCon 2026, conferência que aconteceu nos últimos dias 20 e 21 em Burbank, Califórnia, nos Estados Unidos.
Trilha para jogos é “o maior ativo não monetizado da indústria do entretenimento”, aponta painel da GameSoundCon 2026
Painel da GameSoundCon, conferência que aconteceu na semana passada na Califórnia, jogou luz aos desafios enfrentados pelos compositores de músicas para jogos no cenário atual

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O portal Digital Music News e a gravadora Materia Music se uniram para um artigo que reflete sobre questões de sobrevivência para os compositores de músicas para jogos na cena de hoje. “A indústria de videogames está sentada em uma montanha de ouro e eles estão jogando terra por cima”, destacou um dos palestrantes do painel, que jogou luz sobre o potencial de monetização para esse grupo, que é muito menos limitado do que se põe em prática hoje. “Quando a publicação para videogames se torna um ativo, ela pode ser usada como garantia para empréstimos, alavancada, vendida, monetizada e incorporada aos orçamentos dos jogos”, alertou o mesmo especialista.
Trilha para jogos: um valor que vai além da aquisição dos direitos autorais
Logo ao início do painel, Sebastian Wolff, CEO da Materia Music, que atuou como mediador do painel, já entregou a mensagem principal aos compositores de trilhas para jogos presentes no salão. “Certifiquem-se de planejar a longo prazo, pensando em décadas, e de realmente maximizar o valor da sua música, talvez até mesmo além da aquisição dos direitos autorais”, alertou. Em outro momento da conferência, a questão contratual veio à tona: “Seu contrato definirá se você receberá ou não royalties, porque haverá diferentes formas de rescisão”.
O especialista chamou atenção para outras formas de ser remunerado dentro desse escopo, maneiras essas que fogem aos olhos e do planejamento dos profissionais que ganham dinheiro com isso. Um outro palestrante chamou atenção para “uma crescente fonte de renda proveniente de apresentações ao vivo para compositores de jogos”. O especialista continuou: “Concertos orquestrais para videogames estão em constante turnê, e obras registradas podem gerar royalties locais de execução pública nessas turnês”.
“Argumentou-se que o sistema atual espera que o dinheiro apareça em vez de ir atrás dele […]. ‘A estrutura e a rede de acordos recíprocos são mais reativas do que proativas’, afirmou [um dos palestrantes]. Com cerca de 140 sociedades de gestão coletiva em todo o mundo, cada uma com seu próprio banco de dados, obras não registradas podem simplesmente ficar sem pagamento. Ele não poupou palavras sobre quem resolverá isso: ‘[os estúdios] existem para vender videogames. Eles não estão lá para arrecadar dinheiro com direitos autorais musicais’. Sua conclusão para compositores que não controlam seus direitos foi que ‘se precisa se tornar seu próprio policial, ou estará deixando dinheiro na mesa'”, destacou a publicação.

Direitos autorais de execução pública para trilhas de jogos
A abrangência de músicas encomendadas para jogos nas diretrizes de execução pública também foi pauta na GameSoundCon. O artigo trouxe que “as sociedades de gestão coletiva licenciam músicas em todos os lugares onde elas são ouvidas, desde serviços de streaming até o bar da esquina […]. Qualquer lugar onde sua música seja ouvida publicamente é um direito de execução pública”.
Além de traçar comparativos entre o mercado de trilhas para videogames e a indústria musical como um todo, palestrantes do painel também utilizaram do recorte do mercado de trilhas para cinema e TV, como comparação. “Você paga uma assinatura, o conteúdo é transmitido de um servidor, chega à sua casa e você decide o que vai assistir […]. No entanto, compositores de trilhas sonoras para cinema e TV recebem direitos autorais de execução pública, enquanto compositores de trilhas sonoras para jogos, em sua maioria, não”, pontua a publicação.
Um dos palestrantes que guiaram o painel frisou que a luta para alcançar uma realidade de remuneração mais justa e longeva aos compositores de trilhas para jogos não deveria ser conflituosa. “Não se trata de compositores contra editoras. Não se trata de compositores contra desenvolvedores. Não é um problema de nós contra eles”, refletiu.
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