Ecad distribui R$ 1,7 bilhão em 2025 e vê digital representar um terço da arrecadação
Relatório anual do Ecad aponta R$ 2,1 bilhões arrecadados em 2025, crescimento de 15%, com streaming e eventos impulsionando os resultados.
Por Nathália Pandeló···4 min de leitura·
O Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) encerrou 2025 com crescimento na arrecadação e na distribuição de direitos autorais no Brasil. Segundo o relatório anual divulgado pela entidade nesta quinta-feira (05), foram arrecadados R$ 2,1 bilhões ao longo do ano e distribuídos R$ 1,7 bilhão a compositores, intérpretes, músicos, editores e produtores fonográficos.
Os números representam aumento de 15% na arrecadação e de 10% na distribuição em comparação com 2024. Ao todo, mais de 345 mil titulares de direitos autorais receberam valores ao longo do período, incluindo artistas brasileiros e estrangeiros.
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O relatório mostra também uma mudança clara no perfil da arrecadação. O digital passou a concentrar 33,6% do total arrecadado, consolidando-se como o principal segmento da operação.
Streaming e serviços digitais lideram arrecadação
Crédito: Sunket Mishra
O avanço dos serviços digitais foi um dos fatores centrais para o desempenho do Ecad em 2025. De acordo com o relatório, o segmento apresentou crescimento de 47,2% em relação ao ano anterior, impulsionado por negociações com plataformas de streaming.
Além do digital, o setor de shows e eventos também apresentou uma expansão relevante. A arrecadação nesse segmento cresceu 13,2%, refletindo o aumento de turnês nacionais e internacionais e a realização de grandes festivais no país.
Os dados indicam ainda como cada área contribuiu para a arrecadação total do ano:
Serviços digitais: 33,6%
Televisão: 20,4%
Shows e eventos: 19,5%
Usuários gerais (estabelecimentos comerciais, por exemplo): 18,1%
Rádio: 7,1%
Cinema: 1,3%
Segundo o relatório, campanhas voltadas a eventos sazonais também tiveram impacto positivo. Carnaval, festas juninas e réveillon registraram média de crescimento de cerca de 30% em relação às campanhas realizadas em 2024.
Distribuição de direitos prioriza titulares nacionais
Ecad detalha distribuição de direitos autorais (Crédito: Divulgação)
Na distribuição de valores, os titulares brasileiros ficaram com a maior parte dos recursos. Segundo o relatório, 78% do total distribuído em 2025 foi destinado a artistas e compositores nacionais. O valor médio repassado por titular foi de R$ 4,6 mil, aumento de 8,8% em relação ao ano anterior.
Alguns segmentos tiveram crescimento acima da média na distribuição de direitos autorais. Entre eles estão festas juninas, Carnaval e música ao vivo, que apresentaram um aumento de valores pagos aos titulares.
O relatório aponta ainda que o segmento de shows representou 14,7% da distribuição total no ano. Parte desse resultado está ligada à atuação de equipes dedicadas a localizar repertórios utilizados em apresentações ao vivo. Em 2025, mais de 9 mil repertórios foram identificados ou regularizados, o que permitiu distribuir cerca de R$ 50 milhões em direitos autorais.
Tecnologia e dados ganham peso na gestão
O Ecad também destacou o papel da tecnologia no processamento das execuções musicais e na distribuição de direitos.
Em 2025, foram identificadas aproximadamente 5,8 trilhões de execuções musicais em plataformas de streaming e cerca de 50 bilhões de exibições de conteúdos audiovisuais.
Nos segmentos de rádio e televisão, os sistemas de identificação automática de músicas se aproximaram de 100% de precisão, segundo o relatório. O avanço desses sistemas tem como objetivo melhorar a identificação das obras executadas e tornar o repasse de valores mais preciso.
Outro movimento destacado pela entidade é a renovação do sistema de distribuição de direitos autorais, considerado o maior projeto tecnológico da última década dentro da organização. A atualização busca modernizar o tratamento de dados e reduzir retrabalhos, com foco em agilizar os repasses aos titulares.
Inteligência artificial entra no debate regulatório
O relatório também aponta a inteligência artificial como um dos temas centrais acompanhados pela instituição em 2025.
O Ecad acompanhou a tramitação do Projeto de Lei nº 2.338/23, que discute a regulamentação da IA no Brasil, defendendo regras que garantam consentimento, reconhecimento e remuneração aos criadores cujas obras sejam utilizadas no treinamento de sistemas.
A instituição também esteve envolvida em ações judiciais relacionadas ao tema. Um dos casos citados no relatório envolve decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que reconheceu a legitimidade do Ecad para cobrar direitos autorais de um parque temático que utilizava música gerada por inteligência artificial para sonorizar ambientes.
Inadimplência ainda é desafio
Crédito: Freepik
Apesar do crescimento da arrecadação, o relatório aponta que a inadimplência de órgãos públicos e grandes eventos ainda representa um desafio para a gestão coletiva.
Para enfrentar esse cenário, o Ecad ampliou as negociações com prefeituras e governos estaduais e intensificou ações de orientação sobre a necessidade de licenciamento para o uso público de música.
Segundo Isabel Amorim, superintendente executiva do Ecad, os resultados refletem uma combinação de investimento tecnológico e atuação institucional.
“Os resultados de 2025 reforçam a força da gestão coletiva e nosso compromisso com a valorização da música. Investimos em tecnologia e inovação para uma distribuição cada vez mais eficiente e transparente, e acompanhamos de perto o desenvolvimento da inteligência artificial, defendendo que sua aplicação na música respeite os criadores e contribua para um futuro sustentável do setor”, pontua.
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