Gilsons revelam bastidores do segundo álbum “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”

Novo trabalho do trio carioca Gilsons mergulha no processo criativo, na rede de colaboradores e no momento vivido pelo grupo.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Gilsons (Crédito: Marina Zabeni)
Gilsons (Crédito: Marina Zabeni)

O trio Gilsons está pronto pra o próximo capítulo da sua trajetória com o lançamento do segundo e aguardado álbum de estúdio, “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”. O projeto chega após um período intenso de turnês, mudanças pessoais e amadurecimento artístico que influenciaram diretamente a construção do disco.

Mais do que um novo repertório, o trabalho funciona como um retrato de bastidores do grupo formado por José Gil, João Gil e Francisco Gil. O álbum reúne dez faixas inéditas e uma série de colaborações que atravessam diferentes gerações da música brasileira e internacional.

Ao longo das gravações, os Gilsons se cercaram de um time de músicos e técnicos que acompanha o trio desde os primeiros passos da carreira. Essa rede de colaboradores acabou se tornando parte central da identidade do projeto, tanto em estúdio quanto nos palcos.

Um disco construído em coletivo

Desde o início da carreira, os Gilsons se acostumaram a trabalhar com um grupo próximo de músicos e profissionais técnicos. No novo álbum, essa dinâmica ganhou ainda mais peso, consolidando uma forma de criação que o trio considera essencial para o resultado final.

Segundo João Gil, muitos dos nomes envolvidos nas gravações já acompanham o grupo desde os primeiros singles lançados pelo trio.

“Os profissionais que estavam com a gente, os músicos e técnicos, já trabalham conosco há bastante tempo. São colaboradores desde a época de ‘Várias Queixas’ e ‘Love Love’, como o Diogo Gomes, que é trompetista e arranjador. Tivemos também o Sérgio Santos, que foi o engenheiro nas duas primeiras gravações e esteve com a gente agora em ‘Bem Me Quer’ e ‘Semeia’. O Elton Bozza também trabalha conosco como engenheiro. Nas percussões temos o Luizinho do Jeje, o Nã e o Guerrinha. O Luizinho e o Guerrinha fazem parte da banda, o Cainã também é um colaborador desde as antigas. O Tavares está nos pianos e teclados, e o Pedro Malcher, o Pedrinho, que é nosso pianista de estrada, também colaborou nesse disco.”

A ideia de que um álbum nasce de um trabalho coletivo também aparece na forma como José Gil descreve a experiência de produzir o projeto.

“Esse projeto foi muito importante para mim, porque consolida também uma relação minha com a produção musical, que é algo de que eu gosto muito. Justamente por isso as pessoas são fundamentais, porque um disco não se faz sozinho. Além dos meninos, cuja contribuição é enorme, existe todo esse time que é essencial para que a gente consiga gravar com qualidade: os arranjadores, o time técnico, todo mundo que participa do processo. Muitas dessas pessoas acabam indo para a estrada com a gente também, e passam o ano inteiro ao nosso lado nos palcos. Então vira uma família, às vezes a gente passa mais tempo com eles do que com a nossa própria família. A agenda deste ano, graças a Deus, vai ser muito cheia, e vamos passar bastante tempo na estrada com essa galera. É só alegria.”

Canções que atravessam o tempo

Gilsons (Crédito: Marina Zabeni)
Gilsons (Crédito: Marina Zabeni)

Embora o trabalho tenha sido finalizado recentemente, parte do repertório de “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão” começou a ser construída muito antes das sessões de gravação.

Algumas músicas surgiram ainda durante a fase de circulação do primeiro álbum do trio, “Pra Gente Acordar”, e foram sendo desenvolvidas ao longo dos anos até encontrar a forma definitiva no estúdio. O resultado é um álbum que coloca lado a lado a base orgânica dos violões e das harmonias vocais com texturas eletrônicas sutis e novas camadas rítmicas.

“Na prática, ficamos cerca de um ano em estúdio. Mas o disco tem canções que existem há mais de três anos, então é um projeto que atravessa bastante tempo. Quando entramos no estúdio, resolvemos tudo relativamente rápido, porque havia uma certa objetividade. A gente buscava uma sonoridade mais sólida, um progresso no caminho que já vinha construindo. Trabalhamos com uma turma que a gente ama, profissionais excelentes. Vale a pena olhar a ficha técnica do disco, porque tem muita gente forte ali, uma turma da pesada”, recorda Francisco Gil.

O resultado é um álbum que mistura elementos já associados ao som do trio, como violões, harmonias vocais e referências à tradição da música brasileira, com novas camadas rítmicas e experimentações sonoras.

Participações e novos caminhos

Além da equipe que acompanha o grupo desde os primeiros anos, o álbum também apresenta uma série de participações especiais que ajudam a ampliar o universo musical dos Gilsons.

Entre os convidados estão Arnaldo Antunes, Narcizinho, Julia Mestre, a multi-instrumentista gambiana Sona Jobarteh e a família Veloso, formada por Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso.

Essas colaborações aparecem em diferentes momentos do disco e ajudam a conectar o repertório a variadas referências musicais, reforçando a ideia de um trabalho que nasce do encontro entre gerações e tradições distintas.

Ficha técnica

Gilsons - capa de Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão
Capa de “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”, dos Gilsons (Crédito: Divulgação)

Artista: Gilsons

Faixas: 10

Produção musical: José Gil
Produção adicional: Iuri Rio Branco

Gravação: Elton Bozza
Gravação adicional: João Gambier
Assistência de gravação: Saulo Limeira

Gravação de vozes: Antonio Nunes (Estúdio Lavigne)
Gravação adicional de voz e percussão: Sérgio Santos (Estúdio Pancadão)

Edição: José Gil e Daniel Alcoforado

Mixagem: Marcelinho Ferraz, Arthur Luna e Dani Pampuri
Assistência de mixagem: Gabriel Reis

Masterização: Marcelinho Ferraz e Dani Pampuri


Músicos e intérpretes

Vozes:
Francisco Gil, João Gil, José Gil, Narcizinho, Caetano Veloso, Moreno Veloso, Tom Veloso, Arnaldo Antunes, Julia Mestre, Sona Jobarteh

Baixo:
João Gil, Francisco Gil, José Gil, Tom Veloso

Violões:
Francisco Gil, João Gil, José Gil, Tom Veloso

Guitarras:
Francisco Gil, João Gil, Gus Levy

Guitarra baiana:
João Gil

Teclados / pianos:
Pedro Malcher, Rodrigo Tavares

Percussão:
José Gil, Ricardo Guerra, Luizinho do Jêje, Kainã do Jêje

Bateria:
Kainã do Jêje

Sopros:
Diogo Gomes (trompete),
Thiago Queiroz (sax barítono),
Jorge Continentino (sax alto, flauta e pífano),
Marlon Sette (trombone)

Cordas:
Daniel da Silva (cello),
Moreno Veloso (cello)

Kora:
Sona Jobarteh


Arranjos

Arranjos de sopros e cordas: Diogo Gomes
Arranjo de sopros: Thiago Queiroz


Programações

José Gil, Sérgio Santos, Kayan Guter, Pep Sterling, Iuri Rio Branco


Participações especiais

Narcizinho
Caetano Veloso
Moreno Veloso
Tom Veloso
Arnaldo Antunes
Julia Mestre
Sona Jobarteh

Tracklist

  1. Visão
  2. Semeia
  3. Zumbido
  4. Desejo
  5. Bem Me Quer feat Narcizinho
  6. Minha Flor feat Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso
  7. Beijo na Boca
  8. Vai Chover feat Arnaldo Antunes
  9. Nó na Nuca feat Julia Mestre
  10. Se a Vida Pede feat Sona Jobarteh

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