Que os festivais de música no Brasil continuam sendo um mercado valioso, ninguém duvida. Agora, um novo estudo realizado anualmente pelo Mapa dos Festivais em parceria com a Walk the Talk traz dados atualizados sobre esse setor em crescimento. A pesquisa analisou 402 eventos musicais e ouviu 1.170 frequentadores de festivais em todo o país.
Os números revelam um mercado em expansão, mas que ainda passa por desafios estruturais. O estudo mapeou desde a distribuição geográfica dos eventos até o comportamento de consumo do público. Os resultados oferecem informações relevantes para produtores, artistas e empresas interessadas no mercado de eventos ao vivo.
Crescimento e distribuição dos festivais
O estudo mapeou inicialmente 402 festivais anunciados em todas as regiões do Brasil. Desse total, 364 foram realizados efetivamente em 2024, enquanto 29 eventos foram cancelados e 9 precisaram ser adiados. Essa diferença revela os desafios operacionais que ainda afetam o setor.
Com os 364 festivais de música realizados no Brasil, houve um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Desse total, 69 eventos eram inéditos, mostrando que o mercado de eventos ao vivo continua atraindo novos empreendimentos. A região Sudeste concentrou a maioria dos festivais (196), seguida pelo Nordeste (42), Sul (32), Centro-Oeste (21) e Norte (23).
O Norte do país chamou atenção por apresentar o maior crescimento, dobrando o número de eventos em comparação com 2023. Entre os festivais realizados, 76 foram gratuitos, representando 21% do total.

Perfil do público e hábitos de consumo
A pesquisa traçou um retrato detalhado dos frequentadores de festivais. O público se divide igualmente entre homens e mulheres, com predominância da classe C (57%). Em média, cada pessoa foi a 2,57 festivais e 2,38 shows durante o ano. A maioria (70%) preferiu eventos próximos de casa, enquanto 30% viajaram especificamente para participar de festivais.
Quando questionados sobre o que consideram mais importante na escolha de um festival, os entrevistados apontaram a infraestrutura como fator decisivo. Esse aspecto superou até mesmo a presença de artistas preferidos e o preço dos ingressos. Em termos de gastos, 40% do público disse desembolsar entre R$ 200 e R$ 400 por dia em alimentação e outros itens durante os eventos.
Artistas e diversidade nos line-ups

No total, 2.983 artistas se apresentaram em festivais brasileiros em 2024. A média foi de 8,2 artistas por evento, número menor que os 10,8 registrados em 2023. Os mais presentes foram Péricles e Nando Reis, que participaram de 21 festivais cada. Ferrugem, Menos é Mais e Pitty aparecem em seguida, com 18 participações cada.
A cantora Pitty foi a única mulher entre os dez artistas mais presentes nos festivais. Os dados mostram que homens cis representaram 63,3% dos artistas, enquanto mulheres cis foram 22,3%. Bandas com formação mista aumentaram sua participação em 50%, mas artistas trans e não binários somaram apenas 1% do total.
Novos formatos e oportunidades
O estudo identificou três tendências principais no formato dos festivais: eventos em turnê, cruzeiros musicais e festivais regionais. Os multigênero continuaram dominando (49,9%), mas nichos como rock (13,3%) e eletrônica (9,4%) mantiveram seu espaço cativo. O rap e trap apareceram com 7,5% de participação.
Para as marcas, os números mostram oportunidades em regiões menos exploradas. Enquanto o Sudeste concentrou 434 patrocinadores, o Norte teve apenas 46. A Coca-Cola liderou o ranking de patrocínios, seguida por Amstel, Budweiser e Schweppes. Festivais menores e fora dos grandes centros podem oferecer custos mais acessíveis para patrocinadores.
Já é possível baixar uma prévia dos dados gratuitamente. O estudo completo está disponível para consulta através dos e-mails [email protected] e [email protected]. A pesquisa foi realizada pelo Mapa dos Festivais e Walk the Talk, com apoio de Heineken, Spotify, Sherpai e Promoview.
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