Relatório aponta R$ 6 bilhões em impacto do YouTube no Brasil e força da música na plataforma

Levantamento mostra que o YouTube sustentou 150 mil empregos em 2025 e que 91% dos usuários assistiram a videoclipes, festivais ou premiações.
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Nathália Pandeló
YouTube lança relatório de impacto 2025
YouTube lança relatório de impacto 2025 (Crédito: Reprodução)

O YouTube teve impacto de mais de R$ 6 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 e sustentou mais de 150 mil empregos equivalentes a tempo integral no país. Os números fazem parte do novo Relatório de Impacto do YouTube 2025, produzido pela Oxford Economics, que mede os efeitos econômicos, culturais e sociais do ecossistema de criadores da plataforma.

Para a indústria da música, um dos dados chama atenção: 91% dos usuários brasileiros afirmaram ter assistido a videoclipes, festivais de música ou cerimônias de premiação no YouTube no último ano. O levantamento também aponta que 80% das empresas brasileiras de música pesquisadas utilizam a plataforma para alcançar públicos internacionais.

Os números ajudam a dimensionar um papel que vai além da distribuição de vídeos. O estudo considera receitas recebidas diretamente do YouTube, mas também negócios gerados a partir da presença na plataforma, como parcerias com marcas, produtos e apresentações ao vivo. Empresas de música e mídia também entram no modelo econômico usado pela Oxford Economics.

Música brasileira encontra público dentro e fora do país

Transmissão do São João de Campina Grande no YouTube
Transmissão do São João de Campina Grande no YouTube (Crédito: Reprodução)

O relatório mostra que mais de 45 milhões de horas de conteúdo foram enviadas por canais brasileiros no último ano. Nesse universo, a música aparece ao lado de eventos, futebol, gastronomia e outros elementos como parte do registro da cultura brasileira disponível na plataforma.

A circulação também ultrapassa as fronteiras do país. Mais de 15% do tempo de exibição de conteúdos produzidos por canais brasileiros vem de espectadores de fora do Brasil. Entre os criadores que recebem dinheiro pelo YouTube, 72% dizem que a plataforma permite chegar a públicos internacionais aos quais não teriam acesso de outra maneira.

Para artistas e empresas de música, esse comportamento ajuda a explicar por que o YouTube ocupa diferentes etapas de uma carreira. A plataforma pode funcionar como espaço para o lançamento de videoclipes e registros ao vivo, mas também como ferramenta de descoberta, construção de público e circulação internacional.

O próprio relatório usa a música para mostrar como essa atividade chega a outros setores da economia. Ao descrever a cadeia formada por criadores, o documento cita como exemplo um canal musical que contrata músicos, aluga equipamentos e reserva uma casa de shows para realizar uma gravação ao vivo. Ou seja, a receita relacionada ao conteúdo também movimenta profissionais e fornecedores que não aparecem na tela.

Canais se aproximam cada vez mais de pequenas empresas

YouTube destaca a importância da música na plataforma
YouTube destaca a importância da música na plataforma (Crédito: Reprodução)

O estudo também registra a profissionalização da criação de conteúdo no Brasil. O número de canais do YouTube com receitas anuais de seis dígitos ou mais cresceu mais de 25% em relação ao ano anterior. Entre aqueles que alcançam cinco dígitos ou mais, a alta superou 40%.

A estrutura por trás desses canais pode incluir editores, cinegrafistas, designers, estúdios, agências e outros fornecedores. Segundo o relatório, 85% dos criadores que dizem ter uma carreira em mídia e entretenimento começaram essa trajetória no YouTube. Outros 70% afirmam que a plataforma oferece uma oportunidade de produzir conteúdo e ganhar dinheiro que não teriam na mídia tradicional.

A Oxford Economics considera no cálculo os chamados “empreendedores criativos”, categoria que inclui canais com pelo menos 10 mil inscritos e criadores menores que geram receita ou mantêm funcionários relacionados à atividade. Empresas de música e mídia também são incorporadas à estimativa.

No Brasil, a pesquisa ouviu 5,2 mil criadores, 600 empresas e 3 mil usuários entre janeiro e março de 2026. O cálculo de PIB inclui receitas obtidas dentro e fora da plataforma, além dos efeitos sobre fornecedores e gastos dos trabalhadores. Já os 150 mil postos representam empregos equivalentes a tempo integral, uma medida que transforma diferentes cargas horárias em uma base comparável.

Os números indicam que, para a música, a discussão sobre o YouTube já não se limita à quantidade de visualizações. A plataforma participa da circulação de obras, da descoberta de artistas, do acesso a públicos internacionais e de uma cadeia econômica que conecta criadores, profissionais técnicos, empresas e fornecedores.

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