Música latina nos EUA atinge US$ 1,42 bilhão em receitas em 2024
A música latina cresce 5,8% e consolida força no mercado fonográfico americano, com streaming representando 98% do faturamento.
Por Nathália Pandeló···3 min de leitura·
A música latina segue em ascensão nos Estados Unidos, consolidando-se como um dos segmentos mais dinâmicos da indústria fonográfica. Em 2024, o gênero gerou US$ 1,4 bilhãoem receitas, um aumento de 5,8% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pela RIAA (Recording Industry Association of America). Esse crescimento superou a média do mercado geral, que avançou 3,3%, atingindo US$ 17,6 bilhões.
Pelo terceiro ano consecutivo, a música latina ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em receitas nos EUA, representando 8,1% do total do setor. Ajustada pela inflação, a cifra está 18% acima do pico anterior, registrado em 2005. O ritmo de expansão, no entanto, foi menor que em 2023, quando o gênero cresceu 16%.
Streaming domina as receitas da música latina
O formato digital foi responsável por 98% do faturamento do gênero em 2024, somando US$ 1,3 bilhão – alta de 5,5% em relação a 2023. As assinaturas pagas foram o principal motor, gerando US$ 966,5 milhões, um crescimento de 6,1%.
Já o streaming com anúncios, incluindo plataformas como YouTube, Spotify gratuito e redes sociais, contribuiu com US$ 354 milhões=, representando 25% do total de receitas do setor.
Esse percentual é mais que o dobro da participação do streaming com anúncios no mercado fonográfico americano como um todo, onde responde por apenas 10%. Enquanto isso, serviços de rádio digital, como Pandora e SiriusXM, tiveram queda de 3%, somando US$ 75 milhões. Os downloads digitais, em declínio contínuo em toda a indústria, caíram 23,6%, para US$ 7,6 milhões.
Formatos físicos têm crescimento surpreendente
Apesar de representarem apenas 1,3% das receitas da música latina nos EUA – bem abaixo dos 11% do mercado geral –, os formatos físicos tiveram um salto expressivo em 2024.
O faturamento total nesse segmento quase dobrou, com alta de 95,4%, alcançando US$ 16,6 milhões. O vinil foi o grande destaque, com receita de US$ 14 milhões, um aumento de 103% em relação a 2023.
Para surpresa de muitos, os CDs também registraram crescimento, subindo 62,6% e somando US$ 2,6 milhões. O fenômeno reflete uma tendência global de retomada dos suportes físicos, especialmente entre colecionadores e fãs de artistas consolidados. No entanto, o streaming continua sendo a principal forma de consumo, reforçando a dominância do digital no setor.
Regional mexicano lidera expansão dos ritmos latinos
De acordo com a Luminate, o regional mexicano foi o subgênero latino que mais impulsionou o crescimento em 2024, tornando-se o maior em participação no mercado americano.
Artistas como Peso Pluma ganharam destaque, ampliando o alcance da música em espanhol além das fronteiras tradicionais. Paralelamente, o México se tornou o décimo maior mercado fonográfico do mundo, ultrapassando a Austrália.
A América Latina como um todo registrou crescimento de 22,5% em receitas no ano passado, superando a média global pelo 15º ano consecutivo. Rafael Fernandez Jr., vice-presidente sênior da RIAA, destacou o papel da inovação nesse cenário:
“Estou animado com a contínua explosão de popularidade da música latina nos EUA, enquanto artistas e gravadoras criam novas formas de se conectar com os fãs.”
Futuro promissor e desafios pela frente
Matthew Bass, vice-presidente de pesquisa da RIAA, ressaltou que a música latina se tornou uma “força dominante” na cultura musical americana, com crescimento consistente e influência crescente.
No entanto, ele apontou que ainda há oportunidades a explorar, como o aprofundamento em formatos físicos e engajamento de superfãs.
“Depois de quase uma década em ascensão, a música latina continua avançando nos EUA e está apenas começando”, afirmou.
Com streaming como principal vetor e artistas quebrando barreiras linguísticas, os ritmos latinos seguem sua trajetória ascendente. A combinação de tradição e inovação sugere que a música latina continuará marcando presença na indústria fonográfica americana nos próximos anos.
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