O Brasil se despediu nesta quarta-feira (28) de Nilton César, um dos nomes mais populares da música romântica nacional. O cantor e compositor morreu em São Paulo, aos 86 anos, deixando uma obra profundamente ligada ao bolero, às baladas sentimentais e ao repertório que marcou o rádio brasileiro entre as décadas de 1960 e 1980.
Nilton César construiu uma carreira que dialogou diretamente com o público popular, em um período em que a música romântica ocupava espaço de destaque na programação das rádios, nos programas de televisão e nos discos vendidos em larga escala. Seu nome passou a ser associado a canções de amor, com letras que falavam de saudade e espera.
Mesmo sendo frequentemente associado à Jovem Guarda, Nilton César trilhou um caminho próprio dentro do romantismo, aproximando o bolero e a balada de um público amplo e fiel, que acompanhou seus lançamentos ao longo de décadas. Seu cancioneiro dialogava com o de outros artistas amplamente populares, como Jerry Adriani, Wanderley Cardoso, Altemar Dutra e Lindomar Castilho.
Da origem em Minas ao início nos programas de calouros
Nascido em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, em 27 de junho de 1939, Nilton César era filho de fazendeiros e, inicialmente, tinha outro destino profissional. Ainda jovem, chegou a se dedicar aos estudos para administrar os negócios da família, antes de decidir seguir carreira artística.
O primeiro contato mais consistente com a música aconteceu no início dos anos 1960, quando passou a se apresentar como calouro em programas de televisão, interpretando canções de Orlando Dias, cantor romântico que o influenciou diretamente. As apresentações chamaram atenção do público e de profissionais do meio musical, abrindo caminho para sua mudança definitiva para o Rio de Janeiro e, depois, para São Paulo.
Na capital paulista, Nilton encontrou um ambiente mais favorável para estruturar a carreira, em um momento de forte expansão da indústria fonográfica e da televisão no Brasil.
Sucesso nacional e a consolidação do repertório romântico
O primeiro álbum, “Dois Num Só Coração”, marcou sua estreia no mercado fonográfico no fim dos anos 1960. Foi nesse disco que Nilton César lançou “Férias na Índia”, composição de sua autoria que se tornaria um dos maiores sucessos de sua carreira. A música vendeu cerca de 500 mil cópias e rendeu discos de ouro, consolidando seu nome no circuito comercial da época.
O grande hit viria em 1969, com “A Namorada Que Sonhei”, canção que se tornaria sua assinatura artística. A música começava com o verso que atravessaria gerações: “receba as flores que lhe dou…”. O sucesso foi tamanho que a faixa ganhou também uma versão em espanhol, facilitando sua circulação fora do Brasil.
Outros títulos ajudaram a formar o repertório que o público associa ao cantor, como “Espera Um Pouco… Um Pouquinho Mais”, “Choro Por Gostar de Alguém” e diversas baladas que circularam com frequência no rádio popular.
Gravadoras, televisão e o diálogo com o público

Em São Paulo, Nilton César contou com o apoio de Moacyr Franco, que o apresentou ao diretor artístico da gravadora RGE, onde foi contratado. Mais tarde, seguiu para a gravadora Continental, o que contribuiu para aumentar sua discografia e presença no mercado.
Ao longo dos anos 1970, participou de programas de televisão de grande audiência, incluindo atrações ligadas ao universo da Jovem Guarda e aos shows de auditório que ajudaram a dar forma ao consumo musical da época. Sua imagem ficou associada ao cantor romântico clássico, com figurino sóbrio e interpretação emocional.
Mesmo com as transformações do mercado musical nas décadas seguintes, Nilton César manteve lançamentos regulares até o final dos anos 1980. Seu último registro disponibilizado nas plataformas digitais foi “Sapato Apertado”, já em ritmo de forró, mostrando disposição para dialogar com outros gêneros populares.
Despedida, homenagens e memória afetiva
O velório de Nilton César aconteceu no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, Zona Leste de São Paulo, com cerimônia aberta a fãs, amigos e familiares. Após a despedida, o cantor foi cremado no Crematório Vila Alpina. A causa da morte não foi divulgada.
Entre as homenagens, a cantora Edith Veiga, amiga do artista, destacou o impacto pessoal e artístico da perda:
“Hoje a música está em luto. Um amigo que se vai, deixando meu coração amargurado. Amigo é muito bom quando chega. Mas muito triste quando se vai”, disse Edith Veiga.
Nas redes sociais, os fãs também deixaram mensagens lembrando a importância de Nilton César para a música romântica brasileira e para a memória afetiva construída a partir de suas canções.
Nilton César deixa um legado ligado a uma era em que o romantismo dominava o rádio. Não por acaso, se tornou o “Príncipe das Baladas”, e um dos últimos representantes do estilo no país.
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