A Suno acaba de divulgar um número que muda o tom da conversa sobre inteligência artificial na música. A plataforma chegou a 2 milhões de assinantes pagos e atingiu US$ 300 milhões em receita anual recorrente. Em um mercado que ainda discute se existe modelo sustentável para esse tipo de ferramenta, a Suno apresenta uma resposta em cifras.
Os dados foram compartilhados pelo cofundador e CEO Mikey Shulman em publicação no LinkedIn. Segundo ele, mais de 100 milhões de pessoas já usaram a ferramenta desde o lançamento, em 2023. Ou seja, estamos falando de uma base massiva de experimentação, que agora começa a se converter em dinheiro de fato.
De curiosidade tecnológica a negócio de US$ 300 milhões
Ao anunciar o marco, Mikey Shulman afirmou:
“Mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo usaram a Suno, de amantes da música a vencedores do Grammy. Alcançamos um novo marco: 2 milhões de assinantes pagos, US$ 300 milhões em receita anual recorrente.”
Isso significa que cerca de 2% de todos que já testaram a plataforma decidiram pagar por ela. Pode parecer pouco, mas em modelos freemium essa taxa está longe de ser irrelevante. E o número pode ser maior entre usuários ativos, já que os 100 milhões incluem curiosos que entraram uma vez e não voltaram.
Há três meses, a Billboard informava que a Suno tinha 1 milhão de assinantes pagos e receita anual de US$ 200 milhões. Dobrar a base paga e acrescentar US$ 100 milhões em ARR em tão pouco tempo mostra ritmo acelerado.
Outro dado chama atenção: os usuários da plataforma estariam gerando cerca de 7 milhões de músicas por dia. Em volume bruto, isso equivale a recriar o catálogo inteiro disponível no Spotify a cada duas semanas. É uma escala que inevitavelmente pressiona o debate sobre direitos autorais, remuneração e saturação de plataformas.
“Todo mundo usa, mas ninguém quer admitir”

Além dos números, Shulman tem adotado um discurso mais direto sobre o papel da Suno no mercado. Em entrevistas recentes, ele comparou o uso da ferramenta a um fenômeno silencioso da cultura pop: algo que muita gente utiliza, mas prefere não declarar publicamente.
A ideia é simples. Segundo o CEO, a ferramenta já faz parte do dia a dia de compositores, produtores e até artistas estabelecidos, mesmo que nem todos assumam isso abertamente. A comparação feita por ele foi com o Ozempic na indústria farmacêutica: um produto amplamente usado, mas cercado de constrangimento público.
O argumento é que a criação assistida por IA estaria se tornando rotina nos bastidores, seja para testar ideias, gerar demos rápidas ou explorar referências sonoras. A resistência pública, nesse cenário, conviveria com adoção prática.
Processos, acordos e tensão aberta
O crescimento da Suno acontece em meio a disputas judiciais com a Recording Industry Association of America (RIAA) e grandes gravadoras como Warner Music Group, Sony Music Entertainment e Universal Music Group, que alegam uso indevido de obras protegidas no treinamento dos modelos.
A Warner fechou acordo com a empresa no fim de 2025 para desenvolver modelos licenciados e oferecer aos artistas controle sobre nome, voz e imagem em conteúdos gerados por IA. Sony e Universal seguem com processos ativos.
Em resposta às críticas, a Suno já comparou o treinamento de seus sistemas ao aprendizado humano, afirmando que é como “uma criança aprendendo a escrever novas músicas de rock ao ouvir religiosamente músicas de rock”.
Do outro lado, entidades como Music Artists Coalition, European Composer and Songwriter Alliance e Artist Rights Institute lançaram a campanha “Diga Não à Suno”. Em carta aberta, acusam a empresa de “se utilizar a produção cultural do mundo sem permissão” e de inundar plataformas com conteúdo gerado por IA, diluindo o pool de royalties.
Enquanto isso,os serviços de streaming também reagem. A Deezer informou que recebe cerca de 60 mil faixas geradas por IA por dia e que parte relevante das execuções desse tipo de conteúdo pode estar associada a fraude. O Apple Music anunciou que dobrou as penalidades para manipulação artificial de streams.
Com 2 milhões de assinantes pagos e US$ 300 milhões em receita anual recorrente, a Suno deixa de ser apenas tema de debate ético e passa a ser um player com peso financeiro real. A pergunta agora não é mais se existe demanda. É como o setor vai lidar com ela.
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