O Chartmetric divulgou seu relatório anual “Year in Music 2025”, um dos levantamentos mais abrangentes sobre o comportamento da indústria musical global. A edição deste ano reúne dados de 13 milhões de artistas e 145 milhões de lançamentos, oferecendo um retrato detalhado de como o consumo, a descoberta e a circulação da música mudaram ao longo de 2025.
Mais do que apontar hits ou tendências sonoras, o estudo ajuda a entender como o mercado vem se reorganizando em torno de três eixos principais: velocidade, regionalização e engajamento. Nesse cenário, o Brasil aparece de forma recorrente, especialmente como um dos maiores polos de consumo e interação digital do mundo.
Ao longo de 2025, o Chartmetric registrou a entrada diária de quase 4 mil novos artistas e mais de 29 mil lançamentos por dia. O volume ilustra um ambiente cada vez mais competitivo, no qual chamar atenção se tornou tão importante quanto lançar música.
Brasil lidera engajamento, mas segue como importador de música
Um dos recortes mais relevantes do relatório está na análise do fluxo global de música. O Brasil aparece classificado como um importador líquido, ou seja, um mercado que consome mais música estrangeira do que exporta repertório local.
Para cada brasileiro que segue artistas internacionais, apenas 0,12 ouvintes estrangeiros seguem artistas brasileiros. Na prática, isso posiciona o país distante de mercados exportadores como Coreia do Sul, Noruega ou Reino Unido, que apresentam maior equilíbrio entre consumo interno e alcance global.
Esse comportamento ajuda a explicar por que o Brasil costuma ser tratado como território estratégico para turnês, lançamentos e campanhas digitais, mas ainda enfrenta desafios estruturais para transformar seu repertório local em produto global de escala.
Um dos maiores públicos digitais do planeta
Se por um lado o Brasil importa música, por outro, o tamanho do seu público digital segue sendo um ativo central. Segundo o Chartmetric, o país ocupa a segunda posição global em audiência no Instagram e no YouTube, atrás apenas dos Estados Unidos. No TikTok, aparece em terceiro lugar, atrás de Estados Unidos e México.
Esses números ajudam a entender por que artistas internacionais frequentemente priorizam o Brasil em estratégias de engajamento, lançamentos e conteúdos virais. O relatório também aponta que a faixa etária entre 18 e 35 anos concentra o pico de fandom digital, especialmente em TikTok e YouTube, reforçando o peso do país em campanhas voltadas a esse público.
Playlists regionais ganham força e escala
Outro movimento destacado pelo estudo é o crescimento acelerado das playlists regionais. Em 2025, algumas das listas que mais ganharam seguidores no Spotify estavam ligadas a cenas locais, como phonk, K-pop, música alemã e repertórios latinos.
A playlist Modo Mentiras, focada em música mexicana, entrou no ranking das que mais cresceram no ano, com quase 650 mil novos seguidores. Para o Chartmetric, esse avanço confirma que a curadoria regional deixou de ser periférica e passou a funcionar como motor de descoberta global.
Funk brasileiro aparece entre os gêneros emergentes
Na análise dos novos artistas lançados em 2025, o hip hop e o rap lideram com 49% do total. Na sequência aparecem pop, indie e uma série de gêneros regionais. Entre eles, o funk brasileiro responde por 5% dos novos artistas mapeados no período, ao lado de estilos como reggaeton e dance.
O dado reforça a presença do gênero no ecossistema global, ainda que seu alcance internacional continue mais concentrado em nichos e playlists específicas.
Mais superstars, ciclos mais curtos
O relatório também aponta uma mudança clara na dinâmica do sucesso. Em 2025, 759 artistas atingiram o status de superstar, mais que o triplo do registrado em 2024, quando o número foi de 222. Apesar disso, o próprio Chartmetric observa que a permanência no topo se tornou mais curta e instável.
A aceleração também aparece no streaming. Em 2015, uma música levava em média 2.700 dias para alcançar 1 bilhão de streams. Em 2025, esse tempo caiu para 197 dias, e três faixas lançadas no próprio ano atingiram o bilhão antes de completar 12 meses.
Ana Castela lidera crescimento no Brasil
No recorte de crescimento individual em redes sociais, Ana Castela aparece como a artista brasileira que mais ganhou seguidores no Instagram em 2025, segundo dados do Chartmetric.
O dado dialoga com outro ponto destacado no relatório: em 2025, as mulheres lideraram o crescimento de seguidores nas principais plataformas, considerando Instagram, TikTok e YouTube. Em um mercado cada vez mais orientado por engajamento, o crescimento social passou a ser um indicador tão observado quanto desempenho em streaming.
Ranking das estrelas mais brilhantes muda completamente em 2025

Quando o recorte é o ranking das “estrelas mais brilhantes do ano” no Brasil, o cenário é outro. Em 2025, Anitta assume a liderança da lista, subindo uma posição em relação ao ano anterior, quando havia ficado em segundo lugar.
A principal leitura, no entanto, está no restante do ranking. Todos os outros nove nomes do Top 10 brasileiro em 2025 são estreantes na lista, sem presença no ranking de 2024. Entre os novos nomes que aparecem estão Pat Winter, DJ Guilherme, MC GW, MC Fabinho da Osk, MC Renatinho Falcão, Lucas Rangel, MC Jhey, DJ Ari SL e Henrique & Juliano.
Em contraste, a lista de 2024 era liderada por Pabllo Vittar, seguida por Anitta, Fabiana Anastácio, Luccas Neto, Isadora Pompeo, Alok, WZ Beat, Nathália Valente, MC Cabelinho e Thullio Milionário.
A comparação entre os dois anos evidencia um mercado nacional em forte rotação, com renovação acelerada de nomes e baixa permanência no topo. Para o setor, o dado reforça a lógica de ciclos curtos de atenção e a necessidade de estratégias constantes de engajamento, especialmente em redes sociais.
Países com maior similaridade de gosto musical com o Brasil
O relatório do Chartmetric também analisa a similaridade de hábitos de escuta entre países. No caso do Brasil, os mercados com maior proximidade musical são Portugal, com 64% de similaridade, seguido por Argentina e Costa Rica, ambos com 51%. Chile e Panamá aparecem logo atrás, com 49%.
Esse padrão ajuda a explicar por que artistas brasileiros tendem a encontrar maior ressonância inicial em mercados lusófonos e latino-americanos. Para estratégias de exportação, os dados apontam caminhos mais naturais para circulação de repertório, seja por meio de colaborações, campanhas digitais ou expansão de turnês.
Gravadoras concentram alcance global, mas indies seguem competitivas

No recorte de gravadoras, o Chartmetric mostra que as grandes companhias continuam liderando em alcance global de novos artistas. Nos Estados Unidos, a Universal Music Group aparece na primeira posição, com cerca de 2,9 bilhões de ouvintes globais gerados por faixas de novos artistas locais. Na sequência estão a Warner Music Group, com 1,7 bilhão, e a Sony Music Entertainment, com 1,3 bilhão.
Entre os players independentes, a DistroKid surge como principal destaque, com 179 milhões de ouvintes globais, à frente da Concord, que soma 87 milhões. O dado indica que, embora as majors mantenham vantagem em escala, as plataformas independentes seguem relevantes na descoberta e na distribuição, especialmente em mercados regionais.
Ao cruzar crescimento de artistas, rankings nacionais, similaridade entre mercados e concentração de gravadoras, o Chartmetric aponta para um mercado musical mais veloz, fragmentado e competitivo. No caso brasileiro, o país se consolida como potência de consumo e engajamento, mas ainda enfrenta desafios para transformar esse peso interno em exportação consistente de artistas.
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