Xand Avião analisa expansão internacional do FestVybbe após segunda edição em Lisboa

Xand Avião comenta ao Mundo da Música o impacto do festival em Portugal e explica como a repetição do evento ajuda a consolidar o forró no mercado europeu.
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Nathália Pandeló
Xand Avião no palco do FestVybbe
Xand Avião no palco do FestVybbe (Crédito: Lucas Facundo)

Xand Avião voltou a colocar o forró no radar internacional com a realização da segunda edição do FestVybbe em Portugal. O festival aconteceu em 28 de fevereiro de 2026 na MEO Arena, em Lisboa, considerada a maior casa de espetáculos do país. Depois da estreia em 2025, quando o evento reuniu milhares de pessoas no Porto e na capital portuguesa, a nova edição marcou um avanço na estratégia de internacionalização da Vybbe e de seus artistas.

Criado como uma plataforma coletiva da empresa, o FestVybbe reúne nomes centrais do forró e do piseiro em uma mesma noite. Em 2026, o lineup contou com apresentações de Nattan, Zé Vaqueiro, Mari Fernandez, Felipe Amorim e Léo Foguete, além do próprio Xand e de participações especiais, mantendo o formato que combina shows individuais com encontros inéditos entre os artistas no palco. A proposta busca reproduzir fora do Brasil a atmosfera festiva que marcou a expansão recente do gênero no país.

Para Xand Avião, repetir o festival em território europeu é um passo importante para transformar a circulação internacional em algo recorrente. Segundo ele, a consolidação de um projeto fora do Brasil depende menos de uma única turnê e mais da capacidade de criar continuidade e presença constante. Em conversa com o Mundo da Música, o cantor e empresário fala sobre o que transforma uma turnê internacional em algo sustentável, e não apenas uma oportunidade isolada:

“Eu acho que entender como o mercado funciona lá [no exterior], criar relação com os produtores, falar com o público certo. A primeira vez abre caminho. A segunda já mostra que não foi por acaso. Quando começa a repetir, vira algo fixo no calendário.”

O público europeu e o potencial do forró fora do Brasil

Xand Avião divide o palco do FestVybbe com Talita Mel
Xand Avião divide o palco do FestVybbe com Talita Mel (Crédito: Lucas Facundo)

A edição de estreia do FestVybbe em Portugal já havia indicado um caminho promissor para o gênero. Realizado em 2025, o evento reuniu mais de 6.500 pessoas em Lisboa e teve ingressos esgotados tanto na capital quanto no Porto. Para Xand Avião, esse resultado ajudou a revelar que existe um público interessado em consumir forró ao vivo fora do Brasil.

O cantor observa que a comunidade brasileira residente na Europa tem papel importante nesse processo, mas não explica sozinha o tamanho da resposta do público. Na visão dele, o caráter festivo do gênero e sua relação direta com a dança facilitam a conexão com quem ainda não tem familiaridade com a música nordestina.

“Quando você vê mais de seis mil pessoas cantando forró em Lisboa, você entende que não é algo isolado. Tem público ali. Claro que a comunidade brasileira é forte, mas não é só isso. O europeu gosta de música pra dançar, gosta da experiência ao vivo. E o forró tem isso naturalmente, é energia, é festa. Eu vejo muito espaço pra crescer, fazendo as coisas do jeito certo e voltando mais vezes.”

Segundo o artista, essa receptividade ajuda a confirmar que a internacionalização do gênero pode ir além de eventos pontuais. A estratégia passa por retornar aos mesmos mercados e consolidar uma relação contínua com o público.

Gestão profissional e estrutura de carreira no forró

Além da carreira como cantor, Xand Avião também atua na gestão de artistas dentro da Vybbe. A empresa reúne alguns dos nomes mais populares do forró e do piseiro na atualidade, o que transforma projetos como o FestVybbe em uma vitrine importante para o catálogo do escritório.

Na avaliação do artista, um dos maiores desafios do gênero hoje é acompanhar, com estrutura profissional, o crescimento que ocorreu nos últimos anos. O forró e o piseiro ganharam escala nacional rapidamente, mas a organização administrativa nem sempre acompanhou essa expansão.

“Acho que o maior desafio é estruturar carreira com visão empresarial sem deixar o artista perder quem ele é. O forró e o piseiro cresceram muito rápido. Quando acontece assim, se você não se estrutura, se complica lá na frente. Tem que ter organização, parte financeira em dia, contrato bem feito e marketing funcionando. Mas não é só encher agenda. É pensar na carreira pra durar.”

Para Xand Avião, esse processo de profissionalização envolve uma série de áreas que vão além da música. Ele destaca a importância de planejamento financeiro, gestão de equipe, estratégia de marketing e organização jurídica para sustentar o crescimento do gênero.

“A gente evoluiu bastante, mas o crescimento foi muito rápido. Muitos artistas já têm estrutura profissional, mas o mercado ainda está amadurecendo. É preciso cuidar de contratos, planejamento financeiro e tributário, organização da equipe. Isso é o que sustenta o crescimento de verdade, e é algo que a gente valoriza muito na Vybbe.”

Planejamento de longo prazo e construção de marca

Xand Avião nos bastidores do FestVybbe (Crédito: Lucas Facundo)
Xand Avião nos bastidores do FestVybbe (Crédito: Lucas Facundo)

Outro ponto que vem mudando dentro do gênero, segundo Xand Avião, é a forma como os artistas passaram a planejar suas carreiras. Durante muito tempo, o foco principal estava na agenda de shows e na busca por um novo hit. Hoje, cada vez mais artistas passam a discutir catálogo, posicionamento e construção de marca.

“Hoje já dá pra ver uma mudança. Antes o foco era só no hit do momento e na agenda do mês. Agora muitos artistas já pensam em catálogo, em marca, em expandir pra fora do país. Ainda tem muito caminho, mas a cabeça está mudando. Quem quer carreira longa precisa pensar em marca, não só em música.”

Para o cantor, essa mudança também está ligada à necessidade de fortalecer outras frentes além do palco. O forró sempre teve uma presença muito forte no circuito de shows, mas o crescimento do mercado digital e audiovisual abriu novas possibilidades de projeção para o gênero.

“O forró sempre foi muito forte no palco, isso faz parte da essência do gênero. Mas hoje a gente precisa pensar além: cuidar do repertório, usar a linguagem audiovisual pra projetar pro digital a grandiosidade que o forró sempre foi no palco, fortalecer a presença digital e a marca dos artistas.”

Ele também aponta oportunidades em parcerias com outros gêneros, abrir caminho para sincronizações e presença em grandes eventos que aproximem o forró de novos públicos.

“Também vejo muito espaço em colaborações, trilhas, festivais e colaborações que levem o forró para outros públicos. O show continua sendo o principal, mas o crescimento de verdade vem de organizar tudo ao redor dele.”

A experiência de artista e empresário

A atuação simultânea como artista e empresário também mudou a forma como Xand Avião enxerga o mercado musical. Segundo ele, acompanhar a carreira de outros artistas dentro da Vybbe trouxe uma perspectiva mais ampla sobre as decisões que sustentam uma trajetória de longo prazo.

“Quando você começa a cuidar de outros artistas, você entende ainda mais o quanto o mercado é complexo. Passei a enxergar a carreira como equipe, planejamento, saúde mental, posicionamento e isso me fez ter uma visão mais ampla como artista e empresário.”

Essa experiência também alterou a rotina do cantor, que divide o tempo entre os palcos e as atividades de gestão dentro da empresa.

“Durante a semana, gosto de passar as tardes na Vybbe dando atenção a esse lado de empresário. Sentar pra planejar e acompanhar nossos artistas é algo que eu gosto de fazer, dá uma satisfação enorme.”

Ao falar sobre expansão internacional, ele reforça que o processo exige planejamento e continuidade. Para o artista, a construção de presença fora do Brasil depende de entender o mercado local e estabelecer parcerias estratégicas.

“O básico é organização: entender o mercado, saber onde tem público de verdade. É importante também ter parceiros locais e uma comunicação direcionada, porque cada lugar é diferente. E, acima de tudo, constância. Internacionalização não acontece em uma viagem só. É construção de presença ao longo do tempo”, conclui Xand.

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