Concord entra no radar de aquisição da BMG em negociação que pode chegar a US$ 7 bilhões

A Concord volta ao centro de especulações do mercado após reportagem da Bloomberg indicar conversas avançadas com a BMG por um acordo bilionário.
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Nathália Pandeló
BMG pode comprar a Concord
BMG pode comprar a Concord (Crédito: Divulgação)

A Concord voltou ao radar do mercado global da música. Segundo a Bloomberg, a BMG Rights Management está em conversas para uma possível aquisição da empresa, em um negócio que pode chegar a US$ 7 bilhões. Embora ainda não haja garantia de acordo, a informação reacende um debate antigo sobre o futuro da Concord e o avanço da consolidação na indústria.

De acordo com a Bloomberg, as conversas ainda estão em andamento e não há garantia de que um acordo será fechado. Ainda assim, o simples fato de as negociações estarem em curso já coloca a Concord novamente no centro das atenções, poucos dias depois de o mercado começar a digerir o avanço regulatório da compra da Downtown Music Holdings pela Universal Music Group.

Caso se confirme, a operação uniria duas das maiores empresas independentes de música do mundo, com impactos diretos em edição, gravadoras, gestão de catálogos e serviços para artistas. O valor citado, na casa dos US$ 7 bilhões, colocaria a negociação entre as maiores já vistas no setor.

Histórico recente de negociações envolvendo a Concord

Não é a primeira vez que a Concord aparece como alvo de aquisição. Há cerca de quatro anos, a empresa já havia explorado uma possível venda. Na época, segundo reportagens do mercado, a companhia teria recusado ofertas entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões, esperando uma avaliação mais próxima de US$ 6 bilhões.

Desde então, a estratégia da empresa foi marcada por expansão agressiva e fortalecimento de ativos. A Concord adquiriu o Round Hill Music Royalty Fund em um negócio avaliado em US$ 469 milhões, tentou comprar o Hipgnosis Songs Fund por US$ 1,51 bilhão (mas acabou perdendo a disputa), estruturou uma operação de securitização de US$ 850 milhões lastreada em um catálogo avaliado em cerca de US$ 5 bilhões e ainda comprou a distribuidora e fintech Stem.

Esses movimentos ajudaram a reposicionar a companhia no mercado e a sustentar avaliações mais altas, em um momento em que catálogos musicais seguem disputados por grandes grupos e fundos de investimento.

BMG intensifica atuação em aquisições de catálogos

Imagem do interior moderno de um escritório da BMG, com iluminação elegante, mesas de madeira e uma parede vermelha exibindo o logotipo da BMG. Espaço amplo e iluminado, ideal para colaborações e reuniões.
Escritório da BMG em Los Angeles

Do lado da BMG, o apetite por aquisições também não é novidade. A empresa, que faz parte do grupo alemão Bertelsmann, tem ampliado sua presença no mercado de direitos musicais nos últimos anos. Segundo a Bloomberg, a BMG investiu aproximadamente €1,2 bilhão em aquisições de direitos desde 2021.

Somente no primeiro semestre de 2025, foram concluídos 17 acordos envolvendo catálogos. Em março do ano passado, a própria empresa informou que havia gasto cerca de €500 milhões em 24 negócios realizados ao longo de um único ano, sinalizando uma estratégia consistente de crescimento via aquisições.

Uma eventual compra da Concord levaria essa estratégia a outro patamar, combinando dois portfólios robustos e criando uma estrutura com escala suficiente para rivalizar, em certos segmentos, com as majors.

Impactos regulatórios e rearranjo de lideranças

Uma transação desse porte dificilmente passaria sem escrutínio regulatório. Segundo as reportagens, um acordo entre Concord e BMG provavelmente enfrentaria análises em múltiplas jurisdições, incluindo Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido.

Outro ponto que chama atenção é o possível rearranjo de lideranças. De acordo com a Bloomberg, Bob Valentine, CEO da Concord, poderia assumir o comando da empresa combinada caso a aquisição se concretize. Esse movimento abriria espaço para Thomas Coesfeld, atual CEO da BMG, focar na transição para seu novo cargo na Bertelsmann a partir de 2027.

Coesfeld foi anunciado como futuro chairman e CEO da controladora, o que já vinha levantando especulações sobre mudanças na liderança da BMG nos próximos anos.

Um possível “quarto grande” da música global

Caso a negociação avance, a empresa resultante da fusão entre Concord e BMG passaria a figurar entre os maiores grupos musicais do mundo. Analistas e veículos internacionais já apontam que a nova companhia poderia se posicionar como uma espécie de “quarto grande”, ao lado da Universal Music Group, Sony Music Entertainment e Warner Music Group.

A Concord tem como principal acionista o Michigan Retirement Systems, fundo de pensão dos professores da rede pública do estado americano, que é investidor de longo prazo da empresa. Procuradas, ambas as companhias mantiveram a cautela. Um porta-voz da Concord afirmou: “Como política, não comentamos rumores ou especulações.” Já a BMG reconheceu “especulações recentes da mídia”, mas disse não comentar “rumores de mercado ou informações não confirmadas”.

Ainda que as negociações não avancem, o episódio deixa claro que a Concord voltou a ser tratada como um dos ativos mais estratégicos da música global.

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