Napster encerra o streaming de música e assume virada total para IA em 2026

Napster confirma o fim do streaming musical e passa a operar como plataforma de IA, apostando em assistentes digitais e experiências interativas.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Página inicial do Napster confirma a mudança (Crédito: Reprodução)
Página inicial do Napster confirma a mudança (Crédito: Reprodução)

O Napster deixou oficialmente de ser um serviço de streaming de música. A virada ficou clara nos primeiros dias de janeiro, quando os usuários abriram o aplicativo e encontraram uma tela direta: o catálogo não existe mais e a empresa agora se define como uma plataforma de inteligência artificial voltada à criação e à experiência musical.

O movimento marca mais um capítulo radical na trajetória do Napster, nome que atravessa três décadas de indústria musical sempre associado à ruptura. Do peer-to-peer que sacudiu as gravadoras no fim dos anos 1990 ao streaming licenciado, a marca volta a abandonar seu produto central para apostar em um novo território, agora disputado por empresas de tecnologia e IA.

A decisão não veio acompanhada de um período de transição. As playlists ficaram inacessíveis, o player foi desativado e a própria empresa passou a orientar os usuários a migrarem seus dados para serviços concorrentes. O impacto foi imediato e expôs dúvidas sobre o futuro do Napster dentro do ecossistema musical.

Do streaming à inteligência artificial

A mensagem exibida aos usuários resume a mudança de rota do Napster:

“Nos tornamos uma plataforma de inteligência artificial para criar e vivenciar a música de novas formas. Isso significa que o catálogo de streaming e as playlists do aplicativo antigo não funcionam mais aqui.”

Na prática, isso significa que o Napster deixa de operar como DSP e passa a se apresentar como um hub de experiências baseadas em IA. O site oficial fala em descoberta musical guiada por algoritmos, playlists interativas e agentes digitais capazes de “entender o gosto musical” do usuário. Ainda assim, há poucas informações concretas sobre como o consumo de música vai acontecer nesse novo ambiente.

O encerramento do streaming ocorre menos de um ano após a aquisição do Napster pela Infinite Reality, anunciada em março de 2025 por US$ 207 milhões. Na época, o discurso era de integração gradual entre música, experiências imersivas e tecnologia. O que se viu agora foi um corte abrupto.

O que o Napster passa a vender

Napster divulga sua próxima fase
Napster divulga sua próxima fase (Crédito: Divulgação)

O novo Napster está estruturado em torno de assistentes de IA especializados, chamados de Companions. Em vez de foco direto em música, eles cobrem áreas como produtividade, carreira, aprendizado, bem-estar, programação, finanças e criação de conteúdo.

A empresa também lançou o Napster View, um hardware próprio que funciona como uma tela voltada para interações em vídeo com esses assistentes, usando efeitos de presença em 3D. Há ainda versões apenas em software, com cobrança mensal, voltadas principalmente para usuários de Mac.

O tom do material oficial é ambicioso, mas o produto se posiciona mais como uma plataforma de assistentes digitais do que como um serviço musical. A música aparece como promessa futura, ligada a experiências interativas e colaborativas, não como catálogo sob demanda.

Reações e frustrações dos usuários

O desligamento repentino do streaming gerou reação negativa em comunidades online. Relatos indicam usuários interrompidos no meio da reprodução e bibliotecas inteiras perdidas dentro do aplicativo. A empresa passou a indicar ferramentas externas, como TuneMyMusic, para exportação de playlists.

Em fóruns como Reddit, parte dos assinantes afirmou já ter abandonado o Napster meses antes, citando a retirada de catálogos e problemas de pagamento a artistas. O episódio reforçou a percepção de que o streaming já não era prioridade dentro da companhia.

Essas críticas se somam a questões ainda em aberto sobre disputas de royalties, incluindo pendências com a Sony Music, e sobre a anunciada rodada de financiamento bilionária divulgada antes da compra do serviço, que nunca foi detalhada publicamente.

Um novo “momento Napster”?

Napster Logo

O discurso interno tenta enquadrar a mudança como mais uma virada histórica da empresa. O CTO Edo Segal afirmou que o Napster vive novamente um ponto de inflexão comparável ao passado.

“Acreditamos que este é mais um momento Napster. A última vez que o Napster viveu algo assim foi quando realmente sacudiu toda a indústria de mídia.”

O Napster também vem testando quiosques de concierge com IA e experiências corporativas baseadas em modelos da Microsoft Azure OpenAI. Ainda assim, muitos desses produtos seguem em estágio inicial e longe de maturidade comercial.

Agora, o Napster deixa de disputar o streaming em um cenário dominado por poucos gigantes e passa a apostar na IA como identidade central. Se essa nova fase terá impacto real na música ou ficará restrita ao universo de assistentes digitais, é uma resposta que só 2026 deve trazer.

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