Efeito Stranger Things: carreira musical de ator da série desbanca Taylor Swift e completa segunda semana no topo das paradas

Stranger Things impulsiona “End of Beginning”, projeto musical de Joe Keery, que lidera o Reino Unido e assume o topo global do Spotify em janeiro.
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Nathália Pandeló
Djo, Stranger Things
Djo (Crédito: Divulgação)

O final de Stranger Things voltou a mexer com as paradas musicais, desta vez fora da trilha sonora oficial. Djo, projeto musical de Joe Keery, um dos atores da série, lidera pela segunda semana consecutiva a parada de singles do Reino Unido com “End of Beginning”, segundo a Official Charts Company.

Lançada originalmente em 2022, a música ganhou novo fôlego em janeiro após viralizar em edições feitas por fãs no TikTok, embalando cenas do episódio final da série. O movimento levou a faixa ao topo do consumo no Reino Unido e também ao primeiro lugar do ranking global do Spotify, onde desbancou o hit mais recente de Taylor Swift.

O caso ajuda a dimensionar como produções audiovisuais de grande alcance continuam influenciando diretamente o consumo musical. Mesmo sem vínculo oficial com a trilha da série, “End of Beginning” passou quatro anos até finalmente encontrar seu maior pico comercial, impulsionada pela combinação entre fandom, redes sociais e streaming.

Viralização no TikTok impulsiona faixa fora da trilha oficial

Embora “End of Beginning” não integre a trilha sonora oficial de Stranger Things, a música passou a circular de forma intensa no TikTok após a estreia do último episódio da série. Fãs utilizaram a faixa em edições de cenas finais, o que levou a um novo ciclo de consumo da canção, especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos.

De acordo com a Official Charts Company, o single somou 5,4 milhões de streams no Reino Unido em apenas uma semana, seu maior volume desde o lançamento. Já ao nível global, o desempenho foi suficiente para levar a faixa ao topo do ranking mundial do Spotify no início de janeiro.

Catálogo recente volta ao centro do consumo global

Djo no Chartmetric, Stranger Things
Djo no Chartmetric (Crédito: Reprodução)

Lançada em 2022, “End of Beginning” já havia apresentado retomadas pontuais ao longo dos últimos anos, especialmente em 2024, quando entrou no Top 100 britânico após um primeiro pico de viralização. Em 2026, no entanto, a combinação entre streaming e redes sociais levou a música a um novo patamar de exposição.

Atualmente, a faixa acumula mais de 2 bilhões de streams no Spotify, com crescimento acelerado desde que entrou para o Billions Club, em setembro de 2024. O caso ilustra como o ciclo de vida das músicas deixou de seguir uma lógica linear, passando a depender cada vez mais de contextos culturais externos ao lançamento fonográfico.

Esse tipo de trajetória tem se tornado mais frequente em um mercado no qual séries, filmes e redes sociais funcionam como motores paralelos de redescoberta de catálogo.

Top 10 britânico indica leitura clara de mercado

Djo é também Steve Harrington em Stranger Things (Crédito: Divulgação)
Djo é também Steve Harrington em Stranger Things (Crédito: Divulgação)

Além da liderança de “End of Beginning”, a semana no Reino Unido teve poucas alterações relevantes no Top 10. “Raindance”, parceria entre Dave e Tems, voltou à segunda posição, mantendo o rap britânico em evidência no consumo local.

A principal estreia da semana ficou com Bruno Mars, que entrou diretamente na sexta colocação com “I Just Might”. Essa realidade aponta para um momento de estabilidade nas paradas, com poucos lançamentos conseguindo romper o bloco superior do ranking.

Dados apontam avanço consistente fora do eixo EUA–Europa

Djo no Spotify
Djo no Spotify: Brasil já é um dos principais territórios para o artista (Crédito: Reprodução)

Os números mais recentes ajudam a contextualizar melhor o momento de Djo para além do impacto pontual de Stranger Things. Dados do Spotify mostram que o artista soma atualmente mais de 58 milhões de ouvintes mensais, com crescimento acelerado registrado a partir da primeira quinzena de janeiro.

Entre as cidades que mais consomem o catálogo de Djo no mundo, São Paulo já aparece no Top 5 global, ao lado de mercados como Jacarta, Londres, Cidade do México e Sydney. A capital paulista concentra hoje cerca de 495 mil ouvintes mensais, um volume que coloca o Brasil entre os territórios mais relevantes para o artista fora do eixo anglófono tradicional.

Os dados dialogam com a leitura do Chartmetric, que registrou um salto acima de 125% no crescimento de ouvintes mensais no Spotify em janeiro, além de um aumento próximo de 95% nas visualizações no YouTube no mesmo período. No ranking global da plataforma, Djo já figura entre os 100 artistas mais monitorados da semana.

Lollapalooza Brasil entra em um contexto de demanda real

É nesse cenário que a presença de Djo no Lollapalooza Brasil em 2026 ganha outro peso. Mais do que uma aposta em buzz internacional, o festival passa a dialogar com uma base de consumo já estabelecida no país, especialmente em São Paulo, principal mercado brasileiro de streaming para o artista e onde acontece o evento.

O percurso recente de “End of Beginning” mostra como a circulação musical hoje não depende apenas de lançamentos ou trilhas oficiais. Séries, redes sociais e plataformas de dados atuam juntas na redistribuição de atenção e consumo. E, no caso de Djo, colocam o Brasil como parte ativa desse movimento global.

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