Rio2C: O que a programação do Soundbeats III by Mundo da Música revela sobre as prioridades do mercado musical

O palco Soundbeats III by Mundo da Música reúne debates sobre streaming, audiovisual, eventos, técnica e carreira no Rio2C 2026.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Rio2C
Rio2C acontece na Cidade das Artes (Crédito: Divulgação)

A programação do palco Soundbeats III by Mundo da Música no Rio2C aponta para uma leitura clara sobre o mercado musical em 2026: a indústria está menos concentrada apenas no lançamento e mais atenta à estrutura que sustenta uma carreira. Ao reunir artistas, executivos, produtores, técnicos, gestores e criadores, o espaço mostra que a música hoje depende de uma rede cada vez mais integrada entre conteúdo, dados, audiovisual, eventos, direitos, repertório e operação.

Ao longo dos painéis, realizados entre 27 e 31/05, a curadoria também indica quais perguntas estão no centro da indústria neste momento. Como transformar viralização em carreira? Como usar dados sem reduzir o artista a números? Como conectar música e audiovisual de forma mais estratégica? Como fazer eventos sustentáveis? E como valorizar os profissionais que fazem tudo acontecer fora dos holofotes?

Estes e muitos outros pontos serão debatidos por alguns dos melhores especialistas do mercado nacional e internacional. Confira abaixo:

10 prioridades do mercado musical em 2026, segundo o Soundbeats III by Mundo da Música

1. Carreira artística precisa ser pensada como construção de longo prazo

Palco Soundbeats III by Mundo da Música - Crédito Igor Ventura
Palco Soundbeats III by Mundo da Música (Crédito: Igor Ventura)

O painel “Ascensão e Solidez: A Trajetória de Léo Foguete, Desafios e Oportunidades Para Novos Artistas”, que acontece em 27 de maio, das 15h45 às 16h45, trata de uma questão central para a nova geração: crescer rápido não basta. A presença de Léo Foguete, Neto Sales e Letícia Cordeiro coloca em pauta posicionamento, estratégia digital, formação de equipe, sustentabilidade financeira e tomada de decisões. Em um cenário em que um artista pode alcançar milhões de pessoas em pouco tempo, o desafio passa a ser transformar atenção em repertório, público fiel e estrutura de carreira.

2. Catálogo e recorrência viraram ativos de negócio

O case Mundo Bita mostra como a música infantil pode ensinar o mercado sobre longevidade. No painel “Mundo Bita: Música Infantil Como Case de Gestão, Criatividade e Conexão Com o Público”, marcado para 27 de maio, das 10h30 às 11h30, Felipe Almeida e Chaps partem de um projeto com 15 anos, mais de 130 clipes e 21 bilhões de visualizações no YouTube para discutir catálogo, identidade visual, público renovado e consumo recorrente. Em vez de depender de um único sucesso, o infantil trabalha com repetição, memória afetiva e presença constante na rotina das famílias, uma lição que pode ser aplicável a diferentes segmentos da música.

3. Streaming deixou de ser apenas contagem de plays

O painel “Além dos Plays: Como o Streaming Impulsiona Carreiras na Música”, em 28 de maio, das 15h45 às 16h45, mostra que a conversa sobre plataformas amadureceu. Com Carolina Alzuguir, NandaTsunami e Renata Gomes, o debate parte dos dados do relatório Loud & Clear Brazil 2026 para discutir receita, independência, circulação global e desenvolvimento de carreira. O foco já não está apenas em quantas execuções uma música alcança, mas em como esses dados ajudam artistas e equipes a entender público, território, comportamento e possibilidades reais de crescimento.

4. Comunidade artista-fã virou parte da estratégia

A disputa por atenção fez a relação com o público ganhar outro peso. O painel “Conexão Artista & Fã: Como Fortalecer Sua Comunidade Através do Conteúdo”, que acontece em 28 de maio, das 17h às 18h, reúne Puterrier e Raphael Franco, Promotion Manager da SoundOn, para discutir como conteúdo, narrativa, dados e constância ajudam a transformar audiência em comunidade ativa. A lógica é simples: seguidores e ouvintes podem chegar rápido, mas vínculo exige presença, identidade e troca. Para artistas independentes e grandes nomes, isso muda a forma de pensar comunicação entre um lançamento e outro.

5. Audiovisual é uma frente de receita e posicionamento

Assistir TV com controle remoto e streaming
Crédito: Jakub Zerdzicki

A música aparece na programação como elemento central de projetos audiovisuais, e não apenas como trilha ou complemento. No painel “Produção Audiovisual: Como Pensar a Música de Forma Estratégica Para Criação de Negócios Rentáveis?”, em 27 de maio, das 14h30 às 15h30, Chico Kertész e Daniel Mendes discutem cases como “Dominguinho”, coberturas de Carnaval e séries musicais. A pauta envolve direção criativa, linguagem multiplataforma, operação em escala, catálogo e construção de marca, mostrando como o audiovisual pode prolongar a vida de um projeto musical e criar novas formas de monetização.

6. Storytelling virou ferramenta de mercado

O painel “Os Códigos Secretos da Música no Storytelling”, que acontece em 27 de maio, das 17h às 18h, com Raphaella Lima, Megan Goldstein e Day Limns, coloca a narrativa no centro da conversa. A proposta é discutir como a música é escolhida, negociada e integrada a filmes, séries, games e conteúdos de marca. Isso envolve licenciamento, gestão de direitos, alinhamento artístico e impacto narrativo. Em um mercado com excesso de lançamentos e campanhas, contar uma história coerente ajuda a organizar estética, repertório, imagem e percepção de valor.

7. Eventos precisam ser analisados além do line-up

O painel “Além do Line-Up e da Experiência: Os Bastidores que Movem os Grandes Eventos na Música”, marcado para 29 de maio, das 12h às 13h, mostra que festivais e shows dependem de uma engenharia complexa. Com Potyra Lavor, Luiz Restiffe e Juliano Libman, a conversa passa por negociação de cachês, ativação de marcas, logística, gestão de artistas e estratégias para transformar eventos em plataformas de negócio e cultura. A discussão mostra que o mercado ao vivo não se resume à escalação de atrações, já que operação e viabilidade financeira são parte decisiva da entrega.

8. Composição e edição musical seguem no centro da profissionalização

Compositor 3, Udio, UCNA
Crédito: Cottobro Studio

O painel “Escrita Musical e Negócios: Os Bastidores que Compõem o Universo Sertanejo”, em 28 de maio, das 12h às 13h, conecta criação e monetização a partir de um dos segmentos mais estruturados da música brasileira. Com Adriana Ramos, Caroline Pepato e Júnior Pepato, a discussão olha para compositores, editoras, repertório, scouting e novos formatos de receita. O sertanejo entra como exemplo de organização de bastidores, mostrando que a força de um gênero também depende de quem escreve, negocia, administra e posiciona as obras.

9. A técnica passou a ser tratada como parte da criação

Os painéis do Backstage Lab mostram que a cadeia musical não termina no artista. Em “Carreira, Técnica e Estética na Iluminação: Como Dominar o Design de Luz e Construir Sua Assinatura Visual”, marcado para 30 de maio, das 12h15 às 13h15, Paulinho Lebrão discute como a luz pode definir a identidade visual de um show. Já painéis como “Por que Nada Acontece Sem um Produtor?”, em 31 de maio, das 12h15 às 13h15, e “No Comando dos Maiores Palcos do País”, em 31 de maio, das 14h30 às 15h30, colocam em pauta produção, direção técnica, gestão de palco, segurança, liderança e domínio técnico como temas cada vez mais conectados ao valor final de um projeto musical.

10. A música brasileira busca novas pontes culturais e comerciais

O painel “O Atlântico Percussivo: A Força da Cultura Popular Entre Salvador e Luanda”, que acontece em 28 de maio, das 14h30 às 15h30, com Edcity e Lucioval Gama, aponta para uma discussão que une identidade, circulação internacional e mercado. Ao aproximar Salvador e Luanda pela percussão, pela rua e pela cultura popular, o debate mostra como gêneros, ritmos e cenas locais podem dialogar com movimentos afro-atlânticos mais largos. A presença desse tema no Soundbeats III indica que a internacionalização da música brasileira também passa por conexões históricas, culturais e territoriais.

Vista em conjunto, a programação do Soundbeats III by Mundo da Música no Rio2C mostra uma indústria interessada em entender o caminho entre criação e negócio. Os painéis indicam que o mercado musical de 2026 está olhando para carreira, catálogo, dados, comunidade, audiovisual, eventos, composição, técnica e circulação internacional como partes de uma mesma conversa. Mais do que apontar tendências isoladas, o palco ajuda a mapear os temas que devem orientar artistas, empresas e profissionais nos próximos anos.

Serviço
Soundbeats III by Mundo da Música no Rio2C
Data: de 27 a 31 de maio
Local: Rio2C – Cidade da Música – Rio de Janeiro/RJ
Programação: painéis sobre música, negócios, criatividade, audiovisual, eventos, streaming, carreira, produção técnica e mercado criativo. Confira por dia: 

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