6 categorias de áudio que dão o que falar e como artistas e ouvintes podem usá-las no dia a dia

Das faixas em lossless ao Dolby Atmos, termos técnicos de áudio ganham espaço no streaming e no estúdio e já impactam a forma de produzir e ouvir música.
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Nathália Pandeló
Fone de ouvido 2 áudio

O vocabulário do áudio nunca esteve tão presente fora dos estúdios. Em poucos anos, expressões como lossless, áudio espacial, Dolby Atmos, 3D e até 8D passaram a aparecer em plataformas de streaming, releases de artistas e conversas entre fãs. Para muita gente, tudo isso ainda soa como algo distante, técnico demais ou restrito a quem trabalha com som.

Na prática, esses formatos já fazem parte da rotina de produtores, artistas e ouvintes há tempos, mesmo quando ninguém percebe. Eles influenciam desde a forma como uma música é mixada até a experiência de quem escuta no fone, no carro ou em caixas de som simples. 

A ideia deste Guia MM é tirar o peso técnico do assunto e explicar, de forma direta, o que cada categoria significa, para que serve e como pode ser usada na prática. A seguir, reunimos seis categorias de áudio que estão no centro dessa conversa hoje e o que realmente importa saber sobre cada uma delas.

Lossless

Lossless significa, literalmente, áudio sem perdas. É o formato que mantém todas as informações do arquivo original, diferente do MP3 ou AAC, que descartam dados para reduzir o tamanho do arquivo. Em termos simples, é a versão mais fiel possível do som que saiu do estúdio.

Para o artista, o lossless garante que a música seja entregue ao público com mais detalhe, principalmente em graves, dinâmica e definição de instrumentos. Não exige uma mixagem diferente, mas pede atenção redobrada na master, já que qualquer erro fica mais evidente.

Para o ouvinte, a diferença só aparece de fato com fones ou caixas de melhor qualidade. Em equipamentos simples ou no celular, o ganho pode passar despercebido. Não é preciso equipamento profissional, mas bons fones ajudam.

Áudio espacial

Fone de ouvido áudio

O áudio espacial tenta reproduzir a sensação de espaço tridimensional, como se os sons estivessem ao redor da cabeça do ouvinte. Ele não depende apenas do volume entre esquerda e direita, mas da posição virtual dos sons no ambiente.

Os artistas e produtores podem usar o áudio espacial para criar experiências mais imersivas, reposicionando vozes, efeitos e instrumentos. Isso não muda a composição, mas muda a forma como ela é apresentada.

Para o público, o áudio espacial funciona melhor com fones compatíveis e, em alguns casos, com sensores de movimento. Ainda assim, muitas plataformas já adaptam o efeito para fones comuns.

Dolby Atmos

O Dolby Atmos é hoje o formato mais conhecido dentro do áudio espacial, uma verdadeira grife dentro do assunto, com presença de plataformas de streaming a salas de cinema de última geração. Ele permite trabalhar com objetos sonoros em vez de canais fixos, dando mais liberdade para a mixagem.

No lado do artista e do produtor, o Atmos exige uma versão específica da mix, feita em estúdios habilitados ou com softwares compatíveis. Não é obrigatório lançar tudo em Atmos, mas muitos artistas usam o formato como diferencial de catálogo.

Para o ouvinte, o Atmos aparece como uma opção automática em plataformas compatíveis. Pode ser ouvido em soundbars, home theaters e fones específicos, mas também funciona em configurações mais simples, com limitações.

Áudio 3D

Áudio 3D é um termo mais amplo, usado para descrever diferentes tecnologias que simulam profundidade, altura e distância do som. Nem todo áudio 3D é Atmos, e nem todo Atmos é chamado de 3D nas plataformas.

Para quem cria, o áudio 3D costuma ser aplicado em projetos experimentais, trilhas, games e conteúdos audiovisuais. Na música, aparece mais como conceito do que como padrão técnico único.

Para quem ouve, a experiência varia bastante de acordo com o fone, o algoritmo usado e a plataforma. Não exige equipamento especial, mas a qualidade muda muito.

Áudio 8D

O áudio 8D virou fenômeno principalmente nas redes sociais e no YouTube. Apesar do nome, não existe um padrão técnico chamado 8D. O efeito é criado na pós-produção, com automações de panorama e volume que dão a sensação de movimento constante.

Para artistas, o 8D costuma ser usado como conteúdo alternativo, não como versão oficial da música. Ele funciona mais como estratégia de engajamento do que como formato de distribuição principal.

Para os ouvintes, o 8D só faz sentido com fones de ouvido. Em caixas de som, o efeito praticamente desaparece.

Binaural

Tendências em música - Homem escutando música em seu celular com fones de ouvido, Luminate, relatório

O áudio binaural é gravado ou simulado para imitar exatamente a forma como os ouvidos humanos percebem o som. Ele cria uma sensação muito realista de posição e distância.

Produtores usam gravações binaurais em experiências imersivas, música experimental e podcasts narrativos. É menos comum no pop, mas vem ganhando espaço.

Para o público, o binaural também depende de fones de ouvido. Não exige modelos caros, mas fones estéreo já entregam a experiência básica.

No fim das contas, nenhuma dessas categorias é obrigatória. Elas são ferramentas. Para artistas, servem para explorar novas formas de apresentar o trabalho. Para ouvintes, oferecem novas maneiras de se conectar com a música, sem que seja preciso entender tudo de tecnologia para aproveitar.

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