CEO do Warner Music Group aponta IA, novos acordos com plataformas e possível aumento do preço do streaming em carta a acionistas

Warner Music Group apresenta a investidores sua estratégia para o streaming e destaca inteligência artificial e renegociação com plataformas digitais.
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Nathália Pandeló
Robert Kyncl, CEO da Warner
Robert Kyncl, CEO da Warner

O Warner Music Group detalhou aos investidores como pretende sustentar o crescimento do negócio de música nos próximos anos. Em uma carta enviada a acionistas, o CEO Robert Kyncl destacou três frentes principais: o uso de inteligência artificial, a renegociação de contratos com plataformas digitais e a expectativa de aumento no valor do streaming.

O documento surge em um momento em que as ações das grandes gravadoras passaram por oscilações recentes no mercado financeiro. Parte dessas preocupações está ligada ao avanço de conteúdos gerados por inteligência artificial e às dúvidas sobre como essa tecnologia pode afetar o modelo econômico da música.

Na carta, Kyncl tenta mostrar que a empresa vê esses movimentos mais como oportunidades do que como ameaças, ao mesmo tempo em que indica mudanças na forma como a indústria pode crescer nos próximos anos.

Warner destaca inteligência artificial como ferramenta para gerar valor

Warner Music Group e Suno fecham acordo
Warner Music Group e Suno fecham acordo (Crédito: Divulgação)

Logo no início da comunicação aos investidores, Robert Kyncl menciona o papel da inteligência artificial no futuro da companhia. A tecnologia aparece como um dos elementos capazes de gerar novas oportunidades dentro do catálogo da gravadora.

Embora o executivo não detalhe aplicações específicas, ele apresenta a IA como parte da estratégia para elevar o valor econômico da música no longo prazo.

“Em vez de encarar a inteligência artificial como uma ameaça, vemos essa tecnologia como uma oportunidade para aumentar o valor da música e criar novas experiências para artistas e fãs”, resume.

A discussão sobre inteligência artificial tem sido recorrente entre grandes empresas do setor. Ao mesmo tempo em que surgem novas ferramentas criativas, também crescem preocupações sobre músicas geradas por algoritmos e possíveis conflitos envolvendo direitos autorais.

A posição apresentada pela Warner indica que a empresa pretende incorporar essas tecnologias ao modelo de negócios, em vez de tratá-las apenas como uma ameaça externa.

Carta aponta renegociação de acordos com plataformas de streaming

Plataformas de streaming - Spotify, Apple Music, IFPI
Plataformas de streaming (Crédito: Cottonbro Studio)

Outro ponto central da carta envolve os acordos firmados com plataformas digitais de música, conhecidas no mercado como DSPs, sigla para Digital Service Providers.

Segundo Kyncl, contratos renegociados recentemente com essas empresas começam a alterar a lógica econômica que dominou o streaming desde o início do modelo.

“Estamos fazendo progressos importantes, já que os acordos renegociados com plataformas digitais estão mudando o crescimento da indústria de um modelo baseado apenas em volume para um modelo que combina volume e preço.”

Durante quase duas décadas, o crescimento da música digital esteve ligado principalmente à expansão da base de assinantes. O streaming avançava à medida que mais usuários aderiam às plataformas. Esse movimento começa a mudar em mercados considerados maduros, como Estados Unidos e Europa, onde o ritmo de novos assinantes diminuiu.

Warner afirma que música ainda ocupa pequena fatia do gasto com entretenimento

Assistir TV com controle remoto e streaming
Crédito: Jakub Zerdzicki

Na carta, Robert Kyncl também compara o gasto médio dos consumidores com música e vídeo por assinatura. Segundo dados citados por ele, baseados em pesquisas do banco Goldman Sachs, os americanos gastaram em média US$ 14 por mês com música gravada no último ano, considerando assinaturas e compras.

Esse valor representa apenas uma parcela do orçamento destinado a streaming de entretenimento. No mesmo período, o gasto médio mensal com vídeo sob demanda teria chegado a cerca de US$ 69.

A comparação aparece como um dos argumentos para defender que ainda existe espaço para aumento no valor das assinaturas de música. Segundo o executivo, à medida que o crescimento do número de assinantes desacelera em mercados mais desenvolvidos, as plataformas tendem a buscar receita por meio de reajustes de preço.

“À medida que o crescimento de assinantes desacelera em mercados desenvolvidos, as plataformas digitais passaram a impulsionar receita por meio de aumentos de preço nas assinaturas”, explica.

Carta apresenta visão otimista sobre o papel da música no mercado de mídia

Marketing e divulgação musical

No documento, o CEO do Warner Music Group também apresenta uma visão mais ampla sobre o momento do setor de entretenimento.

“Enquanto Hollywood passa por consolidações e demonstra preocupação com o futuro, a música surge como um refúgio em meio às turbulências que afetam o restante da indústria de mídia.”

O comentário sugere que, na avaliação da empresa, a música tem apresentado estabilidade em comparação com outros segmentos do entretenimento.

Ao final da carta, o executivo afirma que a indústria musical passou por uma transformação nos últimos anos e que a próxima etapa envolve elevar o valor econômico do catálogo.

“Transformamos a indústria e também a nossa empresa. Agora estamos prontos para revolucionar nosso maior ativo — a música — e levar seu valor a novos patamares para artistas, compositores e acionistas”, conclui.

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