Mercado musical pode chegar a US$ 121 bilhões até 2033, projeta MIDiA Research

Brasil segue entre líderes do streaming em projeção da MIDiA Research, que prevê receita global de US$ 121,1 bilhões até 2033 no setor.
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Nathália Pandeló
MIDiA Research faz projeção para música até 2033
MIDiA Research faz projeção para música até 2033 (Crédito: Divulgação)

A MIDiA Research projeta que a receita global da música gravada chegará a US$ 121,1 bilhões em 2033, considerando valores de varejo e receitas associadas aos chamados direitos expandidos. Em 2025, esse mercado movimentou US$ 74,3 bilhões, o que representa uma alta prevista de 62,9% ao longo de oito anos.

O novo relatório de previsões da MIDiA Research aponta, porém, que o crescimento não será distribuído igualmente. Streaming pago, mercados emergentes, novas fontes de receita ligadas aos fãs e mudanças na divisão do dinheiro entre plataformas e detentores de direitos devem ajudar a redesenhar o setor.

Brasil está entre os maiores mercados de assinantes de música

Mudanças na posição do Brasil no mercado de streaming, segundo MIDiA Research
Mudanças na posição do Brasil no mercado de streaming, segundo MIDiA Research (Crédito: Reprodução)

O Brasil ocupa hoje a terceira posição mundial em número de assinantes de serviços de música, atrás apenas de China e Estados Unidos, segundo as estimativas da MIDiA Research para 2025. Japão e Reino Unido completam os cinco primeiros colocados.

Até 2033, a consultoria prevê uma mudança nesse ranking: a Índia deve subir para o terceiro lugar e o Brasil passar para a quarta posição. Ainda assim, o país permaneceria entre os cinco maiores mercados globais em número de assinantes. 

A situação é diferente quando o critério é receita com assinaturas. Nesse ranking, Estados Unidos, China, Reino Unido, Alemanha e Japão ocupam as cinco primeiras posições tanto em 2025 quanto na projeção para 2033.

5 destaques do relatório da MIDiA Research para o mercado musical

1. O streaming entra em uma nova fase

YouTube Music, streaming
Crédito: Sunket Mishra

O streaming seguirá como principal motor de receita da música, mas a MIDiA Research considera que o modelo passa por uma fase de maturidade. A tendência é de reajustes de preços mais frequentes, novos tipos de planos e menos dependência de testes gratuitos para conquistar usuários.

Um dos indicadores é a receita média anual por assinante, conhecida pela sigla ARPU. Após anos de queda, a consultoria prevê que o indicador volte a crescer a partir de 2026, impulsionado pelos aumentos de preços, pela redução das ofertas gratuitas e pela criação de novos planos e serviços adicionais.

2. Plataformas devem ficar com uma parcela maior da receita

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Outro movimento identificado pela MIDiA Research é o crescimento mais rápido da receita das plataformas digitais em comparação com os valores repassados aos detentores das gravações.

Isso acontece porque os serviços digitais criam outras fontes de faturamento e novas estruturas comerciais. Pacotes que combinam diferentes produtos e mecanismos como o Discovery Mode, do Spotify, podem alterar a parcela destinada às gravadoras. Em 2033, a distância entre o valor pago pelos consumidores e o valor recebido pelos titulares de direitos deverá ser maior do que hoje.

3. A economia dos fãs ganha peso

Superfãs

A receita obtida fora do streaming tradicional também deve ocupar uma parcela maior do negócio. A MIDiA reúne nesse grupo três áreas: formatos físicos, licenciamento para plataformas que não são serviços tradicionais de música e direitos expandidos.

Essa última categoria inclui a participação das gravadoras em receitas como produtos, ações com marcas e outras atividades ligadas aos artistas. Somadas, essas fontes formam o que a consultoria chama de “economia dos fãs”. O segmento movimentou US$ 11,3 bilhões em 2023 e deve chegar a US$ 18,5 bilhões em 2033.

4. Mercados emergentes ainda têm espaço para crescer

Bandeira do Brasil - Crédito Bia Santana
Bandeira do Brasil (Crédito: Bia Santana)

A ascensão dos mercados do Sul Global já deixou de ser tratada como uma novidade pela consultoria. América Latina, Ásia-Pacífico e outras regiões emergentes estão entre os principais motores previstos para a entrada de novos assinantes nos próximos anos.

A Índia é apontada como o país que mais deve ganhar participação na receita global entre 2025 e 2033. A China também deve avançar e se tornar o segundo maior mercado de música gravada do mundo. O movimento mostra que uma parte crescente da disputa pelo crescimento estará em territórios onde ainda existe espaço para incorporar novos consumidores ao streaming pago.

5. O áudio com publicidade deve acelerar

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Apesar de um desempenho mais fraco em 2025, o streaming de áudio sustentado por publicidade aparece como uma das áreas com maior perspectiva de crescimento até 2033. Segundo a MIDiA Research, esse será o componente da indústria com maior taxa média anual de crescimento no período, embora as assinaturas premium acrescentem mais receita em valores absolutos.

A expansão deve ser particularmente forte nos mercados emergentes, acompanhando a entrada de novos usuários no streaming. O relatório também mostra como esse segmento continua sujeito a mudanças no mercado de publicidade e à concorrência por atenção com outros formatos digitais.

Mercado mais maduro muda as fontes de crescimento 

As projeções combinam relatórios financeiros, pesquisas com gravadoras independentes e consumidores, entrevistas com executivos e dados de entidades do setor. Segundo a MIDiA Research, sua previsão para a receita total de música gravada em 2025 ficou apenas 0,1% distante do resultado efetivamente observado.

O conjunto dessas projeções mostra um mercado musical mais maduro, no qual crescer já não depende apenas de conquistar novos assinantes. A próxima fase passa por aumentar a receita por usuário, testar novos formatos de assinatura, explorar fontes de faturamento ligadas aos fãs e buscar expansão em regiões que ainda têm espaço para avançar. Ao mesmo tempo, a diferença entre o crescimento das plataformas e o valor repassado aos detentores de direitos indica que a disputa por receita deve ficar mais complexa até 2033.

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