Splice se une ao Universal Music Group para desenvolver ferramentas de IA voltadas a artistas

A parceria entre Splice e UMG aposta em instrumentos virtuais e fluxos de trabalho com IA.
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Nathália Pandeló
Universal Music Group e Splice firmam parceria
Universal Music Group e Splice firmam parceria (Crédito: Divulgação)

O Splice anunciou uma nova parceria estratégica com o Universal Music Group para o desenvolvimento da próxima geração de ferramentas de criação musical baseadas em inteligência artificial. O acordo marca mais um passo da maior gravadora do mundo na construção de um ecossistema de IA que, segundo as empresas, busca conciliar inovação tecnológica, controle criativo e respeito à propriedade intelectual.

O Splice, plataforma amplamente usada por produtores, compositores e artistas em diferentes estágios de carreira, passa a trabalhar com a Universal no que foi definido como uma “exploração conjunta” de ferramentas comerciais de IA. A ideia central é desenvolver produtos que não substituam o processo criativo humano, mas funcionem como extensões das decisões artísticas, com alta fidelidade sonora e participação ativa dos próprios artistas da gravadora.

Desde o início, a startup de tecnologia aparece associada a uma abordagem mais cautelosa em relação à IA generativa. A parceria com o Universal Music Group segue essa linha, em um momento em que o mercado musical global tenta equilibrar oportunidades tecnológicas com preocupações cada vez mais presentes sobre direitos autorais, remuneração e uso de catálogos no treinamento de modelos.

Splice e UMG apostam em ferramentas com controle criativo

Segundo o comunicado oficial, Splice e Universal Music Group estão construindo um roteiro de desenvolvimento de ferramentas comerciais de IA “enraizadas no controle criativo e na excelência sonora”. Na prática, isso significa soluções que permitam aos artistas trabalhar com inteligência artificial sem abrir mão da autoria, da identidade sonora e da tomada de decisão artística.

Um dos focos principais da parceria está no desenvolvimento de instrumentos virtuais baseados em IA. A proposta é que artistas do catálogo da UMG possam levar seus próprios sons para os fluxos de trabalho de IA do Splice. Em vez de gerar músicas completas ou catálogos artificiais, a tecnologia funcionaria como um meio de reorganizar, manipular e explorar materiais criados pelos próprios artistas.

O Universal Music Group destacou que seus artistas devem ter um “papel central” no processo de desenvolvimento desses produtos. A ideia é que músicos e produtores participem ativamente dos testes e da definição de funcionalidades, ajudando a dar forma a ferramentas que façam sentido dentro do estúdio e do processo criativo real, e não apenas como demonstrações tecnológicas.

Interface do Splice Instrument
Interface do Splice Instrument (Crédito: Divulgação)

Splice amplia atuação após compra da Spitfire Audio

A parceria com o Universal Music Group chega pouco tempo depois de um movimento relevante do Splice no mercado. Em abril, a empresa concluiu a aquisição da Spitfire Audio, biblioteca britânica de instrumentos virtuais usada por compositores de trilhas, produtores e músicos profissionais. O negócio foi avaliado em cerca de US$ 50 milhões e marcou a entrada mais firme do Splice no universo de instrumentos virtuais de alto nível.

Pouco depois da aquisição, o Splice lançou oficialmente sua plataforma de instrumentos virtuais, com mais de 1.200 presets tocáveis disponíveis já no lançamento. Esse contexto ajuda a entender por que os instrumentos baseados em IA aparecem como um dos pilares da parceria com a UMG.

O Splice foi avaliado em aproximadamente US$ 500 milhões em 2021, após uma rodada de investimento liderada pelo Goldman Sachs. Desde então, a empresa tem investido em ferramentas integradas a estações de trabalho de áudio digital, além de recursos de busca inteligente de samples e organização de sons dentro do fluxo criativo.

“Estamos empolgados em formar essa aliança com o Splice para promover o alinhamento entre inovação e ética, atendendo aos interesses da comunidade criativa ao usar ferramentas de IA de ponta para apoiar a expressão artística. Esperamos trabalhar com Kakul Srivastava e sua equipe nessa frente estratégica de tecnologia”, declarou Michael Nash, EVP e Chief Digital Officer do Universal Music Group.

Do lado do Splice, a CEO Kakul Srivastava reforçou o discurso de controle e remuneração justa.

“Passamos tempo desenvolvendo ferramentas de IA pensadas para compensar criadores de forma justa e mantê-los no controle.”

Ela também destacou o histórico de colaboração com a gravadora.

“Somos gratos pelo apoio contínuo da Universal e estamos animados em trabalhar juntos para colocar essas ferramentas comerciais nas mãos de artistas do mundo todo, com confiança no resultado final.”

A parceria também se conecta a um compromisso anterior. Em junho de 2024, o Splice se juntou ao Universal Music Group e a outros players do setor como signatário dos “Princípios para Criação Musical com IA”, conjunto de diretrizes que defendem o uso responsável, transparente e ético da inteligência artificial na música, com foco em empoderar criadores humanos, e não substituí-los.

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