Rael escolheu um caminho pouco comum para apresentar seu novo álbum, “Nas Profundezas da Onda”. Em vez de apostar em um evento fechado ou em uma campanha digital tradicional, o artista reuniu fãs para uma corrida coletiva de 5 km em São Paulo, onde o disco foi ouvido de forma sincronizada do início ao fim.
A ação, batizada de AUDISOMOS, parte de um elemento central na estratégia: transformar a audição em experiência física. Durante o percurso, os participantes ouviram o álbum ao mesmo tempo, conectados por fones, enquanto dados biométricos eram captados ao longo das faixas para mapear a reação do corpo à música.
Mais do que uma ativação, o projeto aponta para um movimento maior do mercado. Em um cenário em que o lançamento digital se tornou padronizado, experiências que geram conexão real passam a ocupar um papel estratégico na forma como a música é apresentada.
Para Rael, a estratégia nasce da vivência e ganha força narrativa
O ponto de partida do AUDISOMOS ajuda a explicar sua consistência. Em vez de criar um conceito externo para promover o álbum, a estratégia foi construída a partir de uma prática já presente na vida do artista, o que dá coerência à ação e facilita a identificação do público.
Rael explica que essa relação foi determinante para o desenvolvimento da ideia e para a forma como ela foi estruturada desde o início.
“Eu acho que o pensamento estratégico foi estruturado a partir da verdade, porque a corrida é uma verdade minha. Eu corro há muitos anos, mais de 10, sou meio maratonista, e essa vivência dentro da corrida me trouxe esses insights. Inclusive, foi daí que surgiu a ideia da Audisomos, esse conceito de audição em movimento, coletiva. Quando parte de algo verdadeiro, as pessoas se conectam, se sentem prestigiadas por fazer parte. E como é algo novo, isso também gera curiosidade, uma sensação diferente.”
A partir disso, a proposta deixa de ser apenas criativa e passa a operar como extensão da identidade do artista. Essa leitura também orientou o trabalho da Moving Comunicação. A fundadora Andressa Sgarzi destaca que a intenção era evitar uma ação desconectada do projeto musical e construir algo que fizesse parte da narrativa do álbum.
“O pensamento estratégico do AUDISOMOS nasceu justamente da vontade de fazer o lançamento existir como experiência e não só como comunicação. A gente partiu do conceito central de Nas Profundezas da Onda e transformou essa ideia de “onda” em vivência real. Não interessava criar uma ação solta, chamativa, mas desconectada do disco. O que queríamos era materializar o universo do álbum em um gesto coerente com o momento artístico do Rael. O projeto fala de mergulho, de profundidade, de uma travessia mais consciente, com luz e sombra, celebração e reflexão. A corrida entrou como capítulo vivo dessa narrativa.”
Ao transformar o conceito do disco em vivência, a estratégia de Rael cria um vínculo mais direto entre obra e público.
Escuta em movimento reposiciona o consumo

O AUDISOMOS também responde a uma questão central do mercado atual: a forma como a música é consumida. Com o streaming, a escuta se tornou mais acessível, mas também mais dispersa e, muitas vezes, passiva. O projeto tenta inverter essa lógica ao trazer o corpo para o centro da experiência.
Rael reforça que esse era um dos objetivos principais ao propor o formato.
“A gente queria captar a conexão entre a ideia, as instrumentais, o ritmo, os BPMs das músicas. Queria entender o que cada pessoa sentia em cada momento, com cada faixa, com cada mensagem. Quando você faz isso em movimento, na rua, a forma de absorver é totalmente diferente. A audição tradicional pode acabar sendo algo meio parado, até um pouco chato. Então a proposta foi justamente essa: colocar as pessoas em movimento para captar uma reação mais espontânea. E isso é muito subjetivo. Teve gente que se conectou mais com as palavras, outros com as melodias, outros com momentos específicos. Era exatamente esse tipo de resposta que a gente queria ouvir.”
Nesse contexto, a música deixa de ser apenas algo ouvido e passa a ser sentida de forma física, acompanhando o ritmo da corrida. Essa mudança também impacta a forma como o público se relaciona com o lançamento. Ao ouvir o álbum de Rael de forma coletiva, no mesmo tempo e espaço, os participantes compartilham reações e criam uma experiência comum, algo que dificilmente acontece no consumo individual das plataformas.
Na visão de Andressa Sgarzi, esse deslocamento é parte central da estratégia. Isso amplia a capacidade do lançamento de gerar memória e conexão.
“A gente queria deslocar a escuta de um lugar passivo para um lugar de experiência. Em vez de ouvir o disco parado, num ambiente controlado e previsível, a proposta era fazer o público sentir o álbum em movimento, com o corpo atravessado por ele. O conceito era justamente esse: a música entra pelo ouvido, mas a resposta aparece no coração. Ouvir correndo transforma a audição em sensação física, em respiração, em ritmo, em presença.”
Dados transformam reação em narrativa
Outro elemento que diferencia o AUDISOMOS está na coleta de dados biométricos durante a corrida. Ao monitorar indicadores como batimentos cardíacos e variação de ritmo, o projeto busca entender como cada faixa impacta o corpo dos participantes.
Rael explica que essa leitura foi pensada desde o início como parte da experiência. Essa observação permite cruzar música e resposta física de forma direta.
“Os dados vieram justamente para captar essa reação. Em cada momento a gente sabia qual música estava tocando, como o batimento cardíaco estava respondendo, se o pace aumentava ou diminuía. A corrida tem muito essa relação com a batida da música. Eu mesmo corro muito guiado por isso. Então a ideia era cruzar esses parâmetros para entender o que cada faixa causava no corpo, em tempo real.”
Para a Moving Comunicação, esses dados não são meramente um recurso tecnológico, mas também uma forma de construir narrativa.
“A lógica era entender como a música e a experiência coletiva afetavam diretamente o funcionamento do corpo. A gente quis transformar percepção em evidência sensível. Se cada faixa produz uma emoção, o corpo responde a isso antes mesmo da elaboração racional. Por isso a mensuração biométrica não entra como adereço tecnológico, mas como ferramenta para capturar essa resposta física do público em tempo real. O coração responde antes da mente explicar.”
Com isso, o lançamento de Rael ganha novas camadas de leitura, indo além das métricas tradicionais como número de plays. Esse tipo de informação pode ser desdobrado em conteúdos que mostram, por exemplo, quais faixas geraram mais intensidade ou como o público reagiu ao longo do álbum.
Marcas entram como parte da experiência

A presença de marcas no AUDISOMOS segue uma lógica diferente do modelo tradicional de patrocínio. Em vez de inserções pontuais, cada parceiro foi integrado à experiência de forma funcional, contribuindo diretamente para sua execução.
Rael destaca que essa construção foi pensada a partir das necessidades reais do projeto.
“As marcas foram pensadas de forma orgânica, a partir do que a gente realmente precisava para a experiência. Não foi uma coisa forçada. A Red Bull, por exemplo, já tem essa relação com o esporte, com energia, com impulso. A Philips entrou com a questão do áudio, porque nem todo mundo tem um fone de qualidade, então era importante garantir que todo mundo ouvisse a mesma coisa, com a mesma experiência. A Oakley também faz parte do meu dia a dia, eu corro de óculos, então fez sentido trazer isso. E a Meta entrou para registrar o que eu estava vendo, minha visão da corrida com as pessoas ali. Foi tudo muito natural, muito conectado com a vivência.”
O alinhamento ajuda a reduzir a sensação de publicidade e aproxima as marcas da vivência do público. Esse tipo de abordagem aponta para um modelo em que branding, narrativa e utilidade caminham juntos. Quando a marca cumpre um papel dentro da experiência, ela passa a ser percebida como parte da ação, e não como um elemento externo.
Andressa Sgarzi detalha como essa lógica foi aplicada na prática, evitando que as marcas fossem percebidas como interferência na experiência.
“A entrada das marcas foi pensada em detalhe para que cada uma ocupasse uma função orgânica dentro da experiência. A lógica não foi encaixar logos em uma ação já pronta, mas desenhar papéis narrativos e funcionais para cada parceiro a partir do que a vivência exigia. Quando a marca tem função dentro da história, ela deixa de parecer inserção forçada e passa a operar como parte da experiência, e foi isso que garantiu que o projeto nascesse com cara de cultura, e não de publicidade.”
Experiência como resposta à saturação
O AUDISOMOS surge em um momento em que o volume de lançamentos nas plataformas é cada vez maior, o que torna mais difícil gerar atenção e engajamento. Nesse contexto, a criação de experiências passa a ser uma estratégia para diferenciar projetos.
Rael conecta essa iniciativa a um movimento que já vinha explorando em trabalhos anteriores.
“Eu acredito que esse tipo de ação é um diferencial para quem quer se destacar num meio cada vez mais saturado. Lá atrás, quando as plataformas digitais chegaram com força, por volta de 2014, todo mundo falava ‘lancei meu disco, vai lá ouvir’. Eu não queria fazer isso. Eu criei um projeto chamado ‘música sai da parede’, em que espalhei pontos nas cidades onde as pessoas plugavam o fone e ouviam o disco direto dali. Isso levou a música para a rua. O AUDISOMOS tem um pouco dessa mesma lógica, de conectar a música com o que está acontecendo no ambiente, com a realidade. Acho que quando você sai desse ciclo tradicional de lançamento, você acaba se destacando.”
Ao buscar caminhos fora desse padrão, o artista aposta em formatos que criam conexão mais direta com o público. A leitura da Moving Comunicação segue na mesma direção.
“Eu vejo esse tipo de ação como um caminho muito relevante para reposicionar lançamentos porque ele responde a uma urgência real do mercado: a saturação de formatos, estímulos e conteúdos vazios. Hoje, lançar música não pode ser apenas publicar uma capa, soltar uma prévia e esperar reação. É preciso criar contexto, experiência, memória e conversa em torno da obra. Isso está totalmente alinhado com a forma como a gente pensa estratégia na Moving: comunicação como extensão da obra, não como ruído promocional.”
Isso indica uma mudança na lógica do lançamento, que deixa de ser apenas distribuição e passa a envolver construção de percepção.
O próprio formato do AUDISOMOS aponta para continuidade, com possibilidade de adaptação para outras cidades e novos contextos. Mais do que um evento pontual, a ação sinaliza um caminho em que a música deixa de ser apenas consumida e passa a ser vivida.
Andressa Sgarzi resume esse movimento ao olhar para o papel desse tipo de ação dentro do mercado atual.
“O AUDISOMOS é interessante justamente porque cruza música, performance, dados e comunidade em um formato vivo e altamente compartilhável. Ele gera pertencimento, produz conteúdo orgânico e cria diferenciação real num ambiente em que quase tudo parece igual. Mais do que chamar atenção, ele constrói percepção, e hoje, num mercado saturado, percepção é um dos ativos mais valiosos de um lançamento”, conclui.
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