A iniciativa Aposta Psica está com inscrições abertas e mira diretamente a nova geração da música produzida na Pan Amazônia brasileira. O edital, que funciona como vitrine dentro do maior festival da região Norte, vai selecionar 18 artistas e bandas para se apresentarem em pocket shows durante o Motins – Encontro Pan-Amazônico de Música e Cultura Periférica, marcado para os dias 5 a 7 de março, na Cidade Velha, em Belém.
A proposta é simples e estratégica: colocar a sonoridade criada na Amazônia brasileira diante de quem decide o rumo da indústria musical no país. Durante os showcases, estarão na capital paraense programadores de festivais, curadores, representantes de gravadoras e agentes do mercado musical de diferentes regiões, atentos ao que está sendo produzido na região.
Podem se inscrever artistas residentes nos estados da Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. As inscrições são gratuitas e seguem até 18 de fevereiro, de forma online. Os selecionados receberão ajuda de custo de até R$ 3 mil, e o resultado será divulgado no dia 23.
Vitrine estratégica para a nova cena

A Aposta Psica funciona como um atalho entre a produção amazônica e o circuito nacional de festivais e eventos. Em vez de depender apenas de lançamentos digitais ou do boca a boca, os artistas têm a chance de se apresentar ao vivo para quem programa e contrata.
“O grande objetivo da convocatória é trazer a nova cena musical nortista para o palco e colocar esses artistas diante de quem programa festivais e circula pelo Brasil inteiro. É uma vitrine muito importante. O artista precisa entregar tudo ali, porque aquele trabalho pode ganhar novos caminhos. É uma oportunidade real de conexão. Os nossos artistas mostram seu trabalho para outras regiões e ampliam suas possibilidades de circulação”, afirma Gerson Dias, diretor do Psica.
O histórico recente mostra que a seletiva pode ir além do showcase. Em 2025, o cantor e multiartista indígena Ian Wapichana, de Roraima, participou da Aposta e depois integrou o line-up principal do festival.
“Para mim é uma honra poder fazer parte de um festival que dá esses lugares necessários de fala, oralidade e respeito aos povos originários”, disse o artista sobre a experiência.
Na prática, a Aposta Psica cria uma espécie de ponte. O artista apresenta um recorte do seu trabalho, testa o impacto diante de um público profissional e, se houver interesse, pode sair de Belém já com convites, negociações ou novas conexões encaminhadas.
Critérios, pluralidade e distribuição regional
A curadoria será formada por profissionais da música e da cultura da região Norte e de outros estados. As propostas serão avaliadas com base na trajetória artística, originalidade, qualidade técnica, inovação, impacto na comunidade amazônida e potencial de projeção nacional.
O edital também estabelece critérios claros de representatividade. Metade das vagas será destinada a artistas ou bandas compostas majoritariamente por pessoas negras e 50% por mulheres. O texto prevê ainda espaço para artistas indígenas, pessoas com deficiência e pessoas trans.
A distribuição geográfica também é parte da estratégia. A Aposta contempla estados da Amazônia Legal fora do Pará e municípios paraenses além da Região Metropolitana de Belém. Isso evita a concentração das oportunidades apenas na capital e ajuda a revelar nomes de diferentes territórios do bioma amazônico.
Esse desenho reforça a identidade do festival, que ao longo dos anos se consolidou como um espaço de valorização das múltiplas sonoridades da região, do tecnobrega ao rap, do carimbó a experimentações contemporâneas.
Motins: formação e mercado na mesma agenda

A Aposta Psica integra o Motins, que nesta edição assume formato de conferência e ocupa a Casa Dourada, o Palafita e a Praça das Amazonas, no Píer das Onze Janelas, em Belém. Durante três dias, o encontro reúne artistas, produtores e especialistas para debater circulação, mercado e economia criativa.
A programação inclui painéis, palestras, oficinas, rodada de negócios, mostra de cinema, exposição de artes visuais e feira de economia criativa, além dos pocket shows da seletiva. A ideia é combinar formação e prática de mercado no mesmo espaço.
“Além de ser um evento cultural, o Motins é um espaço de formação de profissionais para trabalharem com cultura e arte na Amazônia. Mas não é só uma formação técnica. É uma formação intelectual, sensível. É uma ferramenta de transformação social, que busca conectar artistas do bioma amazônico, fomentar a economia criativa e fortalecer redes culturais. É sobre resistência, pertencimento e visibilidade”, destaca Jeft Dias, diretor do Psica.
O evento tem patrocínio máster da Petrobras e patrocínio do Mercado Livre via Lei de Incentivo à Cultura Rouanet, além de patrocínio de O Boticário, com apoio da TIM por meio da Lei Semear. A realização é da Psica Produções, Fundação Cultural do Pará, Governo do Pará, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Para quem produz música na Amazônia Legal, a Aposta Psica surge como uma oportunidade concreta de sair do circuito local e dialogar com o restante do país, sem abrir mão da identidade regional.
Leia mais:
- SoundCloud revela cenas em alta e aponta salto de até 300% no rap underground no Music Intelligence Report 2026
- Aposta Psica abre seletiva para 18 artistas e coloca nova cena amazônica diante do mercado nacional
- Shakira no Todo Mundo No Rio: Expectativa é de 2 milhões em Copacabana
- Britney Spears vende catálogo por US$ 200 milhões em acordo com a Primary Wave
- Camarote Expresso 2222 homenageia Preta Gil e reúne 1.500 convidados por noite no Carnaval de Salvador









