MIDiA aponta alta de 9,4% e diz que economia do fã virou motor extra da música gravada em 2025

A MIDiA Research estima mercado global de música gravada em US$ 39,5 bilhões e mostra aumento de direitos expandidos e do físico em 2025.
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Nathália Pandeló
MIDiA apresenta o panorama da música em 2025
MIDiA apresenta o panorama da música em 2025 (Crédito: Reprodução)

A MIDiA Research colocou um ponto importante no debate sobre o mercado fonográfico global antes mesmo da chegada do novo relatório anual da IFPI. Segundo a consultoria, a música gravada cresceu 9,4% em 2025 e alcançou US$ 39,5 bilhões em receita, num avanço que veio depois de um 2024 mais moderado.

O dado mais interessante, porém, não está só no tamanho do mercado. Está no que puxou esse crescimento. Embora o streaming continue sendo a principal fonte de receita, a MIDiA diz que, pela primeira vez na era do streaming, essa frente cresceu mais devagar do que o mercado total. Isso aconteceu porque outras linhas ganharam peso, especialmente os chamados direitos expandidos e a música física.

O que a MIDiA está chamando de economia do fã

Fã com ingresso de show - Crédito Stockking
Fã com ingresso de show (Crédito: Stockking)

Quando a MIDiA fala em direitos expandidos, ela está tratando da participação das gravadoras em áreas como merchandising, ao vivo, marcas e outras receitas ligadas ao entorno do artista. Não é mais só vender ou monetizar a gravação em si. É ganhar também com tudo o que gira em torno da relação entre artista e público. Em 2025, essa categoria cresceu 21,5%, bem acima das demais.

Isso ajuda a explicar por que a chamada economia do fã passou a ocupar um lugar tão central na estratégia das gravadoras. O raciocínio é de que o streaming segue como base do negócio, mas o “dinheiro novo” está aparecendo cada vez mais em produtos, experiências, edições físicas, venda direta e ações que dependem de um vínculo mais forte com a audiência. K-pop, vendas independentes em plataformas como Bandcamp e operações diretas ao consumidor das majors entram nessa lógica.

Em texto publicado pela própria consultoria, Mark Mulligan resumiu assim:

“2025 representou um marco para a ascensão da economia do fã.”

A frase ajuda a traduzir o momento. O mercado não está deixando o streaming para trás. O que está acontecendo é uma diversificação. O streaming continua sendo o motor principal, mas as gravadoras tentam construir um negócio mais variado em volta dele, com menos dependência de uma única fonte de receita.

Streaming segue dominante, mas já não explica tudo sozinho

YouTube Music, streaming
Crédito: Sunket Mishra

A própria MIDiA reconhece que o streaming ainda respondeu pela maior parte das receitas e também pela maior contribuição absoluta em dinheiro novo. Ainda assim, sem os direitos expandidos, o crescimento do mercado fonográfico em 2025 teria sido de 7,7%, e não de 9,4%. Isso mostra como essa nova frente já deixou de ser um “bônus” para virar parte concreta da conta.

Outro ponto que chama atenção é o retrato mais complexo do ecossistema digital. A consultoria destaca que o streaming de hoje já não pode ser lido só pela régua de assinaturas e volume de plays. Entram nessa conta mudanças como modelos artist centric, programas como o Discovery Mode do Spotify, reajustes de preço, acordos de distribuição entre majors e independentes e até recortes ligados a audiolivros. Ou seja, a receita continua crescendo, mas o caminho está menos linear do que nos anos de auge da expansão do streaming.

Essa leitura também ajuda a entender outro dado do relatório: artistas que se lançam sozinhos perderam participação de mercado no streaming em meio à adoção de exigências mínimas para pagamento, mesmo com crescimento em streams. Ao mesmo tempo, selos não major ganharam participação quando se considera direitos expandidos, mas perdem terreno quando essa categoria sai da conta.

O que esse retrato sinaliza para o mercado

O avanço mais forte da música física e dos direitos expandidos indica que o consumo musical está ficando mais híbrido. O fã não quer apenas ouvir. Quer colecionar, pertencer, participar, comprar algo exclusivo e transformar gosto musical em identidade visível. Para as gravadoras, isso abre novas fontes de receita num momento em que crescer exige mais esforço do que antes.

Há também um componente de proteção de risco. Em uma realidade de mudanças rápidas, com novas pressões de inteligência artificial e disputas sobre monetização, depender menos de uma única fonte de receita passa a ser uma vantagem estratégica. O cenário de 2025, segundo a MIDiA, sugeriu exatamente isso: a indústria segue crescendo, mas agora com mais frentes de sustentação ao mesmo tempo.

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