O Rio2C 2026 chega à oitava edição propondo uma pergunta direta ao setor criativo: como gerar sentido em um mundo dominado por tecnologia e excesso de informação? De 26 a 31 de maio, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, o evento aposta no tema “Code of Meaning” para reunir artistas, executivos, roteiristas, pesquisadores e marcas em torno de um debate que atravessa cultura, negócios e inovação.
Ao longo de seis dias, o Rio2C mantém sua estrutura dividida entre Summits, Conferência, Mercado e Festivalia, mas aumenta ainda mais o protagonismo da música dentro da programação. Em às mudanças profundas na indústria musical impulsionadas por inteligência artificial, novas formas de monetização e transformação no consumo ao vivo, o Rio2C assume um papel estratégico ao conectar criadores e líderes globais em um mesmo território.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a economia criativa responde por cerca de 3% do PIB global e emprega milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, esse ecossistema tem na música um dos seus pilares mais dinâmicos, tanto na exportação cultural quanto na geração de receita em plataformas digitais e no mercado de shows.
“Vivemos um momento em que a tecnologia avança mais rápido do que a nossa capacidade coletiva de refletir sobre seus impactos. Nunca tivemos acesso a tanta informação e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil encontrar sentido. Em uma era de algoritmos e IA generativa, o maior diferencial humano continua sendo a capacidade de imaginar e atribuir significado. O Rio2C propõe esse espaço de reflexão, onde criadores e pensadores ajudam a sociedade a compreender o que realmente importa — porque criar hoje é, acima de tudo, assumir responsabilidade sobre o mundo que estamos ajudando a construir”, pontua Rafael Lazarini, idealizador do Rio2C e fundador da Da20, empresa responsável pela realização do evento.
Música em destaque no GlobalStage do Rio2C
O GlobalStage do Rio2C concentra alguns dos encontros mais aguardados da programação e coloca a música em diálogo direto com televisão, audiovisual e plataformas digitais. Entre os nomes confirmados estão João Gomes, fenômeno do forró piseiro, em uma conversa promovida pelo Mundo da Música; Zeca Pagodinho; Alcione; Iza e executivos internacionais que discutem comportamento de consumo e modelos de distribuição.
O painel que reúne João Gomes em entrevista exclusiva revisita sua trajetória e analisa como o piseiro ganhou escala nacional e digital em poucos anos. Já Alcione e Iza dividem mesa com a jornalista Aline Midlej para refletir sobre gerações distintas da música brasileira e os desafios enfrentados por artistas mulheres em diferentes contextos históricos.
Outro encontro que chama atenção é o de Tony Archibong, managing director do YouTube, que participa da programação do StoryVillage. Com experiência em estratégias de distribuição e comportamento de audiência, o executivo deve abordar como plataformas estruturam novos formatos narrativos e monetizam conteúdos musicais em múltiplos ambientes.
Soundbeats e os bastidores da indústria musical

Se o GlobalStage conecta música a outros setores, os palcos Soundbeats, Soundbeats II e Soundbeats III aprofundam os debates específicos da indústria. A grade contempla desde direitos autorais até a dinâmica de festivais, turnês e construção de carreiras independentes.
No Soundbeats, a diretora geral de Américas da Believe, Alejandra Olea, analisa a ascensão de gêneros como sertanejo, forró e piseiro nas plataformas de streaming. A discussão passa por novos modelos de carreira e pelo papel das distribuidoras digitais na estruturação de artistas. O produtor Papatinho também participa de painel sobre a presença crescente de artistas latinos nos rankings brasileiros.
Já no Soundbeats II, o foco recai sobre live experience. A empresária Flora Gil discute transformações no empresariamento artístico, enquanto Marco Mioto traça um panorama do sertanejo como fenômeno econômico. A promoter Carol Sampaio aborda networking e bastidores do entretenimento, tema cada vez mais relevante em um mercado movido por conexões estratégicas.
O Soundbeats III, realizado em parceria com o Mundo da Música, aposta em conversas diretas e Q&As com artistas e executivos. O palco recebe o fenômeno infantil Mundo Bita, além de nomes como Carol Biazin, Edcity e Tatiana Cantinho, da Som Livre. A proposta é aproximar público e mercado em um formato mais dinâmico.
Mercado, negócios e impacto econômico

Um dos pilares do Rio2C é o eixo de Mercado, que movimenta centenas de milhões de reais em rodadas de negócios, pitchings e premiações. Produtores, artistas e criadores apresentam projetos a players nacionais e internacionais em reuniões exclusivas.
As rodadas funcionam como ponte entre ideias e financiamento. Já os pitchings colocam projetos sob avaliação de bancas compostas por executivos e investidores, aumentando a visibilidade de conteúdos que podem se transformar em séries, álbuns, festivais ou soluções tecnológicas.
Em 2025, o Rio2C reuniu mais de 55 mil pessoas, 2.088 palestrantes e participantes de 39 países. Para 2026, a expectativa é manter o crescimento e fortalecer a presença institucional, com destaque para o Foro Ibero-Americano de Vice-Ministros e Altas Autoridades de Cultura, que será sediado pela primeira vez no encontro.
Ao colocar a música como um dos centros das conversas sobre inovação, tecnologia e impacto social, o Rio2C 2026 reforça sua posição como ponto de convergência entre criação artística e estratégia de mercado. Mais do que discutir tendências, o evento se consolida como espaço onde decisões são tomadas, parcerias são formadas e a indústria criativa brasileira dialoga com o mundo.
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