A IFPI, Federação Internacional da Indústria Fonográfica, divulgou seu relatório anual com um panorama detalhado do mercado global de música gravada em 2025. O estudo é uma das principais referências da indústria e reúne dados de dezenas de países, oferecendo uma visão clara de como o consumo de música evolui ao redor do mundo.
Os números confirmam um cenário de crescimento contínuo, mas com ritmos bem diferentes entre regiões. A receita global avançou 6,4% e chegou a US$ 31,7 bilhões, marcando o décimo primeiro ano seguido de expansão. Dentro desse contexto, o Brasil aparece com desempenho bem acima da média, com crescimento de 14,1% e entrada no grupo dos oito maiores mercados do mundo.
Streaming domina e já representa quase 70% da receita global
O streaming segue como o principal motor da indústria global, mas os dados mostram o quanto esse modelo já se consolidou. Em 2025, ele gerou mais de US$ 22 bilhões e respondeu por 69,6% de toda a receita de música gravada no mundo.
Dentro desse universo, o streaming por assinatura continua sendo o principal impulsionador. Ele cresceu 8,8% no ano e já representa 52,4% de toda a receita global, mostrando que o modelo pago segue forte mesmo com a concorrência de plataformas gratuitas.
O número de usuários pagos também ajuda a entender esse cenário. A base global chegou a 837 milhões de assinantes, um crescimento relevante em relação ao ano anterior. Esse avanço é puxado principalmente por mercados emergentes, onde ainda existe espaço para expansão do consumo digital.
Ao mesmo tempo, outros formatos seguem ativos. O mercado físico cresceu 8% globalmente, com destaque para o vinil, que subiu 13,7% e já acumula quase duas décadas de crescimento contínuo. Já receitas de direitos de execução pública também avançaram, indicando que a música continua ganhando valor em diferentes frentes.
“A ótima música de artistas incríveis, apoiada por parcerias e investimentos das gravadoras, está impulsionando o crescimento global, com mais pessoas do que nunca pagando para se envolver com ela em serviços de streaming por assinatura no mundo todo. É importante destacar que esse crescimento significa retornos financeiros ainda maiores para os artistas e reinvestimento em uma gama cada vez mais ampla de comunidades musicais ao redor do mundo”, comemorou a CEO da IFPI, Victoria Oakley.
Regiões crescem em ritmos diferentes e redesenham o mapa do mercado

Um dos pontos mais interessantes do relatório é a diferença de desempenho entre regiões. A América Latina foi novamente a que mais cresceu, com alta de 17,1%, mantendo uma sequência de expansão que já dura mais de 15 anos.
A Ásia também apresentou crescimento relevante, com destaque para mercados como Japão e China, enquanto a Europa manteve avanço mais moderado, refletindo um mercado mais maduro. Já a América do Norte, maior mercado do mundo, segue crescendo, mas em ritmo mais estável.
Esse movimento mostra uma mudança gradual no equilíbrio global da indústria. Mercados que antes eram considerados secundários passam a ter papel mais relevante no crescimento total, especialmente na expansão do streaming.
Brasil cresce acima da média global e ganha posição no ranking
O Brasil aparece como um dos casos mais consistentes de crescimento. Segundo dados da Pro-Música Brasil, o país faturou R$ 3,958 bilhões em 2025, com alta de 14,1% em relação ao ano anterior.
Esse desempenho fez o país subir para a oitava posição no ranking global da IFPI. Nos últimos anos, o Brasil saiu da décima colocação e vem ganhando espaço de forma contínua, o que mostra uma consolidação no cenário internacional.
O streaming é o principal responsável por esse avanço. No Brasil, ele representa 87% de toda a receita do mercado, com cerca de R$ 3,4 bilhões em faturamento. Esse percentual é bem superior à média global, o que indica um nível de digitalização mais acelerado.
Além disso, outros segmentos também começam a crescer. O mercado físico, apesar de pequeno, teve alta de 25,6%, puxado pelo vinil. Já a arrecadação de direitos conexos também aumentou, mostrando uma diversificação gradual das fontes de receita.

Investimento e estrutura explicam crescimento consistente
O relatório também ajuda a entender por que o mercado segue crescendo. Tanto no cenário global quanto no Brasil, o avanço está diretamente ligado ao investimento contínuo das gravadoras.
Esses investimentos envolvem desde a descoberta de novos artistas até estratégias de lançamento, marketing e distribuição. É essa estrutura que permite transformar consumo em receita e sustentar o crescimento ao longo do tempo.
No caso brasileiro, essa lógica fica ainda mais evidente. O país combina um mercado altamente digital com uma produção musical intensa e uma base de público em expansão, o que ajuda a manter o ritmo acima da média global.
IA e fraude em streaming entram como desafios centrais
Se os números mostram crescimento, o relatório também aponta desafios importantes. A inteligência artificial aparece como um dos principais temas para os próximos anos, especialmente no uso de músicas para treinamento de modelos sem autorização.
A indústria discute formas de licenciamento que garantam remuneração para artistas e produtores, evitando que a tecnologia avance sem regras claras. Outro ponto de atenção é a fraude em streaming. A prática envolve a criação artificial de reproduções para desviar receitas e manipular números de audiência.
“A música está abraçando o futuro, como mostram as parcerias entre gravadoras e desenvolvedores de inteligência artificial generativa que respeitam os direitos dos criadores. São parcerias que exploram como a tecnologia pode ser usada para apoiar e potencializar a criatividade, e não substituí-la. Estamos pedindo aos formuladores de políticas públicas que apoiem esse trabalho, garantindo o respeito às leis de direitos autorais que sustentam esse avanço. Toda a comunidade musical precisa agir para enfrentar as ameaças que atingem a nossa indústria. Fraude em streaming é roubo, simples assim. As organizações que têm dados, escala e capacidade para impedir essa atividade fraudulenta, incluindo plataformas de streaming, agregadores de conteúdo e distribuidores, precisam tomar medidas decisivas”, resumiu Victoria Oakley.
No Brasil, esse problema já vem sendo enfrentado de forma mais direta. Mais de 130 sites ligados a esse tipo de prática foram derrubados nos últimos anos, sendo 60 apenas em 2025. Também houve decisões judiciais para bloquear plataformas de venda de engajamento falso.
O cenário mostra uma indústria que continua crescendo, mas que precisa lidar com um ambiente cada vez mais complexo, onde tecnologia, regulação e modelo de negócios caminham juntos.
Rankings globais da IFPI
Artistas mais populares do mundo em 2025

- Taylor Swift
- Drake
- SEVENTEEN
- Billie Eilish
- Stray Kids
- The Weeknd
- Morgan Wallen
- Karol G
- Travis Scott
- Bad Bunny
Singles mais populares do mundo em 2025
- “Espresso” – Sabrina Carpenter
- “Beautiful Things” – Benson Boone
- “Lose Control” – Teddy Swims
- “Too Sweet” – Hozier
- “Greedy” – Tate McRae
- “Cruel Summer” – Taylor Swift
- “Stick Season” – Noah Kahan
- “Calm Down” – Rema & Selena Gomez
- “Paint The Town Red” – Doja Cat
- “Houdini” – Dua Lipa
Álbuns mais populares do mundo em 2025
- “The Tortured Poets Department” – Taylor Swift
- “Hit Me Hard and Soft” – Billie Eilish
- “Stick Season” – Noah Kahan
- “One Thing at a Time” – Morgan Wallen
- “GUTS” – Olivia Rodrigo
- “SOS” – SZA
- “Lover” – Taylor Swift
- “Midnights” – Taylor Swift
- “1989 (Taylor’s Version)” – Taylor Swift
- “Un Verano Sin Ti” – Bad Bunny
Maiores mercados de música do mundo em 2025
- Estados Unidos
- Japão
- Reino Unido
- Alemanha
- China
- França
- Coreia do Sul
- Brasil
- Canadá
- México









