UBC anuncia Medalha 2026 para Guilherme Arantes em meio aos 50 anos de carreira do compositor

A UBC homenageia Arantes em abril, em São Paulo, com pocket show, convidados de diferentes gerações e celebração de sua obra.
Foto de Nathália Pandeló
Nathália Pandeló
Guilherme Arantes - Crédito Leo Aversa
Guilherme Arantes (Crédito: Leo Aversa)

A UBC vai entregar a Medalha UBC 2026 a Guilherme Arantes no próximo dia 7 de abril, em São Paulo. A homenagem chega no momento em que o artista celebra 50 anos de carreira e prepara uma turnê especial pelo país. O anúncio consolida a escolha como um reconhecimento a uma trajetória longa, popular e ao mesmo tempo muito respeitada entre compositores.

Criada pela União Brasileira de Compositores, a distinção chega à sua terceira edição. Em 2024, a medalha foi entregue a Fausto Nilo, em Fortaleza. Em 2025, foi a vez de Luiz Caldas, em Salvador. Agora, a entidade escolhe um nome cuja obra atravessou rádio, televisão, regravações e diferentes fases da música brasileira, com canções que seguem circulando no repertório afetivo do público.

A cerimônia será realizada no Cantaloup Living Room, em São Paulo, em evento para convidados. Além da entrega da medalha, a noite terá um pocket show com releituras do repertório de Arantes. Já estão confirmados Vanessa Moreno, Fernanda Takai, Jonathan Ferr e Tiê, com acompanhamento do pianista franco-brasileiro Aymeric.

Uma homenagem que conversa com a história da canção brasileira

Com 27 álbuns lançados e cerca de 400 composições, Guilherme Arantes reúne uma discografia que ajuda a explicar por que seu nome continua forte no cancioneiro nacional. Clássicos como “Planeta Água”, “Amanhã”, “Cheia de Charme” e “Meu Mundo e Nada Mais” se mantêm vivos tanto na memória do público quanto nas regravações feitas por outros artistas.

Mais do que uma celebração individual, a Medalha UBC também funciona como um recado institucional sobre o valor da autoria. Em um mercado que costuma se concentrar no que está no topo do consumo imediato, homenagens desse tipo recolocam a composição no centro da conversa. No caso de Arantes, isso pesa ainda mais porque sua carreira sempre foi marcada por um trabalho melódico muito reconhecível e por letras que circularam entre o romantismo, a espiritualidade e observações sobre o cotidiano.

O próprio homenageado destacou o peso afetivo da honraria e a ligação construída com a entidade ao longo das décadas.

“A medalha da UBC é um presente muito querido e afetivo, de parte da minha, da nossa família de autores e compositores, uma família que me orgulha muito pertencer. Digo sempre que minha profissão de compositor é a grande bênção que faz eu me sentir especial neste mundo, no meio de tantos autores luminares de canções, meus colegas, meus grandes ídolos e exemplos de integridade, de arte e beleza eternas. Obrigado à UBC pelo reconhecimento, competência, carinho e companheirismo ao longo de tantas décadas de uma parceria tão preciosa!”, declara Guilherme Arantes.

O que a escolha de Guilherme Arantes representa para a UBC

Marcelo Castello Branco, Diretor Executivo da UBC
Marcelo Castello Branco, Diretor Executivo da UBC. Foto: Miguel Sá/Divulgação

A trajetória de Guilherme Arantes ajuda a conectar diferentes momentos da música brasileira. Nascido em São Paulo, em 28 de julho de 1953, ele começou a estudar piano clássico ainda jovem e iniciou a vida profissional nos anos 1970, quando participou da banda de rock progressivo Moto Perpétuo, que ajudou a fundar. Depois, em carreira solo, encontrou um espaço próprio entre a MPB, o pop e o rock, com arranjos centrados no piano e um estilo de composição que nunca dependeu de modismos para se manter reconhecível.

Esse é um ponto importante da homenagem de 2026. A escolha da UBC não olha apenas para números de repertório ou longevidade, mas para a permanência de uma obra. Arantes segue sendo regravado por nomes como Maria Bethânia, Simone, Fábio Jr., Leila Pinheiro e Roupa Nova, além de continuar presente em trilhas de televisão. Isso mostra como sua produção continua encontrando novos públicos, mesmo décadas depois do lançamento original.

Para Marcelo Castello Branco, diretor executivo da UBC, esse legado ajuda a explicar a decisão da entidade.

“A obra de Guilherme Arantes é um bálsamo de complexa simplicidade. Desde o início da carreira tem características melódicas pop próprias, que conversaram com o mercado sem se render ou perder. Guilherme é um artesão raro de sonoridades que abraçam e mobilizam sentimentos da melhor tradição e tradução da música brasileira. Para a UBC é uma honra reconhecer o legado deste músico e artista gigante, muitas vezes inviabilizado por modismos e monopólios que não refletem completamente a diversidade e potencialidade de nossa música. Agora celebrando 50 anos de carreira, mais do que nunca sua obra se consolida como atemporal e transcendente”, afirma Marcelo Castello Branco.

Fundada em 1942, a UBC é a sociedade de gestão coletiva mais antiga do Brasil e reúne mais de 70 mil associados. Dirigida por autores, a entidade atua na defesa dos titulares de direitos autorais, na distribuição de rendimentos e também no desenvolvimento cultural. Ao criar uma medalha própria para reconhecer nomes da música brasileira, a associação transforma esse papel institucional em gesto público e simbólico. Em 2026, faz isso olhando para um compositor cuja obra segue ecoando muito além da sua geração.

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