A MIDiA Research projeta que a receita global da música gravada chegará a US$ 121,1 bilhões em 2033, considerando valores de varejo e receitas associadas aos chamados direitos expandidos. Em 2025, esse mercado movimentou US$ 74,3 bilhões, o que representa uma alta prevista de 62,9% ao longo de oito anos.
O novo relatório de previsões da MIDiA Research aponta, porém, que o crescimento não será distribuído igualmente. Streaming pago, mercados emergentes, novas fontes de receita ligadas aos fãs e mudanças na divisão do dinheiro entre plataformas e detentores de direitos devem ajudar a redesenhar o setor.
Brasil está entre os maiores mercados de assinantes de música

O Brasil ocupa hoje a terceira posição mundial em número de assinantes de serviços de música, atrás apenas de China e Estados Unidos, segundo as estimativas da MIDiA Research para 2025. Japão e Reino Unido completam os cinco primeiros colocados.
Até 2033, a consultoria prevê uma mudança nesse ranking: a Índia deve subir para o terceiro lugar e o Brasil passar para a quarta posição. Ainda assim, o país permaneceria entre os cinco maiores mercados globais em número de assinantes.
A situação é diferente quando o critério é receita com assinaturas. Nesse ranking, Estados Unidos, China, Reino Unido, Alemanha e Japão ocupam as cinco primeiras posições tanto em 2025 quanto na projeção para 2033.
5 destaques do relatório da MIDiA Research para o mercado musical
1. O streaming entra em uma nova fase

O streaming seguirá como principal motor de receita da música, mas a MIDiA Research considera que o modelo passa por uma fase de maturidade. A tendência é de reajustes de preços mais frequentes, novos tipos de planos e menos dependência de testes gratuitos para conquistar usuários.
Um dos indicadores é a receita média anual por assinante, conhecida pela sigla ARPU. Após anos de queda, a consultoria prevê que o indicador volte a crescer a partir de 2026, impulsionado pelos aumentos de preços, pela redução das ofertas gratuitas e pela criação de novos planos e serviços adicionais.
2. Plataformas devem ficar com uma parcela maior da receita

Outro movimento identificado pela MIDiA Research é o crescimento mais rápido da receita das plataformas digitais em comparação com os valores repassados aos detentores das gravações.
Isso acontece porque os serviços digitais criam outras fontes de faturamento e novas estruturas comerciais. Pacotes que combinam diferentes produtos e mecanismos como o Discovery Mode, do Spotify, podem alterar a parcela destinada às gravadoras. Em 2033, a distância entre o valor pago pelos consumidores e o valor recebido pelos titulares de direitos deverá ser maior do que hoje.
3. A economia dos fãs ganha peso

A receita obtida fora do streaming tradicional também deve ocupar uma parcela maior do negócio. A MIDiA reúne nesse grupo três áreas: formatos físicos, licenciamento para plataformas que não são serviços tradicionais de música e direitos expandidos.
Essa última categoria inclui a participação das gravadoras em receitas como produtos, ações com marcas e outras atividades ligadas aos artistas. Somadas, essas fontes formam o que a consultoria chama de “economia dos fãs”. O segmento movimentou US$ 11,3 bilhões em 2023 e deve chegar a US$ 18,5 bilhões em 2033.
4. Mercados emergentes ainda têm espaço para crescer

A ascensão dos mercados do Sul Global já deixou de ser tratada como uma novidade pela consultoria. América Latina, Ásia-Pacífico e outras regiões emergentes estão entre os principais motores previstos para a entrada de novos assinantes nos próximos anos.
A Índia é apontada como o país que mais deve ganhar participação na receita global entre 2025 e 2033. A China também deve avançar e se tornar o segundo maior mercado de música gravada do mundo. O movimento mostra que uma parte crescente da disputa pelo crescimento estará em territórios onde ainda existe espaço para incorporar novos consumidores ao streaming pago.
5. O áudio com publicidade deve acelerar

Apesar de um desempenho mais fraco em 2025, o streaming de áudio sustentado por publicidade aparece como uma das áreas com maior perspectiva de crescimento até 2033. Segundo a MIDiA Research, esse será o componente da indústria com maior taxa média anual de crescimento no período, embora as assinaturas premium acrescentem mais receita em valores absolutos.
A expansão deve ser particularmente forte nos mercados emergentes, acompanhando a entrada de novos usuários no streaming. O relatório também mostra como esse segmento continua sujeito a mudanças no mercado de publicidade e à concorrência por atenção com outros formatos digitais.
Mercado mais maduro muda as fontes de crescimento
As projeções combinam relatórios financeiros, pesquisas com gravadoras independentes e consumidores, entrevistas com executivos e dados de entidades do setor. Segundo a MIDiA Research, sua previsão para a receita total de música gravada em 2025 ficou apenas 0,1% distante do resultado efetivamente observado.
O conjunto dessas projeções mostra um mercado musical mais maduro, no qual crescer já não depende apenas de conquistar novos assinantes. A próxima fase passa por aumentar a receita por usuário, testar novos formatos de assinatura, explorar fontes de faturamento ligadas aos fãs e buscar expansão em regiões que ainda têm espaço para avançar. Ao mesmo tempo, a diferença entre o crescimento das plataformas e o valor repassado aos detentores de direitos indica que a disputa por receita deve ficar mais complexa até 2033.
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