O Selo Massa chega ao mercado brasileiro de vinil com uma proposta bem definida: abrir mais espaço para artistas e repertórios populares no formato físico. A iniciativa nasce dentro da plataforma Três Selos Rocinante e mira um catálogo que passe por pagode, sertanejo, forró, brega, funk e pop, em um momento em que o disco volta a ganhar peso entre fãs, colecionadores e projetos editoriais da música.
A estreia já indica o caminho que a label pretende seguir. O primeiro lançamento será um título do Sorriso Maroto, grupo que está perto de completar 30 anos de carreira e reúne bilhões de reproduções nas plataformas. O disco chega em 29 de abril e marca a entrada oficial do grupo no universo do vinil por meio da nova marca.
Para além do anúncio de um novo selo, o movimento chama atenção por mirar um pedaço do mercado que ainda aparece menos do que poderia no formato. Nos últimos anos, o vinil voltou a crescer no Brasil e no exterior, mas grande parte da conversa em torno desse mercado ainda costuma girar em torno de catálogos clássicos, rock, jazz ou edições de nicho. O Selo Massa tenta deslocar esse eixo e aproximar o vinil dos gêneros que dominam a escuta brasileira hoje.
A estreia com Sorriso Maroto e a proposta do selo

O pontapé inicial do Selo Massa com o Sorriso Maroto não parece casual. O grupo formado por Bruno Cardoso, Sergio Jr., Cris Oliveira, Vinícius Augusto e Fred Araújo é um nome de alcance nacional, com trajetória consolidada e presença forte no consumo digital. Ao escolher um grupo de pagode para o primeiro lançamento, o selo sinaliza que quer conversar com um público amplo, acostumado ao streaming, mas interessado em ter uma edição física de artistas que fazem parte do seu dia a dia.
A curadoria do projeto é assinada por Rafael Cortes, Andreza Portela, Márcio Rocha, João Noronha e Mateus Mondini. A ideia é trabalhar obras de diferentes estilos e regiões do país com o cuidado gráfico e editorial que o formato permite. Em outras palavras, o selo quer levar para o vinil artistas que muitas vezes lotam shows, lideram execuções e dominam rankings, mas ainda não aparecem com frequência nas prateleiras de discos.
Bruno Vieira, CEO da Rocinante, resume a aposta do projeto em uma fala que conecta experiência de escuta e comportamento do público.
“O vinil deixou de ser apenas nostalgia e voltou a ocupar um lugar importante na experiência de ouvir música com propósito, ‘disconectado’. Ele aproxima o fã do artista, dá materialidade além do digital e transforma o álbum em algo para guardar e colecionar.”
Na visão do executivo, o apelo do formato também conversa com a força da música nacional no consumo do país.
“Outro ponto importante é que o brasileiro é apaixonado por música, especialmente por música brasileira. Segundo dados da Pro-Música Brasil, 94% das 50 músicas mais tocadas no país em 2025 são nacionais. É um número que reforça a importância de ampliar o espaço desses repertórios também no vinil.”
O momento do vinil e o espaço para gêneros populares no Selo Massa

O lançamento do Selo Massa acontece em meio a uma nova fase do vinil no Brasil. Segundo dados da Pro-Música Brasil, o mercado de LPs cresceu 25,6% em 2025 e movimentou uma receita estimada em R$ 24 milhões. É um avanço que ajuda a explicar por que novos projetos editoriais, clubes de assinatura e selos vêm tentando ocupar nichos mais específicos dentro do formato.
No contexto internacional, o relatório de 2025 da IFPI, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, apontou o peso do vinil dentro do mercado de mídia física. De acordo com o levantamento, o formato respondeu por 13,7% do crescimento das receitas físicas, que somaram US$ 5,3 bilhões. O dado ajuda a mostrar que o disco deixou de ser apenas um item de memória afetiva para virar também uma peça de estratégia na relação entre artistas e público.
É nesse ponto que a proposta do selo tenta se diferenciar. Em vez de tratar o vinil como um objeto voltado só a colecionadores de catálogo histórico, a marca quer aproximá-lo dos artistas que hoje mobilizam grandes audiências no Brasil. Isso inclui gêneros que lotam casas de shows, dominam playlists e circulam com força nas redes, mas que ainda têm presença menor na cadeia do disco físico.
Rafael Cortes, um dos curadores do projeto, resume essa leitura ao defender uma abertura maior de repertório dentro do formato.
“Queremos que grandes nomes da música popular brasileira, de diferentes estilos e regiões, do brega ao sertanejo, do forró ao pagode e ao pop, também tenham suas obras lançadas com o cuidado que o vinil permite. Isso fortalece a preservação desses trabalhos e amplia o acesso de fãs e colecionadores a uma diversidade maior de discos. Afinal, música é massa.”
Mesmo operando de forma independente, o selo nasce integrado à estrutura da Três Selos Rocinante. Quem já faz parte do clube de assinatura terá 10% de desconto nos títulos e poderá receber esses lançamentos junto com outros discos da plataforma, o que ajuda a organizar a logística para o público colecionador.
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